Filarmônica em Betim

Marcos Arakaki, regente

|    Clássicos na Praça

HAENDEL
MOZART
BEETHOVEN
BERLIOZ
DVORÁK
BRAHMS
J. STRAUSS JR.
GOMES
NEPOMUCENO
RAVEL
Música Aquática: Suíte nº 2 em Ré maior, HWV 349 – Alla Hornpipe
O rapto do serralho, K. 384: Abertura
Sinfonia nº 5 em dó menor, op. 67 – I. Allegro con brio
Abertura Carnaval Romano, op. 9
Dança Eslava, op. 46, nº 8
Dança Húngara nº 1
Trovão e Relâmpago, op. 324
O Guarani: Protofonia
Série Brasileira – IV. Batuque
Bolero

Marcos Arakaki, regente

Marcos Arakaki é Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais. Tem conduzido importantes orquestras no Brasil e também nos Estados Unidos, México, Argentina, República Tcheca e Ucrânia. Colaborou com artistas de renome, como Pinchas Zukerman, Gabriela Montero, Sergio Tiempo, Anna Vinnitskaya, Sofya Gulyak, entre outros. Vencedor do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e do I Prêmio Camargo Guarnieri (2009), foi Regente Titular da Sinfônica da Paraíba e da Sinfônica Brasileira Jovem, com grande reconhecimento da crítica especializada e do público. Gravou a trilha sonora do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Natural de São Paulo, é Bacharel em Violino pela Unesp e Mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts. Nos últimos anos, Arakaki tem contribuído de forma decisiva para a formação de novas plateias, por meio de apresentações didáticas, bem como para a difusão da música de concertos através de turnês a mais de 70 cidades brasileiras.

Programa de Concerto

A composição de O rapto do serralho (1782) coincidiu com o casamento de Mozart e Constanze (nome da heroína da ópera) Weber e o estabelecimento definitivo do compositor em Viena. Sintomaticamente, ele optou por um Singspiel – gênero dramático-musical tipicamente germânico, alternando o diálogo falado com o canto –, espetáculo de grande apelo popular. Durante toda a vida de Mozart, O rapto do serralho foi seu maior sucesso operístico. Resistiu, inclusive, a inúmeras intrigas de rivais invejosos. Sobre a partitura, o imperador Josef II fez seu famoso comentário: “Bela demais para os nossos ouvidos, meu caro Mozart, e com notas em demasia”. Ao que Mozart retrucou: “Exatamente tantas quantas são necessárias, Majestade”.

Embora os muitos esboços da Quinta Sinfonia datem já do início de 1804, Beethoven trabalhou assiduamente na obra apenas em 1807 e terminou a composição no início de 1808. Foi executada, pela primeira vez, no dia 22 de dezembro de 1808, no Theater an der Wien, por um grupo de músicos recrutados para a ocasião, sob a regência do próprio Beethoven. Nesse célebre concerto em que foram estreadas várias obras importantes e longas, Beethoven ainda sentou-se ao piano para uma série de improvisações.

Berlioz foi incompreendido e ridicularizado pela maioria de seus contemporâneos. A posteridade, porém, o proclamou um arauto do Modernismo, responsável pela criação da sinfonia programática e pela renovação do timbre orquestral. O sucesso permanente de sua Abertura Carnaval Romano liga-se diretamente ao fracasso anterior da ópera Benvenuto Cellini,, da qual Berlioz retomou dois números: o grande coro do Carnaval (Vinde, povo de Roma) e o dueto de amor de Cellini e Tereza (retirado do primeiro ato). Na Abertura, o compositor explora com êxito a oposição entre esses dois temas representativos, respectivamente, do frenético arrebatamento coletivo e do sentimento individual. Uma agitada tarantela prenuncia a alegria da festa popular; mas logo dá lugar ao melancólico canto de amor do corne. As reexposições sucessivas, em que se alternam combinações variadas dos dois temas, lembram um rondó cíclico.

As Danças Eslavas estão entre as criações mais populares de Dvorák. Elas transbordam melodias do folclore eslavo, sem deixar de lado o estilo original do compositor. Escritas entre 1878 e 1886, elas formam dois conjuntos de oito danças cada divididas entre os opus 46 e 72. Foram originalmente compostas para serem tocados no piano a quatro mãos, mas são comumente ouvidas nas versões orquestrais feitas pelo próprio compositor a pedido de seu editor. A oitava e última dança do opus 46 é uma Furiant, rápida e agitada.

Originalmente escritas para piano a quatro mãos, as Danças Húngaras estão entre as obras mais conhecidas de Johannes Brahms. Seu interesse pela música cigana cresceu durante uma turnê com o violinista húngaro Eduard Reményi, em 1853. Brahms era conhecido entre os amigos por seu senso de humor e é bem possível que as Danças sejam o melhor exemplo deste lado divertido da personalidade do compositor. São 21 ao todo, publicadas em dois grupos, entre 1868 e 1880. Delas, Brahms também lançou as dez primeiras em versão para piano solo e orquestrou apenas três, inclusive a nº 1 que escutamos neste concerto.

Carlos Gomes se inspirou no romance indianista O Guarani, de José de Alencar, para compor sua ópera de mesmo nome. A obra em quatro atos, com libreto em italiano de Antônio Sclavini e Carlo D’Orneville, trata da história de amor de Ceci e Peri. A montagem estreou com grande sucesso em 19 de março de 1870 no Teatro Scala de Milão – a estreia brasileira só veio em dezembro do mesmo ano, no Rio de Janeiro. A Protofonia, ou Abertura, é sem dúvida o tema mais conhecido dessa criação de Carlos Gomes. Inclusive, é uma versão dela que ouvimos no rádio na abertura do programa a Voz do Brasil.

Em 1897 Alberto Nepomuceno apresentou, em primeira audição no Brasil, a Sinfonia em sol menor e a Série Brasileira. As peças sinalizavam dois aspectos primordiais de sua produção: a Sinfonia refletia a maestria técnica adquirida pelo compositor em longos anos de aprendizado europeu. Já a Série tornou-se um marco inicial para a orientação nacionalista da música brasileira – no Batuque final a percussão inclui um reco-reco, o que enfureceu a crítica mais ortodoxa da época. Aos 24 anos, Nepomuceno mudou-se para a Europa. Em Roma, no Liceu Musical Santa Cecília, estudou piano com Giovanni Sgambati e harmonia com Cesare de Sanctis. Ainda aperfeiçoou-se na Alemanha, Áustria e Noruega – foi amigo muito próximo de Grieg. A Série Brasileira, em quatro partes, foi escrita em Berlim, aos 27 anos. A primeira, Alvorada na serra, inicia-se com o tema folclórico Sapo Cururu e, na parte central, apresenta um solo de harpa. O Intermédio seguinte é a orquestração do Allegretto do Quarteto nº 3 do compositor, com vivacidade de um scherzo e o ritmo do maxixe. Sesta na rede, verdadeiro acalanto cearense, faz contraste com as partes rítmicas da Série, que termina com o polêmico Batuque.

Quando Ravel criou o Bolero, jamais imaginou que seu nome ficaria para sempre ligado a essa obra. Nas suas palavras, tratava-se de “dezessete minutos de orquestra sem música”. Ao ser indagado por Honegger a respeito de suas grandes composições, Ravel disse, com um leve toque de ironia: “em toda a minha vida eu compus apenas uma obra-prima, o Bolero. Mas, infelizmente, ele é vazio de música”. Criado por encomenda da bailarina Ida Rubinstein, Ravel decidiu aproveitar na obra um tema que o perseguia há tempos: uma melodia com caráter insistente que ele utilizaria repetidamente, sem desenvolvimento, variando gradualmente o colorido orquestral. Para completar o primeiro tema, compôs um segundo. Muito mais que uma melodia individualizada, o segundo tema funciona como uma espécie de contratema, ou seja, uma melodia que se comporta como um complemento da melodia principal. O Bolero foi estreado no dia 22 de novembro de 1928, no Teatro Nacional da Ópera, em Paris, com o corpo de bailarinos de Rubinstein e coreografia de Bronislava Nijinska. O escândalo que a obra causou em suas diversas apresentações estimulou o compositor a tentar executá-la sem o balé. A versão de concerto foi estreada por Ravel em janeiro de 1930. Hoje uma das partituras mais executadas do repertório internacional, o Bolero pode parecer o resultado de uma composição bem calculada para causar impacto e ser bem sucedida nas salas de concerto. Mas foi com extrema dificuldade que a obra ganhou as graças do público.

29 jul 2018
domingo, 11h00

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