O início de uma nova década

Fabio Mechetti, regente
Cristian Budu, piano
Leonardo Hilsdorf, piano

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NEPOMUCENO
POULENC
TCHAIKOVSKY
O Garatuja: Prelúdio
Concerto para dois pianos em ré menor
Sinfonia nº 5 em mi menor, op. 64

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Cristian Budu é considerado um dos expoentes de sua geração. Dotado de musicalidade genuína e calorosa força de comunicação, sua personalidade artística e sensível toque ao piano vêm sendo internacionalmente reconhecidos. Desde os nove anos de idade, foi laureado com o primeiro lugar em diversas competições nacionais, como o Concurso Nelson Freire 2010 e o Programa Prelúdio da TV Cultura 2007. Em 2013, tornou-se o primeiro brasileiro a vencer o Concurso Internacional de Piano Clara Haskil, na Suíça, considerado um dos mais importantes da atualidade. Essa conquista de Budu tem sido considerada pela crítica nacional como a mais importante premiação a um pianista brasileiro nos últimos vinte anos. Cristian desenvolve uma carreira intensa como solista e camerista, apresentando-se na América do Sul, Europa, Estados Unidos e Israel. Tocou com a Orchestre de la Suisse Romande, Orquestra Sinfônica Brasileira, Filarmônica de Minas Gerais, Petrobras Sinfônica, Orquestra Sinfônica de Sergipe e em recitais no Festival de Campos do Jordão.

Um dos principais expoentes da nova geração de pianistas brasileiros, Leonardo Hilsdorf vem se apresentando com sucesso no Brasil, Estados Unidos e Europa. Aclamado pela crítica especializada, sua performance foi saudada como “fenomenal” (Fuldaer Zeitung) e “encantadora e magistral” (L’Independent). Nos dois últimos anos foi um dos seletos solistas em residência na Capela Musical Rainha Elisabeth da Bélgica, onde trabalhou sob os cuidados de Maria João Pires, sua atual mentora. Recebeu o 1o prêmio em competições internacionais na Alemanha, França, Espanha, México e Brasil. Entre elas, o prestigioso prêmio Nadia et Lilit Boulanger, em Paris, o prêmio especial da União Europeia de Concursos de Música para a Juventude, em San Sebastián, e, por unanimidade, o Concurso Internacional J. J. C. Yamaha do México. Leonardo já se apresentou com a Filarmônica da Radio France, Orquestra Royal Wallonie, Sinfônica de Yucatán e, no Brasil, junto à Osesp, OSB e Filarmônica de Minas Gerais. É regularmente convidado de festivais ao redor do mundo, entre eles o de Ravínia, Estados Unidos, e o de Campos do Jordão.

Programa de Concerto

O Garatuja: Prelúdio | NEPOMUCENO

Tido pela crítica modernista do final da primeira metade do século XX como um arauto do nacionalismo musical brasileiro, Alberto Nepomuceno é conhecido por ser um dos primeiros a empregar sistematicamente elementos do nosso folclore em suas composições. Foi defensor ferrenho das causas republicana e abolicionista, e atuou como diretor do Instituto Nacional de Música e maestro da Associação de Concertos Populares, realizando um trabalho que teve consequências determinantes para a cultura musical do país. Seu grande interesse pela literatura brasileira e pela valorização da canção em língua portuguesa aproximou-o de alguns dos mais importantes escritores da época, como Coelho Netto, Machado de Assis e Olavo Bilac. O Garatuja é uma comédia lírica, baseada na obra homônima de José de Alencar, com libreto do próprio Nepomuceno. Segundo o compositor, trata-se de uma ópera verdadeiramente brasileira quanto à ambientação carioca, ao uso atualizado da língua portuguesa e à valorização dos ritmos populares, com a marcação sincopada do maxixe e do lundu. Nepomuceno dedicou a esse Prelúdio um longo trabalho, concluindo-o em 1904. Sua première ocorreu no mesmo ano, no Rio de Janeiro, sob a direção do autor. Poucos dias antes da morte de Nepomuceno em 1920, O Garatuja foi apresentado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro sob regência de Richard Strauss.

Poulenc percorreu um caminho pouco convencional em seus estudos musicais, dividindo-se entre a carreira de intérprete e compositor. Viu-se obrigado a lidar com frequentes crises de depressão, consequência da morte prematura de amigos próximos e da relação conflituosa com sua homossexualidade. Todos esses desafios fizeram dele um compositor paradoxal, capaz de sintetizar em sua obra o religioso e o irônico. Claude Rostand disse que “em Poulenc há algo de monge e algo de malandro”. Seu primeiro grande sucesso de crítica foi o balé Les biches, em parceria com Diaghilev. No verão de 1932 Poulenc compôs o Concerto para dois pianos em ré menor, por encomenda da princesa de Polignac, a quem é dedicado. A obra foi estreada no Festival Internacional de Música Contemporânea de Veneza e com Poulenc e Jacques Février como solistas. Apresenta o ecletismo de inspiração cotidiana característico da ideologia de seus contemporâneos franceses, servindo-se do vaudeville, do circo, da jazz band e dos gamelões balineses que ouviu na Exposição Colonial de Paris de 1931. Suas duas veias composicionais, o irônico e o grave, entrecruzam-se nesta obra. “Poulenc puro”, nas palavras do próprio compositor.

Tchaikovsky é conhecido pelo grande público principalmente por suas obras para balé, como O quebra-nozes e O lago dos cisnes. No entanto, é em suas seis sinfonias que seu gênio se exprime melhor. Compostas ao longo da vida (a primeira foi escrita aos 26 anos e a última, no ano de sua morte), elas expressam sinteticamente vários aspectos do trajeto que percorreu como compositor, desde o dilema entre o nacionalismo e a universalidade, até à procura por um caminho pessoal de expressão artística dentro do universo romântico. A Quinta Sinfonia foi composta entre maio e agosto de 1888 e conta, se isso for realmente possível em Tchaikovsky, com a presença evidente do elemento russo. Não se trata, porém, de citações ou releituras de material melódico da música tradicional do seu país, mas de uma filtragem e apropriação desse material, estilizado ao máximo no seio de uma linguagem romântica genuína e, por fim, transmutado em elaborações melódicas originais e próprias do compositor, que nunca ousa explorá-lo com excessos patrioteiros. No entanto, paradoxalmente, o segundo movimento – com seu célebre solo de trompa – apresenta um Tchaikovsky de inventividade livre e plena, inclusive nas técnicas de orquestração.

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22 fev 2018
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
de R$ 22,00 a R$ 116,00
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23 fev 2018
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
de R$ 22,00 a R$ 116,00
|    mais informações sobre ingressos
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