O violoncelo russo por Daniel Müller-Schott

Cláudio Cruz, regente convidado
Daniel Müller-Schott, violoncelo

|    Presto 2018

|    Veloce 2018

BRAHMS
GLAZUNOV
TCHAIKOVSKY
BRAHMS
Variações sobre um tema de Haydn, op. 56a
Duas peças para violoncelo, op. 20
Variações sobre um tema Rococó, op. 33
Sinfonia nº 3 em Fá maior, op. 90

Cláudio Cruz, regente convidado

Cláudio Cruz é Regente Titular e Diretor Musical da Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. No Brasil, tem atuado como regente convidado em muitas orquestras, entre elas a Osesp, a OSB e as sinfônicas do Paraná, Porto Alegre e a do Municipal de São Paulo. Em outros países, regeu a Sinfonia Varsovia, New Japan Philharmonic, Hyogo PAC Orchestra, Sinfônica de Hiroshima, entre outras. Também no exterior, apresentou-se no Festival de Verão da Caríntia (Áustria) e no Festival Internacional de Música de Cartagena (Colômbia). Em sua discografia estão três álbuns com a Orquestra de Câmara Villa-Lobos, um deles consagrado a obras de Edino Krieger. Com a Sinfônica de Ribeirão Preto, gravou Beethoven e Mozart, aberturas de óperas e obras de Tom Jobim com arranjos de Mario Adnet. O álbum gravado com a Northern Sinfonia e com o renomado violoncelista brasileiro Antônio Meneses, com obras de Elgar e Gál, foi indicado ao Grammy. Violinista consagrado, foi spalla da Osesp entre 1990 e 2014.

Nascido em Munique, Alemanha, Daniel Müller-Schott está entre os melhores violoncelistas de sua geração e pode ser ouvido nos palcos internacionais de maior prestígio, ao lado de importantes maestros e orquestras, entre elas as de Nova York, Chicago e Boston e as filarmônicas de Berlim, Londres e Holanda. Suas interpretações enérgicas combinam brilhantismo técnico e uma grande capacidade emocional. Além do repertório consagrado, Müller-Schott se interessa por trabalhos inéditos e mantém ampla colaboração com compositores contemporâneos, estreando peças em todo o mundo. Possui sólida discografia, recebida com críticas entusiasmadas e prêmios. Müller-Schott toca um violoncelo de Matteo Goffriller conhecido como “Ex-Shapiro”, fabricado em Veneza, em 1727.

Programa de Concerto

Variações sobre um tema de Haydn, op. 56a | BRAHMS

Muitos dizem que Johannes Brahms foi o último romântico, embora seus contemporâneos constantemente o vissem como um tradicionalista, influenciado mais pela música do passado, do que preocupado com os desafios da linguagem do presente e do futuro. Sobre Haydn, escreveu um dia: "Isso sim foi um par! Quão miserável estamos por comparação”. Nada mais natural então que dedicasse uma composição ao mestre classicista. As Variações são um bom exemplo do estilo inicial de Brahms, que começou a estudar seriamente a obra de Haydn por influência de Karl Ferdinand Pohl, arquivista e estudioso da Filarmônica de Viena. Assim descobriu uma melodia para sopros conhecida como Coral de Santo Antônio, que se tornou a base para as Variações (curiosamente, mais tarde se descobriu que o tema foi provavelmente escrito por um dos pupilos de Haydn). O próprio Brahms listou a obra como uma de suas favoritas.

Em 1876, Tchaikovsky já vivia em Moscou há dez anos e ganhava a vida como professor do Conservatório. Desencantado com os recentes fracassos de suas obras e com o intuito de fazer-se conhecido, começou a escrever de uma peça para violoncelo e pequena orquestra, à moda antiga: as Variações sobre um tema Rococó. É desta época a sólida amizade do compositor com Wilhelm Fitzenhagen, concertista e professor de Violoncelo do Conservatório de Moscou. Fitzenhagen recebeu a permissão para alterar a parte do violoncelo das Variações, no entanto, parece ter tomado liberdades exageradas, pois, além de modificar consideravelmente a obra, eliminou a oitava variação e mudou a ordem das restantes. A reorganização feita por Fitzenhagen buscava produzir um maior impacto na plateia. Sua versão é brilhante, enquanto a original é mais coesa e formalmente mais dramática. Essa “partitura a quatro mãos” de Tchaikovsky e Fitzenhagen é a mais conhecida e, praticamente, a única que foi executada desde 1877.

As sinfonias de Brahms foram concebidas sob o signo do paradoxo. Nelas, o compositor verte a alma romântica que perpassa sua extensa produção de canções, sem deixar de lado a missão que se impôs de dar seguimento à longa tradição sinfônica, representada por Schumann, Schubert e, em seu caso particular, por Beethoven. Por isso, suas quatro obras do gênero não representam números a mais: são criações individuais, fruto de uma elaboração longa e cuidada. Sua orquestra explora uma técnica instrumental em desenvolvimento, como podemos observar nesta Terceira, levando os violinos ao registro extremo-agudo, ou dando relevo, como no terceiro movimento, a melodias entregues às trompas. Além disso, em diversas passagens, a orquestração de Brahms mostra uma rara habilidade na transposição de uma escritura pianística. Há ainda outras particularidades que chamam atenção, como o fato de que todos os movimentos terminam em dinâmicas suaves. Por outro lado, impossível não apreciar a cantilena singela que abre o segundo movimento, ou mesmo não reter melodias como a abertura do terceiro. Melodias que, diga-se de passagem, exemplificam um dos aspectos mais ricos e pregnantes das obras de Brahms. A forma fica apenas como referência. O todo da composição fica como um testemunho do rigor que, paradoxalmente, não impediu o exercício da liberdade.

22 nov 2018
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

23 nov 2018
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
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