Um encontro com Arnaldo Cohen e Beethoven – filho

Fabio Mechetti, regente
Arnaldo Cohen, piano

BEETHOVEN
GOUNOD
GOUNOD
Concerto para piano nº 3 em dó menor, op. 37
Sinfonia nº 1 em Ré maior
Fausto: Música de balé

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Graduado em piano e violino pela Escola de Música da UFRJ, Arnaldo Cohen conquistou por unanimidade o 1º Prêmio no Concurso Internacional Busoni, na Itália e, desde então, tem se apresentado como solista das mais importantes orquestras do mundo. Após mais de 20 anos em Londres, onde lecionou na Royal Academy of Music e no Royal Northern College of Music, transferiu-se para os Estados Unidos em 2004, tornando-se o primeiro brasileiro a assumir uma cátedra vitalícia na Escola de Música da Universidade de Indiana. Além de recitalista e concertista, transita também pelos domínios da música de câmara, tendo integrado durante cinco anos o prestigiado Trio Amadeus. Conhecido por sua técnica clara e exemplar, Cohen também gravou discos premiados e muito bem recebidos pela crítica, de compositores como Liszt, Brahms, Rachmaninov e uma abrangente coletânea de música brasileira para o selo sueco BIS.

Programa de Concerto

Concerto para piano nº 3 em dó menor, op. 37 | BEETHOVEN

Escrito entre 1799 e 1803, o Concerto para piano nº 3 de Beethoven foi estreado em Viena no dia 5 de abril de 1803, tendo o próprio compositor como solista. É uma das poucas obras da primeira fase do gênio de Bonn – os anos de juventude – a ter aceitação ampla por parte tanto dos músicos como do grande público. Provavelmente não apenas pela beleza evidente de seus temas, mas também pelo fato de ser uma peça-chave em seu repertório, que serve como referência para a compreensão de todo seu legado. O Concerto nº 3, único escrito em modo menor, deixa para trás o estilo mozartiano até então adotado por Beethoven, ao mesmo tempo em que aponta para os novos horizontes que seriam ainda conquistados.

Gounod é muito mais conhecido por suas óperas que pela sua música instrumental. Criou doze obras para o teatro lírico, diversas obras sacras (missas, oratórios e motetos) e um sem número de canções. Seu legado sinfônico, comparativamente, é pequeno: apenas duas sinfonias, fragmentos de uma terceira, uma Petite Symphonie, alguns balés e umas poucas obras concertantes. As duas sinfonias de Gounod foram compostas em 1855. É natural, portanto, que as sinfonias tenham pontos de convergência, mas elas diferem sobretudo em tamanho e em conceito. A Segunda tem dimensões maiores e se aproxima, em certo sentido, de uma perspectiva mais romântica. A Primeira tem as dimensões de uma sinfonia clássica, principalmente no senso das proporções e no trabalho com a orquestração. No entanto, é de se considerar alguns contrastes. Por exemplo, o terceiro movimento assemelha-se muito aos minuetos das últimas sinfonias de Haydn, mais que aos Scherzi de Beethoven. Por outro lado, o segundo movimento traz algo de ironia e de pantomima, e evoca a Marcha fúnebre para uma marionete, do próprio Gounod. Nesse sentido pode-se dizer que, mesmo em sua música sinfônica, o teatro musical nunca o abandona por completo. Além disso, a leveza e a alegria do primeiro e do último movimentos são raros de se ouvir na música do século XIX. O que se depreende da Sinfonia nº 1 é um compositor seguro e ciente do que faz, com pleno domínio da técnica, mas sem deixar de lado a criatividade, a originalidade e um cativante melodismo, marca do próprio Gounod.

Das doze óperas que compôs Charles Gounod, apenas três tiveram sucesso: Fausto, Mirreille e Romeu e Julieta. Fausto, de 1859, foi um sucesso de bilheteria, na França e fora dela: foram mais de três mil récitas na Alemanha, entre 1901 e 1910! Não é para menos. Há na ópera algumas preciosidades que até hoje são cativantes: o ato da quermesse, o dueto O nuit d’amour, e o trio Anges purs, anges radieux. Embora o Fausto de Gounod seja bem diferente do de Goethe, em que se baseou, corre-se o risco, nesse caso, de se poder dizer que a música seja talvez mais determinante que o enredo. O frescor e a simplicidade acessível do melodismo de Gounod sustentam a obra e é uma das razões de sua notoriedade. O célebre balé, que se encontra no início do quinto ato, foi introduzido na partitura em 1869, quando foi reapresentada na Ópera de Paris. Efeitos dramáticos à parte, o fato é que a Música de Balé do Fausto de Gounod tornou-se de pronto uma de suas páginas mais celebradas e mais executadas, como obra autônoma, no mundo sinfônico. São sete danças ao todo. Não há interrupção entre elas, que se entrelaçam. A despeito dos títulos e das temáticas, não há qualquer tipo de referência arcaizante ou estereotipada. É ao século XIX e a Gounod que se ouve: franco, elegante, francês, infinitamente cativante e totalmente original.

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