Noites russas com um favorito de Tchaikovsky

Fabio Mechetti, regente
Dmitry Masleev, piano

|    Allegro

|    Vivace

RIMSKY-KORSAKOV
STRAVINSKY
TCHAIKOVSKY
A noiva do Czar: Abertura
Sinfonia nº 1 em Mi bemol maior, op. 1
Concerto para piano nº 1 em si bemol menor, op. 23

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Uma das jovens revelações do piano, Dmitry Masleev vem estabelecendo sua carreira profissional com apresentações elogiadas pela crítica e muito bem recebidas pelo público. Vencedor do Concurso Internacional Tchaikovsky de 2015, apresentou-se recentemente com a Filarmônica e a Sinfônica de Munique, além de ter participado de importantes festivais na Alemanha e na França. Em janeiro de 2017, Masleev fez seu aguardado début em recital no Carnegie Hall, onde interpretou um programa com Scarlatti, Beethoven, Prokofiev, Rachmaninov e Liszt, em uma performance que o jornal New York City Informer chamou de “vívida e propulsora”. Nascido e criado em Ulan-Ude, cidade da Rússia siberiana próxima à fronteira com a Mongólia, Masleev estudou no Conservatório de Moscou e na Academia Internacional de Música no Lago de Como. Recentemente, apresentou-se em recitais com o também virtuoso pianista russo Boris Berezovsky.

Programa de Concerto

A noiva do Czar: Abertura | RIMSKY-KORSAKOV

A noiva do Czar, baseada no drama homônimo de Lev Mey e com libreto de Ilia Tyumenev, foi estreada em 3 de novembro de 1899 pela Ópera Privada de Moscou, sob a regência de Mikhail Ippolitov-Ivanov. A ópera conta a história de Marfa, cuja beleza estonteante é disputada pelo aristocrata Likov, pelo próprio Czar Ivan, o Terrível, e por Gryaznoy, um de seus guarda-costas. Escrita no estilo de Tchaikovsky, A noiva do Czar é repleta daquele lirismo vocal abundante que Rimsky-Korsakov havia abandonado em suas primeiras óperas. Na Abertura, dois temas dominam a cena, ambos executados pelos violinos e madeiras: o primeiro, extremamente enérgico e vigoroso, e o segundo, doce e lírico. Os dois temas são desenvolvidos e reexpostos até o ponto em que atingimos uma seção explosiva que parece nos conduzir ao fechamento da obra. Porém, de súbito, para nossa surpresa, Rimsky-Korsakov introduz um terceiro tema, contemplativo, na flauta, oboé e primeiros violinos, e a Abertura termina inesperadamente suave.

Filho do mais aclamado baixo-barítono do mundo operístico russo da época, Fiódor Stravinsky, o jovem Igor cresceu habituado a óperas, teatros, ensaios e familiarizado com os mais célebres cantores e compositores da cena musical de São Petersburgo. Sua orientação formal em composição teve início em 1901, com Fiódor Akimenko e Vasily Kalafaty, ambos pupilos de Nikolai Rimsky-Korsakov. No verão de 1902, por sugestão de Vladmir Rimsky-Korsakov, filho do compositor e seu colega no curso de Direito, Stravinsky visitou Heidelberg a fim de mostrar seu portfólio ao mestre, que ali se encontrava de férias. Rimsky-Korsakov aceitou orientá-lo uma vez que ele compusesse uma sonata para piano e uma sinfonia. Começou a trabalhar na Sinfonia em Mi bemol em 1904, logo após a conclusão da Sonata para piano em Fá sustenido. No verão de 1905, Stravinsky concluiu o primeiro rascunho de uma obra de modelo convencional em quatro movimentos. Ao longo do trabalho de orquestração, o rascunho foi substancialmente modificado em razão das orientações semanais que passara a receber de Rimsky-Korsakov a partir do outono de 1905. Embora o segundo e o terceiro movimentos tenham sido estreados em 29 de abril de 1907, os dois outros só foram finalizados no verão daquele ano, e a obra completa, na noite de 22 de janeiro de 1908, pela Orquestra da Corte, num concerto que, para Stravinsky, marca sua estreia oficial como compositor.

Um toque imperativo de quatro trompas em uníssono, em quatro notas, contrapostas por poderosos acordes da orquestra, preparam o ouvinte para o célebre tema da mais popular obra do gênero, reconhecida como o “concerto para piano por excelência”. Ao longo de sua vida, Tchaikovsky escreveu três concertos para piano e orquestra, sendo o último incompleto, mais o Concerto-fantasia. Inspirado no virtuosismo do discípulo Sergei Taneyev, finalizou o Concerto nº 1 em 1874 e dedicou-o ao pianista Nikolai Rubinstein, fundador do Conservatório de Moscou (hoje Conservatório Tchaikovsky). Rubinstein, todavia, não recebeu bem a homenagem e disse que a peça era “de difícil execução” e “absolutamente sem valor”, recomendando que fosse jogada fora ou radicalmente reescrita. Decepcionado, Tchaikovsky não mudou uma única nota de sua obra, mas trocou a dedicatória, redirecionando-a ao grande regente Hans von Bülow, discípulo e genro de Franz Liszt. Von Bülow estreou a obra em Boston, Estados Unidos, em 1875, e mais tarde na Alemanha, conferindo ao concerto o status de obra-prima cosmopolita e sucesso absoluto que mantém até hoje.

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22 mar 2018
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
de R$ 50,00 a R$ 116,00
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23 mar 2018
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais INGRESSOS ESGOTADOS

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