Da Inglaterra à República Tcheca

Marcos Arakaki, regente
Anthony Flint, violino

|    Allegro

|    Vivace

BRITTEN
VAUGHAN WILLIAMS
DVORÁK
DVORÁK
Variações sobre um tema de Frank Bridge, op. 10
A ascensão da cotovia
Romance em fá menor, op. 11
Sinfonia nº 7 em ré menor, op. 70

Marcos Arakaki, regente

Marcos Arakaki é Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais. Tem conduzido importantes orquestras no Brasil e também nos Estados Unidos, México, Argentina, República Tcheca e Ucrânia. Vencedor do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e do I Prêmio Camargo Guarnieri (2009), foi regente titular da Sinfônica da Paraíba e da Sinfônica Brasileira Jovem, com grande reconhecimento da crítica especializada e do público. Gravou a trilha sonora do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Natural de São Paulo, é Bacharel em Violino pela Unesp e Mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts.

Anthony Flint iniciou os estudos musicais em sua Inglaterra natal, mas mudou-se para o Canadá bem jovem, dando sequência à sua formação no Conservatório de Toronto, onde estudou violino com David Mankovitz e piano com Patricia Holt. Completou a educação musical graduando-se pela Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, com os professores James Buswell, Larry Shapiro, Franco Gulli e Joseph Gingold. Também se apresenta como solista e como músico de câmara, tendo levado ao público interpretações com artistas como Vladimir Viardo, Jean Bernard Pommier, Bruno Pasquier, Yuri Bashmet, além dos três solistas de violoncelo das melhores orquestras da Alemanha – Wolfgang Boettcher, Berlim, Wen Sinn Yang, Munique, e Christoph Henkel, Hamburgo. Integra o Trio Ceresio, seu grupo de longa data baseado na Suíça com o qual tem realizado concertos e importantes gravações.

Programa de Concerto

Variações sobre um tema de Frank Bridge, op. 10 | BRITTEN

O ano de 1937 foi decisivo para Benjamin Britten. A perda da mãe, ainda em janeiro, embora dolorosa, foi libertadora – o compositor inglês viu-se finalmente livre para expressar sua homossexualidade. Em março, conheceu Peter Pears, seu companheiro. E, poucos meses depois, iniciou a composição da obra encomendada por Boyd Neel para o Festival de Salzburgo, as Variações sobre um tema de Frank Bridge. Ela foi concebida como um tributo a Frank Bridge, a principal referência musical de Britten desde seus 13 anos. As Variações têm por tema a ideia central do segundo dos Três Idílios para Quarteto de Cordas do compositor homenageado, tema que Britten já havia usado na composição de seis incompletas variações para piano em 1932. A peça para orquestra de cordas conta com uma Introdução e Tema seguidos por dez variações, cada uma delas retratando um traço característico da personalidade de seu mestre. De acordo com as indicações no manuscrito, o Adágio representa sua integridade; a Marcha, sua energia; o Romance, seu charme; a Ária italiana, seu humor; a Bourrée clássica, sua tradição; a Valsa vienense, seu entusiasmo; o Moto-perpétuo, sua vitalidade; a Marcha fúnebre, sua empatia e compreensão; o Canto, sua reverência; a Fuga e Finale, suas habilidades e nossa afeição.

A I Guerra Mundial abriu um hiato no movimento nacionalista musical inglês, que tinha um grande interesse pelo folclore e pelo repertório pré-clássico. Reação ao domínio da linguagem musical alemã e italiana na Inglaterra do século XIX, o gosto por modelos nacionais esfriou, seja porque muitos dos jovens compositores ingleses perderam a vida no campo de batalha ou porque a cena musical nesse período manteve-se sob o controle do maestro Thomas Beecham, que tinha predileção pelas criações do continente. O interesse pela música nacional se reacendeu com o término da guerra e o retorno à Inglaterra, no começo de 1919, de Vaughan Williams, que servira na França. De volta à composição, Williams optou por retomar os projetos anteriores ao tempo no front, ao invés de buscar assimilar as experiências de seus últimos anos através da escrita de obras novas. É desse período A ascensão da cotovia. Três estrofes de um poema homônimo do poeta vitoriano George Meredith compõem a epígrafe da obra. Os momentos mais programáticos ficam por conta dos solos iniciais e finais do violino, que buscam representar musicalmente o canto e o voo do pássaro descritos nos versos de Meredith. A peça associa-se à tradição inglesa ao combinar natureza e misticismo e ao alinhar-se aos modelos concertantes barrocos ao invés dos românticos.

Em 1871 Dvorák deixou a orquestra do Teatro Provisional, onde havia atuado como viola principal nove anos, para dedicar-se à composição. Começou criando uma nova ópera, Rei e Carvoeiro, fortemente influenciada por Wagner. A obra era sua segunda criação para o teatro lírico e também sua segunda tentativa de entrar no circuito operístico de Praga. Mas, em setembro de 1873, em meio aos ensaios, o regente (e famoso compositor) Bedrich Smetana precisou retirá-la da programação pela dificuldade dos cantores em executá-la. Dvorák, abalado, destruiu um bom número de composições dos anos anteriores e decidiu fazer sua primeira e significativa mudança no estilo composicional. Se até aquele momento suas obras eram fortemente influenciadas pela música de Mendelssohn, Schumann e Wagner, o compositor agora sentia a necessidade de se voltar para uma sensibilidade essencialmente clássica, de caráter mozartiano e beethoveniano, com certa contaminação eslava. Dentre as primeiras obras desse novo período, encontra-se o Quarteto de cordas no 5, embrião do Romance em fá menor. O gênero Romance, muito popular no final do século XVIII e início do XIX, é uma espécie de canção, com ou sem palavras, em que a linha melódica principal reina absoluta sobre um tecido musical que lhe serve de sustentáculo. Mozart, Beethoven e Schubert compuseram inúmeros Romances. Nada melhor que um lindo e delicado Romance, portanto, para afastar-se de Wagner e penetrar no universo clássico.

Em 1883 o maestro inglês Joseph Barnby regeu o Stabat Mater de Dvorák em Londres. A Inglaterra mantinha um padrão cultural notável e dava oportunidades a compositores europeus, como foram os casos de Haendel, Haydn e Mendelssohn. Tal o sucesso obtido pelo Stabat Mater que Dvorák logo foi convidado para reger suas obras na capital inglesa, quando teve a mais calorosa acolhida de sua vida até aquele momento. Tornou-se membro honorário da Royal Philharmonic Society e recebeu a encomenda de uma nova sinfonia para o ano seguinte. Nascia, assim, a Sinfonia no 7 em ré menor. A estreia se deu em 22 de abril de 1885, no St. James Hall, em Londres, com a Royal Philharmonic Society sob regência do compositor. O autor foi ovacionado, e a crítica especializada comparou a Sétima do compositor tcheco às sinfonias de Brahms. Em junho Dvorák preparou a partitura para publicação. Seu editor, Simrock, o mesmo de Brahms – a quem pagava valores muito maiores do que a ele –, teve de rever seus critérios diante do sucesso da Sinfonia. Dvorák já não era um compositor desconhecido. O reconhecimento internacional havia começado.

baixar programa

21 set 2017
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

22 set 2017
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais