A contemplação serena de V. Williams

Carlos Prazeres, regente convidado
Alexandre Dossin, piano

|    Allegro

|    Vivace

L. CARDOSO
KHATCHATURIAN
VAUGHAN WILLIAMS
Ritual
Concerto para piano em Ré bemol maior, op. 38
Sinfonia nº 5 em Ré maior

Carlos Prazeres, regente convidado

Regente titular da Orquestra Sinfônica da Bahia, Carlos Prazeres é um dos principais convidados da Orquestra Petrobras Sinfônica, onde foi assistente de Isaac Karabtchevsky até 2012. Dividiu o palco com artistas como Ramón Vargas, Antonio Meneses, Heléne Grimaud, Rosana Lamosa, Ilya Kaler, Jean-Louis Steuerman, Fábio Zanon, Augustin Dumay, Wagner Tiso, Gilberto Gil, João Bosco, Ivan Lins, Stanley Jordan e Milton Nascimento, entre outros. Como maestro convidado, esteve à frente da Orchestre National des Pays de la Loire, Sinfônica de Roma, Sinfônica Siciliana e Orquestra da Arena de Verona, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, Youth Orchestra of the Americas, Junge Philharmonie Salzburg, as filarmônicas de Buenos Aires, Mendoza, Montevidéu e Bogotá, a Orquestra Amazonas Filarmônica, as sinfônicas de Porto Alegre, Sergipe, Campinas, da USP (Osusp), entre outras. Prazeres é graduado em Oboé pela UNI-Rio e foi bolsista da Fundação Vitae durante seus estudos na Academia da Orquestra Filarmônica de Berlim/Fundação Karajan.

Pianista brasileiro radicado nos Estados Unidos, Alexandre Dossin estudou no Conservatório Tchaikovsky de Moscou e fez o doutorado de piano na Universidade do Texas. Em Moscou, estudou com Boris Romanov e Sergei Dorensky; nos Estados Unidos, com William Race e Gregory Allen; no Brasil, com Hubertus Hofmann e Dirce Knijnik. Em 2003, recebeu o primeiro prêmio e o prêmio especial no Concurso Internacional de Piano Martha Argerich, em Buenos Aires, Argentina. Dossin também foi laureado no Grand Prix Maria Callas, em Atenas, Grécia, e no Mozart International Piano Competition, em Salzburgo, Áustria, além de vários concursos no Brasil. Pela Naxos, Alexandre Dossin gravou a obra pianística de Dmitri Kabalevsky, o álbum Liszt na Rússia e a obra para piano de Leonard Bernstein. Editor na G. Schirmer, Dossin participou de publicações que trazem um CD com suas gravações de As Estações e Álbum para a Juventude de Tchaikovsky, Visões Fugitivas de Prokofiev, Consolacões e Liebesträume de Liszt, e os Prelúdios de Rachmaninov. Em 2016, foi nomeado International Steinway Artist e seu nome foi incluído em uma seleta lista de pianistas internacionais. Atualmente, é professor titular e coordenador do departamento de piano na Universidade de Oregon e se apresenta em concertos e recitais nos Estados Unidos, Canadá e Brasil.

Programa de Concerto

Ritual | L. CARDOSO

Vindo da pequenina Livramento de Nossa Senhora, na Chapada Diamantinense, Lindembergue Cardoso chegou a Salvador em 1957, integrando-se como aluno nos Seminários Livres de Música da Universidade da Bahia, orientados por Koellreutter e outros professores europeus como Ernst Widmer, Piero Bastianelli, Walter Smetak. Música erudita, dodecafonismo, serialismo, música renascentista, orquestra sinfônica, música popular do interior da Bahia e a influência da cultura afro estavam sempre presentes e eram valorizadas, contribuindo para a formação de Lindembergue Cardoso e outros compositores como Jamary Oliveira, Fernando Cerqueira, Alda Oliveira, Rinaldo Rossi, o argentino Rufo Herrera e o mineiro Marco Antonio Guimarães. Sem limites em suas experiências criativas, em que utilizava, além da música, recursos visuais e cênicos, deixou uma obra numerosa e diversa. Entre outras composições feitas para o Grupo Giramundo de Teatro de Bonecos, figura a obra prima Cobra Norato. A obra sinfônica Ritual é de 1987 e nela Lindembergue introduz na orquestra rico instrumental de percussão típico, como atabaque e o agogô. A composição, de grande força e solenidade, se baseia no clima ritualístico do candomblê, apresentando estruturação rítmica de notável expressividade.

Em sua grande janela, frente à densa floresta dos arredores de Moscou, Khatchaturian encontrou inspiração para compor seu exuberante Concerto para piano: “trabalhei rapidamente, facilmente, minha imaginação parecia voar”, rememorou o compositor. Ele colhia os louros de um brilhante curso de composição realizado no Conservatório de Moscou e estava feliz com o recente enlace com a pianista-compositora Nina Makarova, que fora sua colega na classe de Nikolai Miaskovsky. O Concerto para piano, primeira obra concertante de Khatchaturian, e também seu primeiro sucesso mundial, inaugurou o conjunto de três concertos que seriam dedicados aos membros do legendário Trio Oistrakh: o violinista David Oistrakh, o violoncelista Sviatoslav Knushevitsky e o pianista Lev Oborin – famoso por vencer o Primeiro Concurso Chopin, em 1927. Oborin estreou a obra a ele dedicada em julho de 1936, em um concerto a céu aberto. Ao que tudo indica, a estreia não foi bem-sucedida, pois os óculos do maestro Steinberg caíram durante a performance, atrapalhando a regência. Seu Concerto para piano é considerado mais uma obra étnica do que propriamente nacionalista, por conter uso extensivo do folclore armênio. Com ele, Khatchaturian inseriu a escola de composição de seu país no cenário internacional.

Vaughan Williams compôs nove sinfonias, além de óperas, balés, concertos, música de câmara e um número enorme de canções e peças sacras. Em suas obras está evidente sua ligação visceral com a grande tradição da música elisabetana, usando frequentemente, mas com liberdade, formas características de seus predecessores daquela época de ouro da música inglesa. A Sinfonia no 5 foi composta entre 1938 e 1943, portanto, durante a guerra. Escrita em quatro movimentos, o Prelúdio funciona como uma espécie de grande abertura meditativa para a Sinfonia e termina como um hino de paz. No segundo movimento (Scherzo), a rítmica parece vir à tona e tomar o lugar da melodia. Já o terceiro (Romanza) é o mais lírico dos quatro e uma das mais belas músicas escritas por Vaughan Williams. O quarto movimento se inicia como uma autêntica Passacaglia (gênero musical característico do Barroco, em que um tema na voz do baixo é insistentemente repetido, dando origem a variações nas vozes superiores). Logo o autor passa a tratar com liberdade as variações, com transformações radicais, incluindo reminiscências do primeiro movimento. Na verdade, a intenção de Vaughan Williams, como artista, é buscar seu próprio meio expressivo, ao invés de simplesmente repetir uma prática do passado.

11 mai 2017
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

12 mai 2017
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
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