Nelson explora raízes brasileiras

Fabio Mechetti, regente
Nelson Freire, piano

|    Allegro

|    Vivace

GOMES
FALLA
VILLA-LOBOS
VILLA-LOBOS
O Guarani: Protofonia
Noites nos jardins da Espanha
Momoprecoce
Choros nº 6

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Um dos maiores pianistas brasileiros de todos os tempos, reconhecido internacionalmente, Nelson Freire nasceu em Boa Esperança, interior de Minas Gerais, e mudou-se com a família para o Rio de Janeiro aos cinco anos de idade, para aprimorar os talentos musicais precoces. Aos 12, já era finalista no I Concurso Internacional de Piano do Rio de Janeiro, recebendo, do então presidente Juscelino Kubitschek, uma bolsa de estudos que o levou a Viena. Aos 19, conquistou o primeiro prêmio no Concurso Internacional Vianna da Motta, em Lisboa. Seu grande début internacional deu-se aos 23 anos, numa apresentação em Londres. O New York Times chamou-o, então, de “jovem leão do teclado”. Um ano mais tarde, Nelson fez sua estreia com a Filarmônica de Nova York, recebendo o seguinte comentário da revista Time: “um dos maiores pianistas desta ou de qualquer outra geração”. Ao longo de cinco décadas, com atuações em cerca de 70 países, tornou-se estrela de máxima grandeza no cenário internacional. Possui dezenas de gravações elogiadas pela crítica e já se apresentou com as orquestras mais prestigiadas do mundo.

Programa de Concerto

O Guarani: Protofonia | GOMES

Carlos Gomes se inspirou no romance indianista O Guarani, de José de Alencar, para compor sua ópera de mesmo nome. A obra em quatro atos, com libreto em italiano de Antônio Sclavini e Carlo D’Orneville, trata da história de amor de Ceci e Peri. A montagem estreou com grande sucesso em 19 de março de 1870 no Teatro Scala de Milão – a estreia brasileira só veio em dezembro do mesmo ano, no Rio de Janeiro. A Protofonia, ou Abertura, é sem dúvida o tema mais conhecido dessa criação de Carlos Gomes. Inclusive, é uma versão dela que ouvimos no rádio às 19h em ponto, quando começa a Voz do Brasil.

Andaluz por parte de pai e catalão pelo lado materno, Manuel de Falla desde criança familiarizou-se com a música folclórica espanhola na sua forma mais genuinamente popular, cotidiana. Em 1907, mudou-se para Paris, onde fez amizade com seus compatriotas Picasso e Albéniz, além de Ravel e Debussy (que admirava especialmente). Nesse ambiente efervescente, começou a composição de Noites nos jardins da Espanha, mas as crescentes exigências que impôs a si próprio dificultaram o término da obra, que só foi concluída em 1915, em Barcelona. A peça se define em três impressões sinfônicas para piano e orquestra. A primeira faz referência a Generalife, castelo medieval dos reis mouros em Granada, cujos jardins, em terraços, dão para a fortaleza da Alhambra e suas fontes. A segunda apresenta uma constante figura rítmica de dança cigana e sugere os rumores das águas da Alhambra. E a terceira remete aos jardins da Serra de Córdoba, com destaque para as sonoridades cintilantes do triângulo e dos pratos. Noites nos jardins da Espanha se destaca também quanto à técnica pianística, cuja escrita é bastante inovadora, inspirada nos recursos da guitarra espanhola, e se desenvolve fluentemente, como que entregue a uma improvisação incessante.

Ao longo da vida, Heitor Villa-Lobos sempre cultivou o curioso hábito de reciclar suas obras antigas, dar-lhes uma roupagem nova e apresentá-las, muitas vezes, sob novos títulos. Em 1929, enquanto ainda vivia em Paris, o compositor recebeu da pianista brasileira Magda Tagliaferro a encomenda de um concerto para piano. Ao invés de escrever uma nova partitura do gênero, Villa-Lobos optou por orquestrar um conjunto de oito peças para piano que compusera em 1919 intituladas O Carnaval das crianças brasileiras. Nascia, assim, Momoprecoce, que seria estreado por Tagliaferro em 1930, sob direção do maestro Enrique Fernández Arbós. A obra, extremamente alegre e festiva, sintetiza bem o estilo de Villa-Lobos da época, fortemente influenciado pelo trabalho de Stravinsky. Como O Carnaval das crianças brasileiras foi composto antes, sua música retrata as atmosferas oníricas francesas, com um certo toque de dança espanhola. Porém, na orquestração que originou o Momoprecoce, o colorido orquestral stravinskiano sobrepujou de tal maneira as características originais da obra que acabou por transformá-la em uma música praticamente diferente: ainda um pouco do Brasil, mas nada da França ou Espanha.

Composto no Rio de Janeiro em 1926, e estreado também ali, sob regência do próprio Villa-Lobos, em 1942, o Choros nº 6 não é, cronologicamente, a sexta obra da safra. Nos Choros, não é a cronologia, mas uma espécie de gradação de complexidade estrutural e instrumental que parece nortear a ordenação. Segundo o compositor, “o clima, a cor, a temperatura, a luz, os pios dos pássaros, o perfume do capim melado entre as capoeiras e todos os elementos da natureza do sertão serviram de motivos de inspiração para esta obra que, no entanto, não representa nenhum aspecto objetivo nem tem sabor descritivo”. Villa-Lobos, assim, mantém-se coerente com a sua proposta estética da máxima estilização: nessa peça, como nos demais Choros, mesmo o que parece ser citação de elementos da música tradicional ou da música popular brasileira não deixa de ser trabalho original de composição. A orquestração aqui, numerosa e exuberante, tem como destaque o uso largo de instrumentos de percussão, inclusive daqueles que se identificam mais com a nossa música popular que com a orquestra sinfônica propriamente dita: a cuíca, o coco, o roncador, o reco-reco e o tamborim de samba.

4 out 2018
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

5 out 2018
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
Quero ser lembrado deste concerto.
adicione à agenda 04/10/2018 8:30 PM America/Sao_Paulo Nelson explora raízes brasileiras false DD/MM/YYYY
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sáb
30 1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31 1 2 3