Música e Cinema

Marcos Arakaki, regente

|    Fora de Série 2019

KORNGOLD
ROTA
GUARNIERI
DUKAS
GERSHWIN
J. WILLIAMS
Abertura Capitão Blood
Músicas de filmes de Federico Fellini
Suíte Vila Rica
O Aprendiz de Feiticeiro
Um americano em Paris
ET: Aventuras na Terra

Marcos Arakaki, regente

Marcos Arakaki é Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais. Tem conduzido importantes orquestras no Brasil e também nos Estados Unidos, México, Argentina, República Tcheca e Ucrânia. Colaborou com artistas de renome, como Pinchas Zukerman, Gabriela Montero, Sergio Tiempo, Anna Vinnitskaya, Sofya Gulyak, entre outros. Vencedor do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e do I Prêmio Camargo Guarnieri (2009), foi Regente Titular da Sinfônica da Paraíba e da Sinfônica Brasileira Jovem, com grande reconhecimento da crítica especializada e do público. Gravou a trilha sonora do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Natural de São Paulo, é Bacharel em Violino pela Unesp e Mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts. Nos últimos anos, Arakaki tem contribuído de forma decisiva para a formação de novas plateias, por meio de apresentações didáticas, bem como para a difusão da música de concertos através de turnês a mais de 70 cidades brasileiras.

Programa de Concerto

Abertura Capitão Blood | KORNGOLD

Erich Korngold nasceu em uma família de origem judia no ano de 1897 em Brünn, naquela época parte do império Austro-Húngaro e atualmente parte da República Tcheca. Criança prodígio em Viena, foi chamado de gênio por compositores como Gustav Mahler e Richard Strauss. Aos 23 anos, ele já era considerado um dos principais nomes da música clássica de Weimar, Alemanha. Já percebendo os perigos do crescente antissemitismo, mudou-se para os Estados Unidos em 1934 para trabalhar na adaptação cinematográfica da peça Sonho de uma noite de verão, de Shakespeare, idealizada por Max Reinhardt. Em 1938, após a anexação da Áustria pela Alemanha Nazista, resolveu estabelecer-se definitivamente em Los Angeles. Nos anos seguintes, trabalhou para a Warner Brothers em Hollywood, onde foi pioneiro na arte de criar trilhas musicais orquestradas, aquelas escritas especialmente para acompanhar um filme. Entre os grandes trabalhos dessa época estão As aventuras de Robin Hood (de 1938), pelo qual ganhou um Oscar, e O Capitão Blood, dirigido por Michael Curtiz.

A Suíte Vila Rica foi composta a partir da trilha sonora produzida por Guarnieri em 1957 para o filme Rebelião em Vila Rica. A peça, inicialmente escrita para ilustrar as cenas do filme, foi reelaborada, no ano seguinte, sob formato orquestral e estreada em 1958 pela Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rio de Janeiro, sob a regência do autor. A obra desse período de Guarnieri constituiu-se em uma expressão emblemática de aspectos peculiares do “nacional-modernismo” através de configurações rítmicas e melódicas diretamente ligadas à identidade brasileira. É possível reconhecer, na Suíte, elementos inspirados nas modinhas, toadas, cantigas infantis, rodas das violas caipiras e danças de origem africana – há, inclusive, o tema da canção folclórica mineira Tim, tim oi lá lá. Em ambiente sonoro singular, os temas apresentados na Suíte ilustram o contexto dramático do filme inspirado nos ideais da Inconfidência Mineira, transpostos para os anos de 1940 em Ouro Preto, onde estudantes universitários se rebelam em tempos opressivos de ditadura reivindicando a demissão de um tirânico reitor. Os personagens da trama são batizados com nomes de personalidades históricas da Inconfidência, como o poeta Gonzaga, a musa Marília, o herói Xavier e o traidor Silvério. Este ciclo foi a única obra produzida por Guarnieri com finalidade cinematográfica. Rebelião em Vila Rica foi um dos primeiros filmes coloridos produzidos no Brasil, com roteiro dos mineiros Geraldo e Renato Santos Pereira.

Como compositor, Paul Dukas deixou-nos poucos números de opus, frutos raros de prolongada meditação. Uma autocrítica impiedosa, quase paralisante, levou-o a destruir a maior parte de suas partiras e explica a brevidade de seu catálogo. Entretanto, a solidez formal, a clareza de orquestração e a lógica cartesiana que dominam suas obras as tornam profundamente representativas do espírito francês. Decidido a compor um poema sinfônico, Dukas escolheu, como programa literário, a balada de Goethe Der Zauberlehrling, escrita em forma de monólogo: — “Enfim o velho mestre se ausentou! Agora vou eu também conduzir os Espíritos!”. O aprendiz pronuncia a fórmula mágica, ordenando à vassoura que vá ao rio buscar água e lave a casa. Mas ele esqueceu a palavra para interromper o trabalho da vassoura e a água ameaça fazer submergir a casa. Com a volta do Mestre Feiticeiro, tudo termina bem. Composta em 1897, a obra ganhou o título de L’Apprenti sorcier – Scherzo Symphonique d’après une ballade de Goethe [O Aprendiz de Feiticeiro – Scherzo Sinfônico para uma balada de Goethe].

Após o sucesso de Rhapsody in Blue em 1924, o nova-iorquino George Gershwin viajou diversas vezes à Europa. A ideia para Um americano em Paris surgiu em 1926, quando Gershwin escreveu um esboço da melodia em um postal de agradecimento para seus anfitriões, Robert e Mabel Schirmer. Mas foi só na primavera de 1928, em sua quinta visita ao continente com sua irmã Frances, seu irmão Ira e sua cunhada Leonore, que ele deu seguimento à ideia de relatar as “impressões de um visitante americano em Paris enquanto circula pela cidade, ouve diversos sons nas ruas e absorve um pouco da atmosfera francesa”. Ira conta que Gershwin foi, por um período, o próprio Um americano em Paris, haja vista que boa parte da composição foi feita no Hotel Majestic, lá mesmo, em Paris. Outras partes, entretanto, foram escritas em Nova York, Viena e numa fazenda em Conneticut. O poema sinfônico estreou no dia 13 de dezembro de 1928, no Carnegie Hall, com a então Sinfônica de Nova York sob regência de Walter Damrosch.

Tubarão (1975), Contatos imediatos de terceiro grau (1977), Guerra nas estrelas... É longa a lista de colaborações de John Williams com diretores como Steven Spielberg e George Lucas. Mais do que trilhas que acompanham a cena, algumas de suas composições são parte fundamental do enredo destes filmes, começando na simplicidade das duas notas de Tubarão e chegando até a inesquecível melodia que abre todos os Guerra nas estrelas. Seu longo currículo fala por si. Williams criou mais de cem trilhas originais em quase cinquenta anos de carreira. Alguns deles, como E.T. – O extraterrestre, são exemplos de como o trabalho de compositor e diretor se atravessam. Nas suas próprias palavras, “eu escrevi a música matematicamente, para coincidir com todos os acontecimentos. Quando executamos com a orquestra, e eu tinha o filme na minha frente, eu... nunca conseguia uma gravação perfeita, que soasse correta musical e emocionalmente. (...) E ele [Steven Spielberg] disse, ‘por que você não tira o filme? Não olhe para ele. Esqueça o filme e conduza a orquestra da maneira como você gostaria de fazer em um concerto, para que a performance seja completamente livre de medidas e considerações matemáticas’. Assim eu fiz e todos concordamos que a música soava melhor”.

4 mai 2019
sábado, 18h00

Sala Minas Gerais
Quero ser lembrado deste concerto.
adicione à agenda 04/05/2019 6:00 PM America/Sao_Paulo Música e Cinema false DD/MM/YYYY