Música e Mitologia

Marcos Arakaki, regente

|    Fora de Série 2019

BEETHOVEN
LISZT
DEBUSSY/Ansermet
FRANCK
SUPPÉ
GLUCK
OFFENBACH
As criaturas de Prometeu, op. 43: Abertura
Prometeu, Poema sinfônico nº 5
Seis epígrafes antigas
Psiquê e Eros
A bela Galateia: Abertura
Orfeu e Eurídice: Dança das fúrias
Orfeu no Inferno: Abertura

Marcos Arakaki, regente

Marcos Arakaki é Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais. Tem conduzido importantes orquestras no Brasil e também nos Estados Unidos, México, Argentina, República Tcheca e Ucrânia. Colaborou com artistas de renome, como Pinchas Zukerman, Gabriela Montero, Sergio Tiempo, Anna Vinnitskaya, Sofya Gulyak, entre outros. Vencedor do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e do I Prêmio Camargo Guarnieri (2009), foi Regente Titular da Sinfônica da Paraíba e da Sinfônica Brasileira Jovem, com grande reconhecimento da crítica especializada e do público. Gravou a trilha sonora do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Natural de São Paulo, é Bacharel em Violino pela Unesp e Mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts. Nos últimos anos, Arakaki tem contribuído de forma decisiva para a formação de novas plateias, por meio de apresentações didáticas, bem como para a difusão da música de concertos através de turnês a mais de 70 cidades brasileiras.

Programa de Concerto

As criaturas de Prometeu, op. 43: Abertura | BEETHOVEN

Beethoven escreveu a música para o balé As Criaturas de Prometeu, de Salvatore Viganò, entre a composição de suas duas primeiras sinfonias. A música de cena, por princípio, deveria ser mais fácil do que a destinada às salas de concerto, e o Prometeu mostra Beethoven explorando efeitos orquestrais que jamais apareceriam em suas sinfonias. Porém, mais tarde, ele usaria material do balé nas Variações para piano op. 35 e no finale da Sinfonia Eroica.

Na tragédia Prometeu Acorrentado, atribuída ao dramaturgo grego Ésquilo, Prometeu é um titã que rouba faíscas da carruagem de fogo dos deuses. Pela traição de entregar fogo à humanidade, ele foi acorrentado a uma pedra como punição. Irresistível para compositores do século XIX, a história foi usada em diversas composições. A riqueza sem precedentes e, em igual medida, a miséria humana gerada pela revolução industrial, aliada aos paradigmas filosóficos e científicos que direcionavam o entendimento da raça humana como capaz de fazer o bem o mal, sem a influência de deuses ou forças desconhecidas, serviu como insumo para peças que buscam no mitológico um entendimento para a sociedade. Meio século depois da estreia de As Criaturas de Prometeu em 1801, de Beethoven, foi a vez de Franz Liszt abordar o mito no quinto poema sinfônico de sua carreira. “Sofrimento e apoteose” foi a maneira como Liszt resumiu o processo de composição: o modo tormentoso, sensual e tempestuoso de expressão oferece uma peça musical constituída de uma angústia profunda cujo triunfo é obtido pela energia e perseverança. Como pontuou o biógrafo Alan Walker, em Prometeu, “Liszt também roubou fogo do céu, e nós continuamos gratos pelo presente”.

O deus Pã (ou Fauno, seu equivalente na mitologia romana) é uma figura recorrente nas composições de Debussy. Intitulada Pour invoquer Pan, die udu vent d’été [Para invocar Pã, deus do vento do verão], a primeira peça de Seis epígrafes antigas personifica a eterna dualidade entre o humano e o animal: Pã fora rejeitado pela ninfa Siringe por ter orelhas, chifres e pernas de bode. Em carta ao seu editor Jacques Durand, em 11 de julho de 1914, Debussy explica que “tinha a intenção de fazer uma sequência orquestral, mas os tempos são difíceis, e a vida tem sido dura”. Criada inicialmente para piano a quatro mãos, as epígrafes foram a última composição de Debussy antes da eclosão da I Guerra Mundial. A versão para grande orquestra só chegou em 1932, pelas mãos de Ernest Ansermet.

Obras como Sinfonia em ré menor e Variações Sinfônicas parecem ter eclipsado as demais obras sinfônicas de César Franck. Entre os trabalhos indevidamente negligenciados de seu repertório está o poema sinfônico Psiquê. Por sua conhecida devoção cristã, a peça é um ponto fora da curva na carreira do compositor. Inspirada no romance Metamorfoses, escrito em latim por Lúcio Apuleio, o quarto movimento da obra, intitulado Psiquê e Eros, narra o encontro dos dois amantes. Com ciúme da beleza da mortal Psiquê, a deusa Afrodite (Vênus) convence seu filho Eros (Cupido) a lançar um feitiço para que ninguém se apaixone por ela. Ele lança sua flecha, mas fere a si mesmo e acaba se apaixonando por Psiquê. Após ser enviada a uma montanha, Psiquê finalmente consegue se juntar a Eros, mas desobedece a instrução de não olhar seu rosto, ação pela qual é punida. As três partes de Psiquê e Eros relatam a sua subida até a montanha, o encontro com Eros e sua punição e subsequente redenção.

Franz von Suppé está no seu melhor momento em A bela Galateia: Abertura, de 1865. Na França daquela época, um dos gêneros de teatro e operetta mais famosos eram as paródias de contos mitológicos. Tragédias gregas eram recontadas em tons cômicos, uma linha que Offenbach, contemporâneo de Suppé, dominara com maestria. Na adaptação de A bela Galateia, Suppé pega emprestada a ideia de seu colega francês. O enredo distorce o mito de Pigmalião e Galateia.

Durante mais de três séculos, o mito de Orfeu permaneceu como um dos temas mais recorrentes em óperas. Gluck, mais do que qualquer outro, deu novos ares ao já conhecido personagem. Diferentes versões de Orfeu e Eurídice foram produzidas, seguindo diferentes escolas operísticas com o intuito de atender aos anseios de diferentes públicos.

Conta a lenda que Orfeu foi o melhor músico que já pisou na terra. Com o poder da música, domou animais selvagens, fez com que as árvores o seguissem e despertou para a vida seres inanimados. Ele tocou tão divinamente a lira que todos pararam para ouvi-lo. Quando sua amadíssima esposa, Eurídice, morreu, foi buscá-la no Hades, e a força de sua lágrima suavizou até o severo deus dos mortos... Mas, a versão de Jacques Offenbach para Orfeu no Inferno é de outra ordem. Escrita como ópera burlesca, transformou-se em uma sátira na qual Orfeu e Eurídice não levam uma típica vida de casal – estão cansados um do outro e, por isso, já nenhum deles é fiel aos votos do matrimônio. Enquanto Orfeu se encanta com as suas belas alunas, Eurídice jura amor a Aristeu. Depois de descoberta a traição e em prol da sua imagem, Orfeu prepara a morte do amante da mulher e esta corre para lhe contar os planos do marido... Aristeu (na verdade, Plutão disfarçado) atrai Eurídice e toma o mesmo veneno que ela, em nome do amor. Ela morre e é conduzida por Aristeu/Plutão para o inferno. Orfeu fica feliz com a morte da mulher, mas, para seu infortúnio, a opinião pública exige que vá salvá-la.

15 jun 2019
sábado, 18h00

Sala Minas Gerais
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