Música e Religiosidade

Fabio Mechetti, regente
Sophia Hunt, mezzo-soprano
Bruno de Sá, sopranino

|    Fora de Série 2019

MILHAUD
MIGNONE
BERNSTEIN
VILLA-LOBOS
A criação do mundo, op. 81a
Festa das igrejas
Salmos de Chichester
Magnificat-Aleluia

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

A mezzo-soprano brasileiro-americana Sophia Hunt cursa técnica vocal no Curtis Institute of Music, na Filadélfia, sob orientação de Vinson Cole. Uma das cantoras selecionadas para se participar das masterclasses de Joyce DiDonato no Carnegie Hall, também integrou o programa de verão Young Artists Vocal Academy, da Houston Grand Opera, e o SongFest, em Los Angeles. Sophia foi finalista na New York International Vocal Competition e participou da produção de Trouble in Tahiti no Festival de Música de Aspen, como integrante do trio. Com o Curtis Opera Theatre, também interpretou Susie na ópera A Quiet Place, foi Larina na montagem de Eugene Onegin e Marcellina dAs bodas de Fígaro.

Bruno de Sá é integrante da Academia de Ópera do Theatro São Pedro e aluno do curso de bacharelado em Canto Erudito na Universidade de São Paulo – USP. É também licenciado em Música pela Universidade Federal de São Carlos. Foi vencedor do 14° Concurso Brasileiro de Canto Maria Callas, recebendo o 1º lugar no Grande Prêmio de Voz Masculina, e os prêmios do Festival de Ópera de Manaus e o Especial do Público. Em 2014, solou com a Orquestra Amazonas Filarmônica e com o Coral Amazonas, interpretando as paixões segundo São João e São Mateus de J. S. Bach, em concertos realizados no Teatro Amazonas, sob regência dos maestros Marcelo de Jesus e Otávio Simões. Em 2015, interpretou o personagem Sextus da ópera A clemência de Tito, de Mozart, no Theatro São Pedro, sob regência de Marcelo de Jesus.

Programa de Concerto

A criação do mundo, op. 81a | MILHAUD

Inspirado pela Antologia Negra de Blaise Cendrars, Darius Milhaud escreveu um interessante balé em um ato. O opus 81a do compositor francês foi poeticamente resumido por Leonard Bernstein da seguinte forma: “A criação do mundo surge não como um flerte, mas como um caso de amor real com o jazz”. Milhaud acreditou encontrar nessa linguagem, até então um idioma ainda novo na música erudita, os elementos estilísticos apropriados para criar um balé africano. Composta em 1923, inscreve-se na moda europeia da época, fascinada pelas origens remotas da humanidade, em um ambiente dominado pelas forças incontroláveis da natureza. A obra descreve a criação do mundo, vista pelo olhar de um aborígine. Dividida em cinco partes, ela parte do caos antes da criação do mundo e vai gradualmente aumentando a intensidade, passando pelo surgimento das plantas, insetos, aves, quadrúpedes. Em seguida, o auge é apresentado com a criação do homem e da mulher, e o subsequente desejo simbolizado aqui pelo clarinete. Representada pelo beijo, a conclusão da peça é iniciada pelo oboé, suavemente dando espaço para a flauta, até a despedida com o saxofone.

Em sua autobiografia intitulada A Parte do Anjo, Francisco Mignone reflete sobre o espírito da orquestração respighiana que pode ser encontrado em Festa das Igrejas. "Tenho uma tendência (tendência, não), uma facilidade muito grande para imitar outros autores. Deverei recusar isso? Absolutamente não. Ninguém é inteiramente pessoal. O que devo é organizar essa faculdade de maneira a me aproveitar do alheio, transformando esse alheio em aquisição minha". Escrita a partir de um poema enviado a Mignone por Mário de Andrade, a obra fora lançada somente 12 anos após a vinda ao Brasil do compositor Ottorino Respighi. Na ocasião, o italiano executou os poemas sinfônicos Fontes de Roma e Pinheiros de Roma. Empolgado com a apresentação, Mário de Andrade convenceu Mignone a escrever “coisas como o Respighi”, conta. Conhecida como uma das mais expressivas peças dentro da carreira de Mignone, Festa das Igrejas alcançou expressivo reconhecimento devido, entre outros fatos, à gravação feita pela Orquestra Sinfônica da NBC em Nova York sob a batuta de Aturo Toscanini.

Ao longo de sua carreira, uma das principais dificuldades de Bernstein foi balancear o trabalho à frente da Filarmônica de Nova York com os frutos de seu status de celebridade mundo afora. Consequentemente, sobrava pouquíssimo tempo para se dedicar a novas composições. Foi só depois de tirar um ano sabático, em 1965, que Bernstein conseguiu tempo para criar. É neste contexto que surgem os Salmos de Chichester. Feito sob encomenda “para o reverendo Walter Husy, decano da Catedral de Chichester, Sussex, para o Festival de 1965”, cada um dos três movimentos inclui um salmo completo – e a partitura está toda em hebraico. Assim como boa parte das composições feitas durante o sabático, ela está firmemente calcada na tonalidade, como o próprio Lenny explicou em entrevista: “passei quase o ano todo escrevendo músicas dodecafônicas e coisas ainda mais experimentais. Eu estava feliz com os novos sons, mas, depois de seis meses de trabalho, eu joguei tudo fora. Simplesmente não era a minha música, não era honesto. O resultado final foi Salmos de Chichester, a mais acessível de todas, a mais ‘Si bemol maior’ que eu já consegui escrever”.

Os últimos 15 anos da vida de Heitor Villa-Lobos (1817 – 1959) representam o momento de maturidade na carreira do nosso maior compositor. Muitas de suas partituras mais emblemáticas foram feitas nesse período. Entre elas estão as Bachianas Brasileiras nº 9, as sinfonias nº 8, 9 e 10. Feita nessa época, exatamente no ano de 1958, Magnificat-Aleluia foi encomenda da Associação Italiana de Santa Cecília. A obra foi concebida como parte de um suplemento musical que seria oferecido ao papa Pio XII. Villa-Lobos a escreveu tendo como base a passagem bíblica que relata o canto de alegria de Maria ao receber a notícia de que conceberia e geraria o filho de Deus. A orquestra acompanha a solista e o coro adiciona tons melódicos à estrutura da composição. O órgão, peça chave da partitura, é usado como acompanhamento à orquestração.

5 out 2019
sábado, 18h00

Sala Minas Gerais
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