Da tela para a Orquestra

Marcos Arakaki, regente

|    Clássicos na Praça

WAGNER
MOZART
J. STRAUSS JR.
LISZT/Müller-Berghaus
J. WILLIAMS
A cavalgada das Valquírias (em Apocalypse Now)
Sinfonia nº 25: I. Allegro con brio (em Amadeus)
Tritsch-Tratsch Polka (em 007 contra o Foguete da Morte)
Rapsódia Húngara nº 2 (em Concerto Sem Dó)
Guerra nas Estrelas: Suíte para orquestra

Marcos Arakaki, regente

Marcos Arakaki é Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais. Tem conduzido importantes orquestras no Brasil e também nos Estados Unidos, México, Argentina, República Tcheca e Ucrânia. Vencedor do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e do I Prêmio Camargo Guarnieri (2009), foi regente titular da Sinfônica da Paraíba e da Sinfônica Brasileira Jovem, com grande reconhecimento da crítica especializada e do público. Gravou a trilha sonora do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Natural de São Paulo, é Bacharel em Violino pela Unesp e Mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts.

Programa de Concerto

A cavalgada das Valquírias (em Apocalypse Now) | WAGNER

Guerra do Vietnã, 1969. Quando o esquadrão de helicópteros do Tenente-Coronel Bill Kilgore sobrevoa o rio Nùng e ataca a vila de Vin Drin Dop, um posto importante para os vietcongues, é A cavalgada das Valquírias que escutamos. Apocalypse Now, o clássico de 1979 de Francis Ford Coppola, tem nessa obra de Wagner o que o editor Walter Murch chamou de “o coração musical” do filme. É de fato impossível pensar a sequência sem a força implacável e intensidade da música. A cavalgada das Valquírias talvez seja o trecho instrumental das óperas de Wagner mais explorado pela cultura pop em tempos recentes. Essa peça abre o terceiro ato de A Valquíria, segunda ópera da tetralogia O Anel do Nibelungo, constituída ainda por: O Ouro do Reno, Siegfried e O Crepúsculo dos Deuses. Composto entre 1848 e 1874, a saga épica d’O Anel é um marco na linguagem wagneriana e, consequentemente, toda a História da Música. Aí Wagner abraça definitivamente as propostas do que chama de “trabalho artístico do futuro”, no qual música, poesia e artes visuais deveriam se fundir numa única manifestação. Assim, Wagner toma por base para o enredo da história elementos da mitologia nórdica e germânica, cujo centro narrativo trata da luta pela posse de um anel mágico, forjado pelo anão Alberich, feito de ouro do Rio Reno. Em A Valquíria o drama gira em torno do desentendimento da valquíria Brünhilde com o pai Wotan, chefe dos deuses, quando ela hesita em obedecer a uma ordem do pai. Na mitologia wagneriana, as valquírias eram encarregadas de levar, em seus cavalos alados, as almas dos guerreiros mortos para o Walhalla.

Durante uma visita a Viena em 1773, Mozart tomou conhecimento das sinfonias em modo menor de Haydn, compostas dentro um estilo pré-romântico conhecido como Sturm und Drang [Tempestade e Ímpeto]. Parece ter sido sob o forte efeito destes acontecimentos que o Wolfgang Amadeus, então com 17 anos, criou sua Sinfonia nº 25, sua primeira em modo menor e uma impetuosidade sem precedentes até então. Stanley Sadie, um especialista quando o assunto é o gênio de Salzburgo, alegou que o K. 183 trata-se da primeira grande obra de Mozart, aquela a “entrar no domínio dos sentimentos humanos verdadeiros”. O movimento que dá início à Sinfonia foi o escolhido para abrir Amadeus, filme de 1984 do diretor Milos Forman e com roteiro de Peter Shaffer.

A polka nasceu na região na Boêmia, no século XIX, e fez milhares de casais girarem alegremente pelos salões europeus. Johann Strauss Jr., o rei da valsa, também era um entusiasta da polka. Escreveu várias delas, como a Herzenslust, a Viva a Hungria! e a Tritsch-Tratsch. Composta em 1858 depois de uma turnê pela Rússia, Tritsch-Tratsch Polka tornou-se uma das obras mais queridas do compositor. Há muitas especulações sobre a origem título. A mais popular delas faz uma alusão à “vocação” vienense para a fofoca (tratsch no alemão). Seria algo como o ti-ti-ti do português ou o chitchat do inglês. Outras teorias incluem até mesmo o poodle da esposa de Strauss Jr., que se chamaria Tritsch-Tratsch. Conversas à parte, trata-se de uma música deliciosa! Ela pode ser ouvida em uma das cenas mais engraçadas de 007 contra o Foguete da Morte, filme de 1979 dirigido por Lewis Gilbert. Nela, James Bond está sendo atacado enquanto está em uma gôndola em Veneza. O gondoleiro de Bond é morto e uma perseguição começa. O espião acaba aparecendo com o barco no meio da Praça de São Marcos, deixando turistas e locais atônitos.

Liszt criou dezenove Rapsódias Húngaras para piano solo inspiradas no folclore do povo magiar, principalmente nas melodias ciganas. Delas, seis foram orquestras posteriormente por Franz Döppler sob a supervisão de Liszt. A Rapsódia nº 2 sem dúvida é a mais famosa de todas delas, já apareceu em uma infinidade de desenhos animados, filmes e outros produtos da cultura pop. Na série de curta-metragens da Warner Bros. Merrie Melodies, ela aparece na versão orquestral em Rhapsody in Rivets (1941), dirigido por Friz Freleng , e em Rhapsody Rabbit (1946), Concerto Sem Dó na versão brasileira, dirigido por I. Freleng e estrelado por Pernalonga. Também de 1946 é The Cat Concerto, com uma briga consagrada entre Tom e Jerry e dirigido por William Hanna e Joseph Barbera – produção que inclusive ganhou um Oscar.

John Williams, em sua trilha original para Guerra nas Estrelas, nos transporta para uma galáxia muito distante e faz da música um elemento essencial da narrativa nesta ópera espacial imaginada por George Lucas. A Força definitivamente está com o compositor! Nesta suíte, a orquestra interpreta o Tema Principal, o Tema da Princesa Leia, A Marcha Imperial, o Tema do Yoda, e Sala do Trono e Tema Final.

14 mai 2017
domingo, 11h00

concerto gratuito

O concerto acontecerá em frente à Sala Minas Gerais, na Rua Tenente Brito Melo entre a Gonçalves Dias e a Alvarenga Peixoto. Não haverá retirada de ingressos.

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