Este fantástico Berlioz

Fabio Mechetti, regente
Leonardo Hilsdorf, piano

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MIRANDA
CHOPIN
BERLIOZ
Horizontes
Concerto para piano nº 1 em mi menor, op. 11
Sinfonia Fantástica, op. 14

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Um dos principais expoentes da nova geração de pianistas brasileiros, Leonardo Hilsdorf vem se apresentando com sucesso no Brasil, Estados Unidos e Europa. Aclamado pela crítica especializada, sua performance foi saudada como “fenomenal” (Fuldaer Zeitung), “encantadora e magistral” (L’Independent). Atualmente é um dos seletos solistas em residência na Capela Musical Rainha Elisabeth da Bélgica, onde trabalha sob os cuidados de Maria João Pires. Venceu competições na América e Europa – Concurso Internacional de Piano Adilia Alieva 2012; Concurso Pianale KlavierAkademie 2011; União Europeia de Concursos de Música para a Juventude 2011. Em 2012 recebeu o prestigioso prêmio Nadia et Lilit Boulanger. Como vencedor do I Concurso Grieg Nepomuceno 2005, Leonardo gravou CD dedicado aos dois compositores e fez turnê pela Noruega. Em 2016, recebeu o primeiro prêmio, por unanimidade, no Concurso Internacional J. J. C. Yamaha do México. Foi solista com a Filarmônica da Radio France, Orchestre Royal de Wallonie e Orquestra Sinfônica Brasileira, entre outras. Realizou gravações para a France Musique e Musiq3 na Europa; Rádio e TV Cultura e Rádio MEC no Brasil.

Programa de Concerto

Horizontes | MIRANDA

A obra do carioca Ronaldo Miranda pode ser dividida em fases: a estudantil; uma segunda, quando pratica o atonalismo livre; uma terceira, em que opta pelo neotonalismo ou neorromantismo; e realiza, na atualidade, uma síntese em que se utiliza de técnicas composicionais tradicionais e modernas, construindo uma expressividade própria. Horizontes foi composta em 1992 para as comemorações dos 500 anos do descobrimento da América. A peça realiza uma síntese das técnicas composicionais desenvolvidas nas diversas fases do compositor. No primeiro movimento, A partida, o autor sugere o clima de ansiedade causado pela viagem, talvez sem retorno, quando utiliza combinações musicais atonais e pontilhistas que se desenvolvem até atingir uma massa sonora vigorosa com trompetes. O segundo movimento, A espera, é uma canção (ou modinha) nostálgica e pungente em modo menor, em alusão ao aspecto de calmaria. O terceiro e último movimento, A descoberta, inicia-se com um solo de clarinete evocando o canto e o voo de um pássaro solitário que anuncia a terra firme. A seguir o autor desenvolve uma seção minimalista que sugere a ansiedade frente ao mundo novo e, após um tutti com caráter épico, direciona a obra para uma finalização novamente em estado de calmaria, realizando ainda a síntese de atonalismo (o desconhecido) e neotonalismo (o conhecido).

Os dois concertos para piano de Chopin são obras de juventude. Ambos ocupam um lugar de exceção na história desse gênero musical, enquanto afastam-se do modelo ideal criado e consagrado por Mozart. Nos concertos mozartianos, a orquestra e o instrumento solista estabelecem um engenhoso diálogo. Chopin limita consideravelmente o papel da orquestra que, praticamente, apenas introduz os temas e interliga os episódios, os quais serão desenvolvidos pelo piano. A forte personalidade artística de Chopin manifesta-se já nessas primeiras obras, pelo encanto de suas melodias, pelo atraente caráter eslavo, pelo brilhantismo de uma escrita pianística que transforma os arabescos virtuosísticos em pura poesia. Raramente obras de juventude têm lugar permanente no repertório, como acontece com os concertos poloneses de Chopin. Os dois concertos incluem-se entre as poucas obras de Chopin não dedicadas ao piano solo. Nesse contexto, eles demonstram, com sua inexperiente genialidade, o fim de uma tentação: os conterrâneos do compositor esperavam que ele se dedicasse à ópera e à música sinfônica. Chopin concentrou-se no que queria e acreditava poder fazer. E, de fato, poucos artistas souberam, como o grande compositor polonês, limitar-se tanto para chegar tão alto.

A Sinfonia Fantástica representa uma revolução na história do gênero sinfônico. Partindo da sugestão descritiva beethoveniana da Sinfonia Pastoral, referindo-se sempre às formas clássicas, a Fantástica inspira os poemas sinfônicos de Franz Liszt, cujas formas musicais têm potencial de suscitar imagens, de narrar histórias e até de transmitir conteúdos filosóficos. Nesta Sinfonia, Berlioz utiliza um tema recorrente, a idée fixe, célula musical que percorre ciclicamente toda a composição. Berlioz deu à Fantástica o subtítulo Cenas da vida musical de um artista, sendo seu programa, segundo alguns comentadores, uma autêntica autobiografia romântica. A idée fixe, que representa a imagem obsessiva da amada do herói, seria o elemento condutor da narrativa e reaparece com variações, de acordo com o estado de espírito do sugerido eu-lírico. Berlioz descreve seu plano do drama instrumental em cinco movimentos: Devaneios e Paixões, em que o herói oscila entre a experiência melancólica e o júbilo da expectativa de encontrar-se com a amada; Um baile, cuja valsa sugere o encontro dos amantes; Cena no campo, que descreve uma noite de verão campestre, na qual a amante reaparece, perturbando a paz almejada pelo herói; Marcha ao cadafalso, que representa o sonho da morte da amada, sugerindo uma procissão lúgubre; Sonho de uma noite de Sabá, em que uma cena fantástica é descrita com sons sobrenaturais, conduzindo para uma dança grotesca no momento do sepultamento da amada.

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