As peças que unem uma orquestra

Fabio Mechetti, regente
Rafael Alberto, vibrafone

|    Allegro

|    Vivace

DVORÁK
HINDEMITH
VILLANI-CÔRTES
KODÁLY
Serenata para sopros em ré menor, op. 44
Música de Concerto para Cordas e Metais, op. 50
Concerto para vibrafone
Concerto para orquestra

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito destas duas últimas duas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos EUA e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Rafael é Percussionista Principal da Filarmônica de Minas Gerais e, juntamente com Leonardo Gorosito, é membro-fundador do Desvio, grupo dedicado a compor e interpretar novas peças para percussão. Possuem três espetáculos autorais lançados: C’Alma, Miniaturas e Cancioneiro, sendo este último lançado em CD e DVD. Suas peças tem sido executadas por músicos de outros países como Inglaterra, França, Bélgica, Japão, Singapura, Dinamarca e, principalmente, Estados Unidos. Rafael iniciou seus estudos formais em música no Conservatório de Tatuí, sob orientação de Javier Calvino e Luis Marcos Caldana. Seguiu na Universidade Estadual Paulista (Unesp), graduando-se sob orientação de John Boudler, Carlos Stasi e Eduardo Gianesella. Em 2011, concluiu seu Mestrado em Música pela Stony Brook University, em Nova York, como aluno de Eduardo Leandro. Integrou a Orquestra Sinfônica de Stony Brook e o Contemporary Chamber Players. Foi integrante da Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo e atuou como músico convidado da Amazonas Filarmônica. Em 2012, executou o Concerto para vibrafone, de Ney Rosauro, junto à Filarmônica de Minas Gerais.

Programa de Concerto

Serenata para sopros em ré menor, op. 44 | DVORÁK

Dvorák compôs duas serenatas. Três anos separam as elaborações dessas obras. A Serenata para cordas, de 1875, ajudou a projetá-lo como compositor. A Serenata para sopros é de janeiro de 1878 e, assim como na primeira (e como na maior parte de sua música), o que se destaca nela não é a inovação formal. Chamam a atenção os toques irônicos, a começar pela marcha inicial, que parece ter uma solenidade arremedada, cujas duas aparições emolduram um episódio mais lírico. O segundo movimento, que ele chama de Minueto, evoca algo das danças folclóricas tchecas, como que esboçando, com elegância e sutileza, uma caricatura da dança aristocrática do século XVIII, época em que esse gênero musical havia se estabelecido. O Andante, por sua vez, é uma das páginas mais inspiradas do compositor. Original em sua textura e com um trabalho harmônico surpreendente, principalmente na seção central, aí se encontra o Dvorák lírico de quase sempre. O folclore volta à tona no último movimento, com evocações quase cômicas das bandas rústicas dos vilarejos. Interessante é que Dvorák, em ambas as serenatas, imprime um certo aspecto cíclico à forma. Na Serenata para sopros, isso se percebe quando, no último movimento, o tema inicial da obra retorna. Claramente extrovertida, essa obra realmente tem razão de ter caído no gosto popular sem, com isso, deixar de mostrar o gênio artístico desse grande músico da Boêmia.

A Música de concerto para cordas e metais foi composta por Paul Hindemith em 1930 para as comemorações dos cinquenta anos da Orquestra Sinfônica de Boston, a pedido de Serge Koussevitzky, que regeu a estreia, em Boston, em abril de 1931. Foi a última de uma série de três peças que Hindemith intitulou Konzertmusik (Música de concerto para viola e orquestra de câmara, op. 48, e Música de concerto para piano, metais e duas harpas, op. 49). Em seu opus 50, Hindemith divide a orquestra em metais versus cordas. Enquanto o naipe de metais é o usual de uma conjunto sinfônico (4 trompas, 4 trompetes, 3 trombones e 1 tuba), as cordas estão divididas em apenas quatro seções, com os primeiros e segundos violinos tocando juntos.

Influenciada pelo gênero teatro musical, entre a música americana e o brasileirismo de Radamés Gnattali, as criações de Edmundo Villani-Côrtes são sempre elegantes. Sua melodia é franca, sua rítmica transparente e sua harmonia familiar aos ouvidos. Em 1994, escreveu duas obras dedicadas ao vibrafone: a Ritmata nº 3 e o Concerto para vibrafone. A última foi estreada durante o Festival de Campos do Jordão de 1996 pelo vibrafonista André Juarez – regido por seu pai, Benito Juarez, à frente da Sinfônica de Campinas. Em 1998, André Juarez, a quem Villani-Côrtes dedicou a obra André no Frevo, gravou ao lado do compositor um álbum com obras para vibrafone e piano. No mesmo ano, o Concerto para vibrafone foi premiado como Melhor peça experimental pela Associação Paulista de Críticos de Artes.

Em número, a obra do húngaro Zoltán Kodály não é muito extensa. Duas óperas, alguma música de câmara, outro pouco de peças para piano e um punhado precioso de música coral, com ou sem acompanhamento. De seu legado sinfônico, destacam-se a suíte extraída da ópera Háry János e, obviamente, o Concerto para orquestra. Essa obra foi composta entre 1939 e 1940, por encomenda da Orquestra Sinfônica de Chicago. O título pode remeter o ouvinte conhecedor à assombrosa obra homônima do também húngaro Béla Bartók, composta em 1943. Nem a ideia nem o título, porém, são novos, e a obra de Kodály, junto com a de Hindemith (que data de 1925), são anteriores à dele. Há que se explicar que a partitura de Kodály não usa do conceito que o senso comum atribui ao concerto, como peça musical que coloca em relevo um único instrumento solista. Ao contrário, ele reelabora, aqui, um procedimento muito comum no período Barroco, em que mais de um solista despontava do corpo orquestral: o concerto grosso. É claro que, na obra de Kodály, os resultados de suas importantes pesquisas etnográficas não poderiam estar ausentes. Ele parece combinar uma arquitetura que lembra a do primeiro Concerto de Brandemburgo de Bach (dando voz, ocasionalmente, a distintos solistas destacados do corpo sinfônico) com a música tradicional húngara.

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25 mai 2017
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26 mai 2017
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