Nos percursos virtuosos de Liszt

Fabio Mechetti, regente
Cristian Budu, piano

|    Allegro

|    Vivace

SCHUBERT
MOZART
LISZT
R. STRAUSS
Sinfonia nº 4 em dó menor, D. 417, “Trágica”
Rondó para piano em Lá maior, K. 386
Totentanz
Don Juan, op. 20

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Cristian Budu é considerado um dos expoentes de sua geração. Dotado de musicalidade genuína e calorosa força de comunicação, sua personalidade artística e sensível toque ao piano vêm sendo internacionalmente reconhecidos. Desde os nove anos de idade, foi laureado com o primeiro lugar em diversas competições nacionais, como o Concurso Nelson Freire 2010 e o Programa Prelúdio da TV Cultura 2007. Em 2013, tornou-se o primeiro brasileiro a vencer o Concurso Internacional de Piano Clara Haskil, na Suíça, considerado um dos mais importantes da atualidade. Essa conquista de Budu tem sido considerada pela crítica nacional como a mais importante premiação a um pianista brasileiro nos últimos vinte anos. Cristian desenvolve uma carreira intensa como solista e camerista, apresentando-se na América do Sul, Europa, Estados Unidos e Israel. Tocou com a Orchestre de la Suisse Romande, Orquestra Sinfônica Brasileira, Filarmônica de Minas Gerais, Petrobras Sinfônica, Orquestra Sinfônica de Sergipe e em recitais no Festival de Campos do Jordão.

Programa de Concerto

Sinfonia nº 4 em dó menor, D. 417, “Trágica” | SCHUBERT

Entre os compositores canônicos do Classicismo vienense, Schubert foi o único que nasceu na capital austríaca. Até sua morte, aos 31, compôs prolificamente. Destacou-se em gêneros então marginais, como a canção, o duo pianístico e peças para piano. Nas músicas de câmara e sinfônica, amadureceu gradualmente. De todas as formas que praticou, a sinfonia era a que menos interessava a seus apoiadores. A Quarta de suas sete sinfonias foi concluída aos dezenove anos. A estreia só ocorreu em 1849, duas décadas após sua morte, em Leipzig. Responsável pela primeira publicação da Quarta, em 1884, Brahms declarou ao editor que as sinfonias juvenis “não deveriam ser publicadas, mas apenas piamente preservadas”. Em seu tempo, Dvorák foi um dos poucos admiradores dessas obras, nas quais o caráter das melodias, as progressões harmônicas e vários detalhes de orquestração lhe revelavam a individualidade de Schubert. A crítica atual procura dissociar a Quarta da sombra de Beethoven. Ao apresentá-la na BBC de Londres em 2014, Stephen Johnson ressaltou a engenhosidade das transformações de motivos, a ousadia dos encadeamentos de acordes, os contrastes de afetos e a constância de motivos em transformação através de seções de caráter antagônico.

Na maioria das vezes, os concertos para instrumentos solistas de Mozart foram obras compostas sob a pressão da aristocracia que o patrocinava ou da alta burguesia frequentadora de teatros. Ele manteve, como regra geral, a tradicional estrutura tripartida (Forma sonata, Lento e Rondó) característica do gênero. Mas, a partir dos dezessete anos, quando então escreve seus primeiros concertos realmente originais, criará uma proposta formal distinta e particular para cada obra. É curioso que tenha se servido de um gênero tão popular para confidenciar seus sentimentos mais íntimos e realizar audaciosas inovações – os últimos concertos possuem uma beleza transcendente; obras-primas definitivas, ímpares e profundamente humanas. O Rondó K. 386, composto em 1782, aos 26 anos, foi frequentemente considerado um final opcional para o Concerto K. 414, escrito na mesma época e na mesma tonalidade. Hoje, tornou-se peça independente e é assim que a escutaremos neste programa.

Totentanz, composição de Liszt para piano e orquestra, sofreu diversas revisões em 1853 e 1859. Ainda assim a estreia só se deu em 1865, na Holanda, sob a regência do lendário Hans von Büllow. A obra é organizada como um conjunto de variações sobre a melodia gregoriana do Dies Irae, presente na Missa de Réquiem. Houve, provavelmente, uma influência do último movimento da Sinfonia Fantástica (1830) de Hector Berlioz, que utiliza a mesma melodia de modo surpreendente e inovador. O título da peça remete ao famoso afresco italiano do século XIV, O triunfo da morte, do Cemitério de Pisa, visitado por Liszt em 1830. Totentanz combina características de um Concerto para piano e orquestra com a forma Tema e Variações. Entre as inovações instrumentais dessa peça destacam-se a natureza percussiva do piano, que antecipa sonoridades de Bela Bartók, e o uso do col legno – percussão com a madeira do arco nas cordas –, associado por alguns críticos ao ruído de choque dos esqueletos na dança da morte.

Os poemas sinfônicos de Richard Strauss, definidos pelo próprio compositor como ilustrações sonoras de enredos poéticos, inserem-se de maneira muito pessoal na tradição da música programática desenvolvida por Berlioz, Liszt e Wagner, compositores que deram novo rumo à música orquestral do século XIX. Finalizada em setembro de 1888, a partitura de Don Juan demonstrava a maturidade atingida por Strauss (que tinha apenas 24 anos), dando-lhe lugar de destaque entre os compositores alemães da geração pós-wagneriana. Dentre as diferentes concepções do mito do sedutor espanhol, a fonte literária escolhida por ele foi o poema dramático do escritor austríaco Nikolaus Lenau. Nessa versão, o personagem não tem a arrogância e o orgulho do seu célebre homônimo mozartiano. Ao contrário, o Don Juan de Lenau e Strauss é um homem fragilizado pela busca incessante de um ideal inacessível – o da encarnação perfeita do eterno feminino. Não o encontrando em tantas mulheres conquistadas, o herói deixa-se tomar por um grande tédio e, desiludido, procura a morte em um duelo. Como citação poética, Strauss incluiu na partitura trinta versos do texto de Lenau, agrupando-os em três blocos correspondentes às ideias que ele procurou evocar nos temas musicais – o Desejo, a Posse, o Desespero. A obra possui inspiração melódica arrebatadora, com destaque para o enérgico e majestoso motivo das trompas que representam o protagonista, e o violino solo, que sugere a imagem ingênua de Zerlina.

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17 mai 2018
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
de R$ 44,00 a R$ 116,00
compre seu ingresso

Estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda entre 15 e 29 anos e pessoas com deficiência (e seu acompanhante) têm direito a meia-entrada.
Os ingressos para o setor Coro (44 reais) serão comercializados somente após a venda dos demais setores.

|    mais informações sobre ingressos

18 mai 2018
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
de R$ 44,0 a R$ 116,00
compre seu ingresso

Estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda entre 15 e 29 anos e pessoas com deficiência (e seu acompanhante) têm direito a meia-entrada.
Os ingressos para o setor Coro (44 reais) serão comercializados somente após a venda dos demais setores.

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