Música, Guerra e Paz

Marcos Arakaki, regente

|    Fora de Série 2019

PROKOFIEV
BEETHOVEN
LISZT
PENDERECKI
SANTORO
TCHAIKOVSKY
Guerra e Paz, op. 91: Abertura
A vitória de Wellington, op. 91
A batalha dos Hunos
Trenodia para as vítimas de Hiroshima
Canto de Amor e Paz
Abertura 1812, op. 49

Marcos Arakaki, regente

Marcos Arakaki é Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais. Tem conduzido importantes orquestras no Brasil e também nos Estados Unidos, México, Argentina, República Tcheca e Ucrânia. Colaborou com artistas de renome, como Pinchas Zukerman, Gabriela Montero, Sergio Tiempo, Anna Vinnitskaya, Sofya Gulyak, entre outros. Vencedor do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e do I Prêmio Camargo Guarnieri (2009), foi Regente Titular da Sinfônica da Paraíba e da Sinfônica Brasileira Jovem, com grande reconhecimento da crítica especializada e do público. Gravou a trilha sonora do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Natural de São Paulo, é Bacharel em Violino pela Unesp e Mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts. Nos últimos anos, Arakaki tem contribuído de forma decisiva para a formação de novas plateias, por meio de apresentações didáticas, bem como para a difusão da música de concertos através de turnês a mais de 70 cidades brasileiras.

Programa de Concerto

Guerra e Paz, op. 91: Abertura | PROKOFIEV

Alguns dos trabalhos mais interessantes de Serguei Prokofiev foram escritos durante a Segunda Guerra Mundial, como o balé Cinderela e a ópera Guerra e Paz. Com a ideia de adaptar a obra-prima de Tolstói na cabeça durante anos, foi somente após a invasão alemã da Rússia em 1941 que Prokofiev resolveu iniciar essa ambiciosa missão. Inicialmente, a ópera foi dividida em duas metades, para ser apresentada em duas noites. A primeira parte, Paz, focava no enredo entre Natasha e o príncipe André. A segunda, Guerra, era dedicada à batalha e à invasão do território. Por sua ambição e pelo patriotismo e fervor heroico pedido pelos guardas soviéticos, o resultado foi um trabalho de mais de quatro horas de duração. Após a estreia, Prokofiev reduziu a partitura para que coubesse em uma única noite.

Beethoven compôs a Abertura A Vitória de Wellington a pedido de Johann Nepomuk Mälzel (1772-1838, inventor do metrônomo e amigo de Beethoven), para celebrar a vitória das tropas chefiadas pelo Duque de Wellington sobre as tropas napoleônicas, em 21 de junho de 1813, na cidade de Vitoria, Espanha. A obra requer um grande efetivo orquestral, além de tiros de canhão e fuzil (atualmente substituídos por dispositivos eletrônicos disparados pelo percussionista). Graças ao sentimento patriótico que tomou conta da Áustria na época, a estreia, em Viena, no dia 8 de dezembro de 1813, foi um sucesso estrondoso e teve não apenas Beethoven na regência, como Schuppanzigh nos primeiros violinos, Salieri, Sphor e Hummel na percussão.

Na Polônia, o verdadeiro ponto de virada na música do século XX veio em 1959 com a vitória do jovem Krzysztof Penderecki nas três categorias da Competição Juvenil do Sindicato dos Compositores Poloneses. A experiência daquele prêmio deu a ele as condições para criar, um ano depois, o mais significativo trabalho de sua carreira, premiado pela Unesco e pelo Japão: Trenodia para as vítimas de Hiroshima, de 1961. Trenodia é o nome dado a um canto fúnebre, ou a uma ode a um assunto triste. O impacto do début foi imediato. O lamento dos violinos, os estouros que saem das 52 cordas – gerando em igual medida espanto e preocupação sobre possíveis danos aos instrumentos – durante os quase nove minutos de peça ecoaram profundamente em uma nação que ainda se recuperava do rastro da guerra. Aos poucos, aos artistas da Polônia era permitido conhecer um pouco da música de ambos os lados da cortina de ferro. O espanto causado por sua revolucionária estreia lançou as bases para um estilo de composição que seria usado exaustivamente para transmitir perigo ou terror em filmes, como o clássico O Iluminado, de Stanley Kubrick.

Em julho de 1950, Claudio Santoro começa a trabalhar como compositor na Rádio Tupi. Escreve o Canto de Amor e Paz, para orquestra de cordas, que Eleazar de Carvalho estreou com a Sinfônica Brasileira em 1951. Em Viena, o Conselho Mundial da Paz confere à partitura o Prêmio da Paz em 1952. Nesse ano, a obra é executada em Salzburgo e nos Festivais de Maio, em Praga. Em 1954 Santoro a rege no Brasil, para gravação em LP, cuja contracapa assim a descreve: “Canto de Amor e Paz, pelas suas qualidades intrínsecas e repercussão, marcou a ruptura definitiva de Claudio Santoro com as teorias dodecafonistas e atonalistas. Inspirando-se em ideias generosas e humanas, o compositor procurou dar maior importância a uma linha melódica de conteúdo realista, inspirada nas características mais frisantes da música popular brasileira. Canto de Amor e Paz se constrói, através de uma admirável escritura, sobre um tema sereno, que se desenvolve em primeiro plano, sem que tal serenidade fuja, porém, aos contrastes dramáticos, próprios do amor”. Sua música não é atonal, dodecafônica ou nacionalista, mas tudo isso, às vezes ao mesmo tempo; é dizer, subjetiva e experimental.

O ano de 1812 marca o início da derrocada do império napoleônico. A Grande Armada Francesa de Napoleão I, até então invencível, invade a Rússia, vence a Batalha de Borodino e invade Moscou, em setembro, confirmando aparentemente a vitória francesa. Napoleão não esperava que os russos deixassem Moscou completamente devastada e em chamas. Sem mantimentos e sem capacidade de se recuperar, as tropas napoleônicas batem em retirada, destruídas pelo frio intenso e por milícias russas. A Abertura 1812 foi composta entre setembro e novembro de 1880, a partir de encomenda feita por Nikolai Rubinstein, diretor dos Concertos da Sociedade Imperial Russa. Tchaikovsky a concebeu para que fosse estreada com orquestra, banda de metais, coro e canhões na Praça Vermelha. Supostamente programática, a abertura expõe nas cordas – os russos? – o coral ortodoxo Deus, salva teu povo. Segue-se nas madeiras a dança folclórica No meu portão, no meu portão. Os metais anunciam o hino francês. No desenvolvimento, o tema russo nas cordas duela com o francês nos metais. O folclore russo reaparece entrecortando com nostálgicas melodias populares o embate entre russos e franceses. Sinos, canhões e Deus salve o Czar expulsam A Marselhesa, na apoteose final.

14 set 2019
sábado, 18h00

Sala Minas Gerais
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