A arte da variação com Rachmaninov

Marcos Arakaki, regente
Lukás Vondrácek, piano

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BRUCKNER
STRAVINSKY
RACHMANINOV
R. STRAUSS
Abertura em sol menor
Sinfonia em Dó
Rapsódia sobre um tema de Paganini, op. 43
O cavaleiro da rosa, op. 59: Primeira sequência de valsas

Marcos Arakaki, regente

Marcos Arakaki é Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais. Tem conduzido importantes orquestras no Brasil e também nos Estados Unidos, México, Argentina, República Tcheca e Ucrânia. Vencedor do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e do I Prêmio Camargo Guarnieri (2009), foi regente titular da Sinfônica da Paraíba e da Sinfônica Brasileira Jovem, com grande reconhecimento da crítica especializada e do público. Gravou a trilha sonora do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Natural de São Paulo, é Bacharel em Violino pela Unesp e Mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts.

Musicalidade natural, autoconfiança, além de uma habilidade técnica notável, há muito marcam Lukás Vondrácek como um músico talentoso e maduro. O pianista fez sua primeira aparição pública aos quatro anos de idade. Em 2002, aos quinze anos, estreou profissionalmente com a Filarmônica Tcheca, sob a regência de Vladimir Ashkenazy. Entre os maestros conceituados com os quais já trabalhou estão Paavo Järvi, Gianandrea Noseda, Christoph Eschenbach e Vasily Petrenko. Seu trabalho se estende a vários conjuntos de renome, como as orquestras filarmônicas de Londres e de São Petersburgo; as orquestras Philharmonia e Gulbenkian; a Wiener Symphoniker, Deutsches Symphonie-Orchester Berlin, NDR, NHK e a Nacional de Washington. Lukás também apresentou-se em recitais no Wigmore Hall de Londres, Carnegie Hall de Nova York, Konzerthaus de Viena, Concertgebouw de Amsterdã, dentre outros. Em 2016, venceu um dos mais importantes concursos musicais do mundo, o Rainha Elisabeth da Bélgica. Sua primeira gravação comercial, um álbum solo pela Octavia Records, com obras de Mendelssohn, Liszt, Janácek e Dohnányi, foi lançado em 2004. O segundo, com peças de Haydn, Rachmaninov e Prokofiev, saiu em 2012, pela TwoPianists Records. O disco mais recente, com obras de Brahms, intitulado Im Gläsernen Schloss, foi lançado em 2013, sob o selo ORF.

Programa de Concerto

Abertura em sol menor | BRUCKNER

A vida e obra de Bruckner são todas guiadas pela fé, inquebrantável, devota, que é a sua fonte maior. Na sua linguagem, a herança de Beethoven e Schubert mistura-se à de Wagner, sem, no entanto, fazê-la perder a originalidade. Fato é que, com isso, Bruckner acaba sendo adotado pela modernidade, que o alça a uma espécie de lugar paradigmático. O autor da Abertura em sol menor é, no entanto, relativamente diverso do compositor das extensas nove sinfonias. Sintético, quase clássico, é ainda a um jovem artista que se ouve (a despeito dos seus trinta e oito anos), anterior à Primeira Sinfonia, cuja herança beethoveniana é inquestionável. Em Linz, estudando com Otto Kitzler, Bruckner compõe, em 1862, suas quatro primeiras obras orquestrais. A obra seguinte, composta entre 1862 e 1863, ainda sob a orientação de Kitzler, foi a justamente a Abertura em sol menor. Publicada e estreada somente em 1921, em Kolsterneuburg, Áustria, sob a batuta de Franz Moissl, a obra sofreu algumas alterações a partir de sua concepção, sempre orientadas por Kitzler.

Os primeiros esboços de Stravinsky do que viria a ser a Sinfonia em Dó foram anotados num caderno de hotel em Evanston, Illinois, em 3 de março de 1937, durante a terceira turnê do compositor pelos Estados Unidos. Ele os retoma no outono de 1938, em Paris, quando sua vida doméstica começa a desintegrar-se: a filha Ludmila e a esposa Catarina morrem, ambas vitimadas pela tuberculose. Stravinsky interna-se por cinco meses um uma clínica na Suíça, diante do Monte Branco, onde conclui os dois primeiros movimentos. No ano seguinte ele perde a mãe. Dos Alpes, escreve: “Minha casa, minha família está destruída – já nada tenho a fazer em Paris...” E deixa a clínica na véspera da declaração de guerra. Na Alemanha, passara a ser tido por etnicamente judeu e artisticamente degenerado; na França, a crítica já não lhe era favorável; e, por toda a Europa, os concertos rareavam. Três semanas mais tarde, embarca para a quarta turnê norte-americana, que se inicia com um ciclo de palestras em Harvard. Em abril de 1940, Stravinsky completa a partitura, dedicada à Sinfônica de Chicago, que a estreia no dia 7 de novembro do mesmo ano. A Sinfonia em Dó parte da imagem da sinfonia clássica e paga tributo a suas formas e procedimentos, mas faz algo em essência diferente: dar prosseguimento aos métodos de Stravinsky num exercício de modelagem que toma uma ideia forte por ponto de partida de uma jornada criativa pessoal.

Aos artistas criadores e aos musicólogos, em sua grande maioria, o legado de Rachmaninov não causa entusiasmo ou desprezo. Por outro lado, aos intérpretes e ao público em geral, ele soa atraente, desafiador e comovente. Rachmaninov foi, antes de tudo, um pianista. Essa ligação visceral com o seu instrumento o faz adotar uma estética ultrarromântica, que leva a graus exponenciais o tratamento pianístico. À parte as pequenas peças para piano, nota-se isso sobretudo em seus concertos e na celebrada Rapsódia sobre um tema de Paganini. Escrita em 1934, foi estreada no mesmo ano em Baltimore, Estados Unidos, pela Orquestra da Filadélfia, sob a regência de Leopold Stokowski, tendo como solista o próprio compositor. Trata-se de uma obra concertante, para piano e orquestra, constituída de vinte e quatro variações sobre o tema do vigésimo quarto Capricho de Paganini (composto para violino solo). A figura mítica de Paganini, que ajudou a moldar a mentalidade romântica, transparece em suas criações, de grande dificuldade, cujo exemplo mais célebre são justamente os Caprichos. De alguns deles, Schumann e Liszt fizeram transcrições para piano, e Brahms elaborou, com o tema principal do último, duas séries de variações para piano. É nessa mesma tradição romântica que Rachmaninov compõe sua Rapsódia.

O cavaleiro da rosa é um tributo de Richard Strauss a Mozart. A música é uma fusão do estilo refinado de Strauss com a leveza mozartiana, com espaço para vários momentos da encantadora valsa vienense. A ópera foi composta entre 1909 e 1910. A primeira apresentação se deu na Ópera de Dresden, no dia 26 de janeiro de 1911. O sucesso foi tão grande que, nos anos que se seguiram à estreia, ela apresentada nos principais teatros da Europa e dos EUA para uma plateia cada vez mais apaixonada. Mais de um século depois, é possível ainda perceber que a paixão do público por esta ópera não parece diminuir em nada. As valsas não existem como peças isoladas na ópera, mas estão presentes em várias cenas. Em 1944, Strauss criou uma sequência de suas valsas favoritas. Por conter valsas dos atos I e II, esse agrupamento acabou levando o nome de Sequência de Valsas no 1, embora ele já tivesse composto, em 1911, uma sequência de valsas extraídas dos atos II e III (agora renomeada Sequência de Valsas no 2). Em ambas, o compositor reordenou a ordem de aparição das valsas, dando prioridade ao sentido musical. Uma vez que se trata de música instrumental, e o argumento teatral encontra-se ausente, o compositor sentiu-se livre para acomodar os diversos trechos musicais de acordo com sua fantasia. Nessas Sequências, a mestria orquestral de Strauss salta imediatamente aos ouvidos.

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31 ago 2017
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

1 set 2017
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
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