Música e Dança

Marcos Arakaki, regente

|    Fora de Série 2019

COPLAND
TCHAIKOVSKY
VILLA-LOBOS
GINASTERA
Rodeio: Quatro episódios de dança
A Bela Adormecida: Suíte, op. 66a
Danças Africanas
Danças do balé Estância

Marcos Arakaki, regente

Marcos Arakaki é Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais. Tem conduzido importantes orquestras no Brasil e também nos Estados Unidos, México, Argentina, República Tcheca e Ucrânia. Colaborou com artistas de renome, como Pinchas Zukerman, Gabriela Montero, Sergio Tiempo, Anna Vinnitskaya, Sofya Gulyak, entre outros. Vencedor do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e do I Prêmio Camargo Guarnieri (2009), foi Regente Titular da Sinfônica da Paraíba e da Sinfônica Brasileira Jovem, com grande reconhecimento da crítica especializada e do público. Gravou a trilha sonora do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Natural de São Paulo, é Bacharel em Violino pela Unesp e Mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts. Nos últimos anos, Arakaki tem contribuído de forma decisiva para a formação de novas plateias, por meio de apresentações didáticas, bem como para a difusão da música de concertos através de turnês a mais de 70 cidades brasileiras.

Programa de Concerto

Rodeio: Quatro episódios de dança | COPLAND

Escrita sob encomenda da coreógrafa Agnes De Mille, Rodeio fez sua estreia em 1942 com o Balé Russo de Monte Carlo, recém-chegado aos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. A história se passa no Velho Oeste e acompanha as aventuras de uma cowgirl interpretada por De Mille. Ao lado de Billy The Kid e Appalachian Spring, Rodeio posiciona Aaron Copland no rol definitivo da composição americana. A trilogia que o tirou do posto de “apenas mais um compositor do século XX” só foi possível após muita reflexão, como relatado no livro Aaron Copland: A Reader: “Eu comecei a sentir uma enorme insatisfação com a relação entre o público amante de música e o compositor. (...) O público convencional de concertos continuou apático ou indiferente a qualquer coisa que não fossem os clássicos já estabelecidos. Minha impressão era de que nós, compositores, corríamos o risco de cairmos num vácuo... Eu senti que valia a pena o esforço de tentar dizer o que eu tinha a dizer da forma mais simples possível”. Usando sua habilidade como um verdadeiro artesão das partituras, sem necessariamente lançar mão de rigor acadêmico, Copland soube incorporar em sua música o espírito das pessoas comuns.

A bela adormecida é um balé que não pode ser criticado; só pode ser redescoberto”, escreveu a crítica Arlene Croce na revista New Yorker. Inicialmente encomendada por Ivan Vsevolozhsky, diretor do Teatro Imperial de São Petesburgo, em 1886, a proposta inicial era que Pyotr Ilyich Tchaikovsky escrevesse uma obra dedicada à figura mitológica de Ondina, porém o autor não conseguiu avançar no trabalho e adiou a entrega do manuscrito. Vsevolozhsky entregou a Tchaikovsky um folheto contendo o famoso conto de fadas La Belle au bois dormant, que despertou o imediato interesse do compositor. Influenciado pelas severas críticas recebidas em 1877 por sua criação anterior, O lago dos cisnes, e pela existência de uma primeira versão de Ondina, destruída pelo compositor, o mestre do romantismo russo buscava evitar os problemas enfrentados no passado. Para isso, manteve-se aberto a possíveis modificações e trabalhou em próxima colaboração com o coreógrafo Marius Petipa. Terminada às oito da noite de 26 de maio de 1889, A bela adormecida estreou em 15 de janeiro de 1890, obtendo críticas positivas do público e até um “muito bom” – ainda que seco – do Czar Alexander III. A obra é não somente a mais consistente dos três balés de Tchaikovsky, como também aquela que mais perfeitamente define a essência do balé clássico. Como delineou Arlene Croce, “A verdadeira magia de A bela adormecida, até mesmo para dançarinos, é criada pela partitura de Tchaikovsky. A partitura é o balé”.

Convidado pelo escritor Graça Aranha para ser o representante da música brasileira durante a Semana de Arte Moderna de 1922, Heitor Villa-Lobos executou, entre outros trabalhos, uma versão especial de Danças características africanas para oito instrumentos. Composta originalmente para piano entre 1914 e 15, a obra foi o destaque dos três espetáculos apresentados na Semana. Acostumado às reações negativas vindas de críticos desde a década anterior, Villa-Lobos entendia a necessidade do Modernismo brasileiro de romper com as tradições românticas europeias e, ao mesmo tempo, de legitimar um vocabulário essencialmente brasileiro. Danças africanas é a epítome dos experimentos em ritmo e harmonia característicos do compositor, existentes mesmo anos antes da Semana de 22. Já bastante conhecido no meio musical, Villa-Lobos consolidou a partir daquele ano o posto de uma das mais criativas figuras da música brasileira do século XX, o que o levaria, no ano seguinte, a embarcar para a Europa.

Ginastera, que sempre nutriu uma admiração especial pelo campo, resolveu inspirar seu balé Estância no poema de José Hernández, El Gaucho Martín Fierro, publicado em 1872. A obra de Hernández é ainda hoje considerada por muitos como “o livro nacional dos argentinos”. O balé, encomendado pelo coreógrafo Lincoln Kirstein em 1940, descreve o ciclo de um dia inteiro passado numa estância, numa estrutura amanhecer-dia-tarde-noite-amanhecer. A companhia de Kirstein se dissolveu antes que o balé fosse montado, fazendo com que Ginastera então optasse por reunir em uma suíte para orquestra quatro das mais expressivas seções da obra original. A suíte Estância conta com três movimentos extraídos da segunda cena do balé, La mañana, e com um movimento final isolado de El amanhecer, quinta e última cena do balé. De estilo stravinskiano, Los trabajadores agrícolas sugere o esforço dos trabalhadores na colheita do trigo. A Danza del trigo evoca o cenário bucólico de uma estância pela manhã. Los peones de hacienda é inspirado na figura do vaqueiro. E a Danza final retrata o começo de um novo dia através da estilização do tradicional malambo, dança masculina argentina na qual o dançarino executa uma série de movimentos com os pés e que, no século XIX, era tida como a principal forma de um gaúcho demonstrar destreza e vigor.

9 mar 2019
sábado, 18h00

Sala Minas Gerais
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