Era uma vez o Brasil

Marcos Arakaki, regente

|    Concertos para a Juventude

GUARNIERI
C. PEREIRA
GOMES
VILLA-LOBOS
E. KRIEGER
Abertura festiva
Três peças nordestinas
Condor: Abertura
Uirapuru
Passacalha para um novo milênio

Marcos Arakaki, regente

Marcos Arakaki é Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais. Tem conduzido importantes orquestras no Brasil e também nos Estados Unidos, México, Argentina, República Tcheca e Ucrânia. Colaborou com artistas de renome, como Pinchas Zukerman, Gabriela Montero, Sergio Tiempo, Anna Vinnitskaya, Sofya Gulyak, entre outros. Vencedor do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e do I Prêmio Camargo Guarnieri (2009), foi Regente Titular da Sinfônica da Paraíba e da Sinfônica Brasileira Jovem, com grande reconhecimento da crítica especializada e do público. Gravou a trilha sonora do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Natural de São Paulo, é Bacharel em Violino pela Unesp e Mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts. Nos últimos anos, Arakaki tem contribuído de forma decisiva para a formação de novas plateias, por meio de apresentações didáticas, bem como para a difusão da música de concertos através de turnês a mais de 70 cidades brasileiras.

Programa de Concerto

Abertura festiva | GUARNIERI

Camargo Guarnieri deixou um catálogo com mais de setecentos títulos, que o coloca entre os mais prolíficos e significativos compositores brasileiros. A Abertura festiva foi escrita por ele em apenas vinte dias, em janeiro de 1971, para abrir a temporada anual da Orquestra Filarmônica de São Paulo. Neoclassicismo e elementos rítmicos nacionalistas aliam-se nesta obra pequena e rica em percussão. Guarnieri emprega três temas principais: o tema A que aparece na flauta, antecedido por breve introdução orquestral. O tema B é confiado ao clarinete, após um momento de repouso estabelecido pelas trompas. Esses dois primeiros temas são bastante rítmicos e contrastam com a longa linha melódica do tema C, apresentado pelos trompetes e violinos. Elementos dos três temas são trabalhados, com destaque para um pequeno cânone dos sopros sobre os violoncelos. Na reapresentação dos dois primeiros temas, o B (agora no oboé) antecede o A (no clarinete e, depois, nos violinos), dando à arquitetura uma forma espelhada AB-C-BA. A Coda é construída em crescendo gradativo até o clímax conclusivo

Clóvis Pereira é um compositor, arranjador, pianista, pedagogo e regente brasileiro nascido em 14 de maio de 1932 em Caruaru, Pernambuco. Foi discípulo de César Guerra-Peixe e, a convite de Ariano Suassuna, participou da criação do Movimento Armorial. Frevos, coboclinhos e maracatus são parte essencial de sua produção musical, lado a lado com as criações de peças sinfônicas e camerísticas, que primam pelo cunho regionalista. Três peças nordestinas foi escrita em 1971 e, como o nome adianta, tem três movimentos: No Reino da Pedra Verde, Aboio e Galope.

Condor foi a última obra lírica escrita por Carlos Gomes – estreou no dia 21 de fevereiro de 1891 no Teatro ala Scala, em Milão. A obra dá a ver a predileção do compositor pelo verismo, corrente operística pós-Romântica que busca seus temas não em entidades divinas ou nobres, mas sim em questões contemporâneas de homens e mulheres ordinários. O drama de desenrola na Samarcanda, a segunda maior cidade do Uzbequistão. O Condor do título não se refere ao pássaro nativo dos Andes. Ele é um aventureiro, filho de um sultão, que se apaixona pela rainha Odalea e por ela se sacrifica. A música é cheia de elementos exóticos atribuídos pela tradição italiana ao Oriente Médio daquela época.

Villa-Lobos reuniu muito material folclórico quando, na década de 1910, viajou pelas capitais litorâneas até o Recife. Depois empreendeu, de Fortaleza a Manaus, uma aventura à procura das vozes da natureza e dos habitantes da região. Uirapuru foi um dos primeiros sucessos de Villa-Lobos na utilização de material folclórico. Contudo, na obra percebem-se também as fortes influências dos modelos europeus de Puccini, Debussy, d’Indy e Wagner. Assim, Villa-Lobos criou uma partitura delicada, com combinações timbrísticas audaciosas e efeitos orquestrais surpreendentemente moldados ao encanto do argumento indígena.

A trajetória de Edino Krieger como compositor inclui extensa sucessão de prêmios, encomendas e estreias por orquestras, conjuntos e solistas nacionais e internacionais. Ao lado de sua militância como autor, Edino Krieger exerceu e exerce ainda atividades como dirigente e fomentador de instituições e iniciativas culturais no país. A Passacalha para o novo milênio foi composta em 1999 para a Osesp, que a estreou no ano seguinte, sob a regência de Roberto Minczuk. Segundo o autor, ela “é uma peça orquestral de estrutura simples, num estilo que poderia ser chamado de pós-moderno, por utilizar uma forma pré-clássica com a inserção de elementos rítmico-melódicos da música popular brasileira, querendo significar o transcurso de um tempo anterior para um tempo futuro. Não obstante a estrutura métrica original da passacalha ser ternária, nesta peça o tema básico é quaternário. Essa ideia repete-se de modo a percorrer os 12 sons da escala cromática. A partir da sexta apresentação, elementos da temática brasileira começam a se contrapor à feição clássica do tema, que aparece então no oboé solista embalado pelo ritmo da marcha-rancho. Pouco depois, um clarinete solista borda contornos de valsa sobre o acompanhamento da harpa, e depois de um episódio em fugato as clarinadas metálicas de um frevo se sobrepõem ao pedal grave do tema, conduzindo a uma coda de caráter festivo, como que para saudar com otimismo o novo milênio”.