A serenidade em Mozart e Mahler

Fabio Mechetti, regente
Camila Titinger, soprano

|    Presto 2018

|    Veloce 2018

MOZART
MOZART
MOZART
MOZART
MOZART
MAHLER
A flauta mágica: Abertura
A flauta mágica: Ach, ich fühl’s
As bodas de Fígaro: Abertura
As bodas de Fígaro: Porgi amor
As bodas de Fígaro: Dove sono
Sinfonia nº 4 em Sol maior

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

A jovem soprano Camila Titinger vem construindo sua carreira nos principais palcos de ópera do Brasil com papeis importantes em obras de Mozart, Bizet e Golijov. Nos últimos anos, venceu prêmios no Concurso Brasileiro de Canto Lírico Maracanto, no Maranhão, e no Concurso de Ópera Maria Callas, em Jacareí (SP), além de ter sido finalista na competição internacional Neue Stimmen em 2013 e 2015, na Alemanha. Em 2016, Titinger foi convidada para cantar na abertura do Festival de Bregenz, na Áustria, com a Orquestra Sinfônica de Viena. No mesmo ano, fez sua estreia na França interpretando a Contessa di Almaviva da ópera As bodas de Fígaro, de Mozart. Atualmente, Titinger estuda canto com a soprano Eliane Coelho, um dos nomes mais importantes da música lírica brasileira.

Programa de Concerto

A flauta mágica: Abertura | MOZART

Em novembro de 1790, Mozart concordou em colaborar com o amigo Emanuel Schikaneder para a produção de um singspiel, forma dramático-musical tipicamente germânica e que combina, em obras de caráter popular, o diálogo falado e o canto. Nascia assim A flauta mágica, para muitos, a obra máxima do gênero. Schikaneder ficou responsável pelo libreto, cujo enredo, ambientado no Egito exótico, combina elementos de conto de fadas, farsa popular, comédia crítica e alusões finamente disfarçadas à maçonaria. Para essa ópera em que impera a diversidade, Mozart criou obras-primas variadas — números bufos, árias de ópera séria italiana, motivos populares vienenses, corais luteranos — que, miraculosamente, formam um todo preciosamente coeso e lógico. A Abertura constrói-se sobre dois temas principais, que apresentam contrastes de dinâmica, riqueza dos timbres orquestrais e jogos contrapontísticos repletos de erudição e espontaneidade. A flauta mágica estreou em Viena, dois meses antes da morte precoce de Mozart, aos 35 anos.

As bodas de Fígaro é a primeira das três colaborações de Mozart com o libretista Lorenzo Da Ponte – as outras duas são Don Giovanni e Così fan tutte. É uma ópera em quatro atos, cuja estreia aconteceu em maio de 1786, no Burgtheater, em Viena, sob regência do compositor. Para escrevê-la, Mozart baseou-se na peça homônima de Beaumarchais, segunda parte da trilogia do autor francês que começa com O barbeiro de Sevilha e termina com A mãe culpada. A trama se passa em um único dia, o do casamento de Fígaro com Susanna. Ambos trabalham e vivem no castelo do Conde de Almaviva que tenta, de todo modo, seduzir a noiva de seu criado antes da cerimônia. A Abertura, entretanto, é independente, ou seja, não traz temas da ópera propriamente dita, mas sim nos antecipa o estado de espírito da obra.

Mahler compôs nove sinfonias e diversos esboços para uma décima. Dessas, a Quarta é uma das que possui participação relevante da voz humana. Escrita entre 1899 e 1901, essa obra incorpora, em seu último movimento, a canção popular alemã Das himmlische Leben [A vida no Paraíso], que também já havia sido citada por Mahler na Sinfonia nº 3, ainda que de maneira menos incisiva. Cantado por uma voz de soprano, o texto descreve a visão de uma criança sobre o Paraíso. Nem assim, contudo, Mahler abandona os contrastes que prefiguram essencialmente sua linguagem, marcados pela melancolia e por uma angústia insolúvel. Com isso, os versos que descrevem a festa preparada para os justos no Céu remetem também ao sacrifício da ovelha inocente. A partir de tal ideia, a canção fornece o mote musical e ideológico para todos os movimentos da Sinfonia nº 4, ainda que apenas no último ela seja apresentada integralmente, transcendendo, assim, a proposição clássica da elaboração temática. Esses e outros aspectos mostram com clareza a posição limiar que Mahler ocupa na evolução da linguagem musical do Ocidente, na virada do século XIX para o XX, angustiada entre uma era que expira e outra que nasce.

25 out 2018
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

26 out 2018
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
Quero ser lembrado deste concerto.
adicione à agenda 25/10/2018 8:30 PM America/Sao_Paulo A serenidade em Mozart e Mahler false DD/MM/YYYY