Era uma vez o macabro

Marcos Arakaki, regente

|    Concertos para a Juventude

MUSSORGSKY
OFFENBACH
SAINT-SAËNS
MUSSORGSKY/Ravel
DUKAS
Uma noite no Monte Calvo
Orfeu no Inferno: Abertura
Dança macabra, op. 40
Quadros de uma exposição: IX. Baba Yaga – X. A grande porta de Kiev
O Aprendiz de Feiticeiro

Marcos Arakaki, regente

Marcos Arakaki é Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais. Tem conduzido importantes orquestras no Brasil e também nos Estados Unidos, México, Argentina, República Tcheca e Ucrânia. Vencedor do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e do I Prêmio Camargo Guarnieri (2009), foi regente titular da Sinfônica da Paraíba e da Sinfônica Brasileira Jovem, com grande reconhecimento da crítica especializada e do público. Gravou a trilha sonora do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Natural de São Paulo, é Bacharel em Violino pela Unesp e Mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts.

Programa de Concerto

Uma noite no Monte Calvo | MUSSORGSKY

Algumas obras de Mussorgsky entraram definitivamente para o patrimônio musical do Ocidente: além das canções e dos Quadros de uma Exposição, a ópera Boris Godunov é decisiva. Sua música orquestral compõe-se de pouco menos de dez títulos. Deles, a Uma noite no Monte Calvo, na versão de Rimsky-Korsakov, é a obra mais conhecida e a mais importante. Trata-se da versão que Rimksy-Korsakov fez e publicou, em 1886, de uma obra original de Mussorgsky intitulada Noite de São João no Monte Calvo, que nunca foi executada durante a vida do autor. Essa versão original só foi publicada em 1968 - seu manuscrito foi descoberto na década de 1920, na Biblioteca do Conservatório de Leningrado - e é ela que será ouvida nesta noite.

Conta a lenda que Orfeu foi o melhor músico que já pisou na terra. Com o poder da música, domou animais selvagens, fez com que as árvores o seguissem e despertou para a vida seres inanimados. Ele tocou tão divinamente a lira que todos pararam para ouvi-lo. Quando sua amadíssima esposa, Eurídice, morreu, foi buscá-la no Hades, e a força de sua lágrima suavizou até o severo deus dos mortos... Mas, a versão de Jacques Offenbach para Orfeu no Inferno é de outra ordem. Escrita como ópera burlesca, transformou-se em uma sátira na qual Orfeu e Eurídice não levam uma típica vida de casal – estão cansados um do outro e, por isso, já nenhum deles é fiel aos votos do matrimônio. Enquanto Orfeu se encanta com as suas belas alunas, Eurídice jura amor a Aristeu. Depois de descoberta a traição e em prol da sua imagem, Orfeu prepara a morte do amante da mulher e esta corre para lhe contar os planos do marido... Aristeu (na verdade, Plutão disfarçado) atrai Eurídice e toma o mesmo veneno que ela, em nome do amor. Ela morre e é conduzida por Aristeu/Plutão para o inferno. Orfeu fica feliz com a morte da mulher, mas, para seu infortúnio, a opinião pública exige que vá salvá-la.

A composição de Dança Macabra, de Camille Saint-Saëns, é baseada em um poema de Henri Cazalis sobre uma velha superstição francesa na qual a Morte aparece todo ano à meia-noite do Halloween. “Hallow” é um termo antigo para “santo” e “eve” é o mesmo que “véspera”. O termo designava, até o século XVI, a noite anterior ao Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro. A propósito, foi no século VIII que o papa Gregório III mudou a data do Dia de Todos os Santos, de 13 de maio – a data do festival romano dos mortos – para 1º de novembro, a data do festival celta de Samhain (fim do verão). Na Dança de Saint-Saëns, uma curiosa música se inicia com a harpa tocando uma única nota 12 vezes consecutivas – para expressar as batidas do relógio à meia-noite. Entra um violino solo – representando a Morte – que então é substituído por uma flauta, acompanhada de orquestra. Os xilofones adicionam um toque especial, incorporando os sons dos ossos dos esqueletos chocando-se em sua dança. A música se intensifica, como a dança dos mortos, até que reste, ao fim, apenas um violino, representando os esqueletos voltando às suas tumbas ao amanhecer.

Reconhecido, atualmente, como o grande gênio do nacionalismo musical russo, Mussorgsky teve uma vida profissional difícil. Muito sensível e afetivo, viveu atormentado por problemas nervosos que se agravaram quando buscou refúgio emocional na bebida. A valorização de sua obra só aconteceu postumamente, principalmente pela influência de Debussy e Ravel, sendo este último o responsável pela orquestração de Quadros de uma exposição. Mussorgsky escreveu a partitura para piano sob o impacto da visita à exposição póstuma do pintor e arquiteto Viktor Hartmann. Sobre esboços e aquarelas do amigo falecido construiu uma suíte de contrastantes sugestões expressivas – poéticas, realistas, humorísticas ou melancólicas. São ao todo dez quadros mais uma introdução e outros quatro interlúdios distribuídos ao longo da peça. Neste concerto, a Filarmônica interpretará os dois últimos movimentos: A cabana de Baba Yaga e a A grande porta de Kiev. No desenho A cabana de Baba-Yaga sobre pés de galinha, Hartmann evoca a magia do folclore russo. Baba-Yaga é a feiticeira que habita um excêntrico relógio em forma de cabana. Apesar da graciosa aparência de sua casa, a temível bruxa tem o hábito de triturar suas vítimas com um pilão. Dentro do imponente estilo renascentista russo, Hartmann idealizara A grande porta de Kiev, comemorativa da libertação do czar Alexandre II das mãos de seus assassinos.

Como compositor, Paul Dukas deixou-nos poucos números de opus, frutos raros de prolongada meditação. Uma autocrítica impiedosa, quase paralisante, levou-o a destruir a maior parte de suas partiras e explica a brevidade de seu catálogo. Entretanto, a solidez formal, a clareza de orquestração e a lógica cartesiana que dominam suas obras as tornam profundamente representativas do espírito francês. Decidido a compor um poema sinfônico, Dukas escolheu, como programa literário, a balada de Goethe Der Zauberlehrling, escrita em forma de monólogo: — “Enfim o velho mestre se ausentou! Agora vou eu também conduzir os Espíritos!”. O aprendiz pronuncia a fórmula mágica, ordenando à vassoura que vá ao rio buscar água e lave a casa. Mas ele esqueceu a palavra para interromper o trabalho da vassoura e a água ameaça fazer submergir a casa. Com a volta do Mestre Feiticeiro, tudo termina bem. Composta em 1897, a obra ganhou o título de L’Apprenti sorcier – Scherzo Symphonique d’après une ballade de Goethe [O Aprendiz de Feiticeiro – Scherzo Sinfônico para uma balada de Goethe].

11 jun 2017
domingo, 11h00

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