O belo Novo Mundo de Dvorák

Fabio Mechetti, regente
Denise de Freitas, mezzo-soprano

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RESPIGHI
FALLA
DVORÁK
Il tramonto
El amor brujo: Suíte
Sinfonia nº 9 em mi menor, op. 95, “Do Novo Mundo”

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito destas duas últimas duas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos EUA e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Dona de uma das mais importantes carreiras líricas do Brasil na atualidade, Denise de Freitas destaca-se como artista versátil e muito musical, tanto no repertório operístico quanto sinfônico. Sua voz de mezzo-soprano, extensa e de cor particularmente escura, faz dela uma intérprete única e sensível, elogiada por público e crítica tanto no drama como na comédia. Nascida em São Paulo, Denise tem se apresentado com os mais renomados maestros, e nos mais importantes teatros e salas do Brasil. Indicada na categoria de melhor cantora ao Prêmio Carlos Gomes em 2011, conquistou o mesmo troféu em 2004 e 2009 – neste último, por suas elogiadas criações de Dalila (Sansão e Dalila) e Compositor (Ariadne auf Naxos), ambas para o Municipal de São Paulo.

Programa de Concerto

Il tramonto | RESPIGHI

A melhor produção vocal de Respighi, de especial suavidade e encanto, situa-se no terreno intimista da canção de câmara e do poemetto lírico (denominação do próprio compositor para suas cantatas com acompanhamento orquestral sobre poemas de Percy Shelley e Gabriele d‘ Annunzio, seus poetas favoritos). Quando jovem, Respighi trabalhara como pianista acompanhador na escola de canto de Etelka Gardini-Gerster. Escreveu muito para Chiarina Fino Savio, inspirado pelo requinte da arte vocal dessa amiga. Mais tarde, esse privilégio estendeu-se para Elsa Olivieri, sua esposa, cuja tessitura vocal era similar à de Chiarina. Il tramonto estreou na Accademia di Santa Cecilia, em Roma, tendo Chiarina Savio – a quem a obra fora dedicada – como solista. Os versos do inglês Shelley (traduzidos por Roberto Ascoli) relatam o amor e a morte de dois jovens apaixonados. A música, emotiva e enigmática, se adapta maravilhosamente ao poema. Composta originalmente para quarteto de cordas, a obra será tocada neste programa em versão para orquestra de cordas.

Andaluz por parte de pai e catalão por parte de mãe, Manuel de Falla familiarizou-se cedo com a música folclórica espanhola na sua forma mais genuinamente popular, cotidiana. Em sua obra, o compositor celebra a Espanha com uma profusão de motivos e ritmos fulgurantes – mas sua abordagem do folclore revela-se atualizada com as renovações musicais do começo do século XX. O balé El amor brujo foi escrito para Pastora Imperio, à época, a mais prestigiada dançarina de flamenco. A ação, repleta de magia e superstições, acontece na Andaluzia. Baseia-se na lenda de um ciumento cigano morto, cujo espectro reaparece sempre que sua amada Candelas procura um novo amor. No final, a jovem cigana e o namorado Carmelo conseguem trocar o beijo que definitivamente afasta as maléficas aparições do Fantasma.

Em 1891, já célebre, Dvorák assume o posto de professor de Composição no Conservatório de Praga. No ano seguinte, muda-se para os Estados Unidos para ser o diretor do então Conservatório de Nova York, onde permanece até 1895. São desse período obras significativas de seu legado, como a Sinfonia “Do Novo Mundo”. Dentre seus alunos em Nova York, havia um rapaz negro que lhe deu a conhecer os spiritual americanos, com a metáfora das imagens bíblicas, a tragédia e o sofrimento da escravidão na América e dos africanos desterrados. O interesse despertado em Dvorák por esse gênero musical é o fundamento do célebre tema do segundo movimento da Nona Sinfonia, cujo solo de corne inglês constitui evocação da melodia pungente que muitas vezes caracteriza os negro spiritual. Ele realiza também, com o elemento musical folclórico norte-americano, um processo de assimilação análogo ao que se observa em relação ao folclore boêmio no contexto de sua obra. Esse processo, aqui, é consciente, e manifesto pelo próprio compositor, que afirmou não ter utilizado temas da música nativa norte-americana, mas, sim, ter-se utilizado dos fundamentos essenciais dessa música para elaborar seus próprios elementos originais. Não se pode dizer, com isso, que Dvorák tenha abandonado suas fontes boêmias em função da descoberta de uma nova linguagem. Ao contrário, esses novos elementos agregam-se, na Nona Sinfonia, àqueles que até então lhe haviam servido de fonte, para, aí, criar uma espécie de linguagem multicultural.

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6 abr 2017
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

7 abr 2017
sexta-feira, 20h30

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