Um encontro com o Barroco alemão

Marcos Arakaki, regente

|    Fora de Série

H. I. BIBER
BUXTEHUDE/Chávez
PACHELBEL
TELEMANN
HAENDEL/Beecham
J. S. BACH/Elgar
Batalha
Chacona em mi menor
Cânon e Giga
Don Quixote
Il pastor fido: Suíte
Fantasia e fuga em dó menor

Marcos Arakaki, regente

Marcos Arakaki é Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais. Tem conduzido importantes orquestras no Brasil e também nos Estados Unidos, México, Argentina, República Tcheca e Ucrânia. Vencedor do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e do I Prêmio Camargo Guarnieri (2009), foi regente titular da Sinfônica da Paraíba e da Sinfônica Brasileira Jovem, com grande reconhecimento da crítica especializada e do público. Gravou a trilha sonora do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Natural de São Paulo, é Bacharel em Violino pela Unesp e Mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts.

Programa de Concerto

Batalha | H. I. BIBER

No século XVII, o jesuíta Athanasius Kircher publicou Musurgia Universalis, influente texto sobre a Teoria dos Afetos, contemplando os aspectos pictóricos e sensoriais que assumiram grande importância como diretrizes da prática musical. Peças programáticas ou descritivas proliferavam. O boêmio Heinrich Biber, que trabalhou na Morávia e em Salzburgo, tinha particular interesse nesse tipo de composição: sua Sonata Representativa reproduz vozes de animais; as Sonatas do Rosário representam os 15 mistérios marianos; e a Suíte Batalha apresenta realisticamente um acampamento militar, com cantos populares (propositadamente desafinados) de soldados ébrios, lutas de esgrima e o lamento dos feridos. Na busca de novos efeitos, Biber ampliou consideravelmente as possibilidades expressivas dos instrumentos, sobretudo do violino.

Os órgãos barrocos alemães possuíam ricas possibilidades timbrísticas, com o uso da pedaleira, vários teclados e registros. Os tubos eram usualmente feitos de latão (de som vigoroso, cheio) ou de madeira (com sonoridade leve, clara) e imitavam as diferentes seções instrumentais da orquestra. Essa preocupação timbrística e a excelência do repertório organístico barroco vem motivando compositores modernos a orquestrar partituras dedicadas ao instrumento. É o caso do mexicano Carlos Chávez, que em 1937 orquestrou a Chacona em mi menor de Dietrich Buxtehude, um mestre organista dos mais admirados do período, o que motivou o jovem Johann Sebastian Bach a viajar mais de 350 quilômetros para ouvi-lo e aprimorar sua arte.

Dentre os geniais compositores-organistas que estão particularmente ligados à biografia de Johann Sebastian Bach, está Johann Pachelbel, que foi professor de Johann Christoph, irmão mais velho e tutor de Bach (pois esse ficou órfão ainda menino). Pachelbel nasceu em Nurembergue, na região da Bavária, e é conhecido por sua linguagem clara e simples de compor. Escreveu mais de 500 obras para órgão, cravo, vozes e, em menor escala, para instrumentos de cordas. Seu Cânon ficou por muitos anos na obscuridade, até que na década de 1970 foi redescoberto através de uma gravação conduzida pelo maestro Jean-François Paillard dois anos antes. Daí pouco foi necessário para que sua icônica melodia ganhasse incontáveis desdobramentos na cultura popular – dos Pet Shop Boys ao brasileiríssimo Tom Zé. No melhor estilo de Pachelbel, à versão original desta peça cabia apenas três violinos, um violoncelo, oito barras de música repetidas 28 vezes e uma música adorável. Um exemplo hipnotizante do contraponto barroco.

A Suíte Don Quixote, de Telemann, possui um caráter programático evidente. Quatro anos mais velho que seus amigos Bach e Haendel, ele era o mais célebre dos músicos alemães; e o mais pródigo, em uma época de compositores-artesãos prolíficos — para as festas do calendário litúrgico, compôs vários ciclos anuais completos de Cantatas. Quarenta anos após a suíte Don Quixote, já aos oitenta anos, Telemann retomou o célebre personagem, desta vez para criar uma ópera homônima sobre o livro de Cervantes.

O gênero operístico não encontrou terreno fértil nas cidades alemãs devastadas pela Guerra dos Trinta Anos. A organização musical do país privilegiava a música familiar (Hausmusik), a eclesiástica (Kirchenmusik) e a da corte (Hofmusik). O grande gênio alemão de óperas barrocas seria Haendel — mas ele trabalhou na Itália e na Inglaterra, onde conquistou ininterrupta glória, apesar da carreira tumultuada de músico-autônomo. Dedicou-se a todos os gêneros musicais de sua época, compôs trinta oratórios, numerosas cantatas, música instrumental, de câmara, orquestral e cerca de quarenta óperas. Il pastor fido foi sua segunda ópera inglesa e hoje é mais conhecida pela suíte que dela retirou o célebre maestro Sir Thomas Beecham, criador da Royal Philharmonic Orchestra.

Bach, o maior dos compositores-organistas, viveu encerrado em restrito universo geográfico. Elegeu a polifonia como meio predileto de expressão e, sob tal aspecto, sua obra vincula-se ao passado contrapontístico dos séculos anteriores. Entretanto, o idioma harmônico que empregou era extremamente progressista. Essa surpreendente fusão de contraponto e harmonias sinalizava caminhos inexplorados, cuja amplitude seus contemporâneos não souberam avaliar devidamente — consideravam-no primordialmente um virtuose e competente perito na construção de órgãos. Bach chegou a ser esquecido. Hoje, sua música é reverenciada como um dos grandes patrimônios da humanidade.

6 mai 2017
sábado, 18h00

Sala Minas Gerais INGRESSOS ESGOTADOS

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