A descoberta de um “Renascer”

Wagner Polistchuk, regente convidado
Caio Pagano, piano

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GUARNIERI
MOZART
KARLOWICZ
Abertura concertante
Concerto para piano nº 26 em Ré maior, K. 537, “Coroação”
Sinfonia em mi menor, op. 7, “Renascer”

Wagner Polistchuk, regente convidado

O maestro e trombonista brasileiro Wagner Polistchuk foi Regente Principal da Orquestra Sinfônica da USP, Diretor Artístico da Camerata Antiqua de Curitiba, Regente Adjunto da Sinfônica de Santo André e Diretor Artístico e Regente Titular da Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina. Tem se apresentado à frente de importantes orquestras brasileiras como a Osesp, a Orquestra Sinfônica Brasileira, as sinfônicas do Theatro Municipal de São Paulo, da Bahia, de Porto Alegre, entre outras. No exterior, conduziu orquestras como a Sinfônica de Mendoza (Argentina), a Hermitage Orchester (Suíça), a Sinfónica de la Universidad Autónoma de Nueva León (México), e a Filarmônica de Kielce (Polônia). Como regente tem dado especial atenção ao repertório contemporâneo, sendo responsável pela estreia brasileira de obras de importantes compositores do século XX, como MacMillan, Adams, Takemitsu, Corigliano, Almeida Prado e Cláudio de Freitas. Paralelamente à sua carreira de regente, Polistchuk ocupa desde 1983 a posição de Trombone Solo na Osesp.

O brasileiro Caio Pagano percorre o mundo em concertos solo, com grupos de câmara e também com orquestras, além de participar como jurado em concursos internacionais de piano. Tem as próximas turnês programadas para a Suíça, Cingapura e Taiwan, além de várias apresentações no Brasil. Levou para os Estados Unidos, onde é Professor Regente da Arizona State University, um grande número de jovens pianistas, hoje professores e intérpretes que atuam nos mais diversos países. É fundador e presidente do Avanti Fund, instituição de caráter educacional, reconhecida como utilidade pública e sem impostos pelo governo norte-americano, que promove festivais de música e o Steinway/Avanti Piano Competition. A discografia do pianista contempla, com mesmo peso e liberdade, compositores clássico-românticos e modernos, nacionais e internacionais. Entre seus trabalhos, Remembrance foi apontado como álbum da semana pela Rádio americana KBAQ em 2008, e Villa-Lobos: Musik für Kinder, como álbum do mês pela BBC Music Magazine.

Programa de Concerto

Abertura concertante | GUARNIERI

Camargo Guarnieri, nascido em Tietê, estado de São Paulo, de pais músicos, aos dezesseis anos foi buscar na cidade de São Paulo melhores oportunidades para sua formação musical. Em 1938, estudou na França, com Charles Koechlin e Nadia Boulanger. Em São Paulo, Guarnieri apresentou suas primeiras obras a Mário de Andrade, um dos mais importantes intelectuais da época, que se tornou seu mentor. A influência militante de Mário refletiu-se na posição assumida publicamente por Guarnieri por ocasião de sua ruptura com o compositor e professor Koellreutter, em 1950 (Koellreutter foi o introdutor da música dodecafônica no Brasil). A partir da década de 1940, Guarnieri visitou os Estados Unidos em diversas oportunidades, regendo suas obras; recebeu muitos prêmios e, dentre os compositores brasileiros, tornou-se, com Villa-Lobos, um dos mais executados no mundo. A Abertura Concertante foi dedicada ao compositor norte-americano Aaron Copland. Sua estreia se deu em 2 de junho de 1942, no Theatro Municipal de São Paulo, sob a regência do maestro João de Souza Lima. A peça apresenta características neoclássicas combinadas a elementos rítmicos e harmônicos nacionalistas.

Em 23 de setembro de 1790, Wolfgang Amadeus Mozart, seu cunhado violinista Franz de Paula Hofer e um serviçal partiram em carruagem para Frankfurt am Main, onde o Grão-duque Leopoldo da Toscana seria eleito soberano do Sacro Império Romano-Germânico. A sagração de Leopoldo II ocorreu a 9 de outubro e, no final da manhã do dia 15, Mozart apresentou dois de seus concertos para piano e orquestra: o número 19, em Fá maior, KV 459, e o número 26, em Ré maior, KV 537. Ambos ficariam conhecidos pelo nome “Coroação”. A obra desfrutou de enorme prestígio durante o século XIX. Em 1935, Friedrich Blume considerou-o “o mais conhecido e o mais executado” dos concertos para piano de Mozart. A situação mudaria ainda no segundo quartel do século XX. Em 1939, Cuthbert Gliderstone declarou-o “um dos mais pobres e vazios”, e outros nomes prosseguiriam na mesma veia. A balança voltaria a pender para o outro lado nos anos 1970. Para Charles Rosen (1971) o KV 537 é historicamente o mais progressista de todos os trabalhos de Mozart.

Mieczyslaw Karlowicz foi um dos mais talentosos compositores poloneses do início do século XX. Sua linguagem musical romântica, oriunda da música de Wagner, Tchaikovsky, Grieg e Richard Strauss, emana das profundas influências que recebeu ao longo de seus estudos em Heidelberg, Praga, Dresden, Berlim e Varsóvia. Frequentou alguns dos encontros da Polônia Jovem em música, um círculo de debates criado pelos jovens compositores Szymanowski, Szeluto, Fitelberg e Rózycki. Karlowicz jamais se sentiu à vontade nesse grupo de jovens que buscavam um sentido estético para a música polonesa da época. Ele preferia encontrar inspiração nos longos passeios de bicicleta, na fotografia e no esquiar na neve. A composição da Sinfonia Renascer, penúltima obra de seus chamados anos de aprendizado, foi provavelmente iniciada em 1900, quando estudava com Heinrich Urban, em Berlim, e terminada em maio de 1902. A primeira audição se deu em Berlim, no dia 21 de março de 1903, em um concerto regido por Karlowicz e inteiramente dedicado às suas obras. O programa incluía a abertura da música incidental Bianca da Molena, o Concerto para violino em Lá maior, com Stanislaw Barcewicz como solista, e a Sinfonia Renascer.

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