Uma homenagem a Debussy – filho

Fabio Mechetti, regente
Robert Lakatos, violino

DEBUSSY
SIBELIUS
FRANCK
DEBUSSY
Imagens para orquestra nº 3: Rondes de Printemps
Concerto para violino em ré menor, op. 47
O caçador amaldiçoado
La mer

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

O jovem Robert Lakatos começou a ganhar projeção internacional após vencer, em 2015, a Competição Pablo Sarasate, na Espanha. Desde então, apresentou-se com importantes orquestras da Europa, como as filarmônicas de Belgrado, Málaga e Cracóvia; e as sinfônicas de Navarra e Istambul. Nascido em uma família de músicos, na Sérvia, Robert aprendeu a tocar com o próprio pai, Imre Lakatos. Atualmente, estuda na Universidade de Viena com Julian Rachlin. Também subiu ao palco de diversos festivais e recebeu outros prêmios, como Andrea Postacchini, na Itália; o Jeunesses Musicales, na Romênia; e o Merry Smart, em Nova York. É professor de violino da Escola de Artes de sua cidade natal, Novi Sad. Seu instrumento é um Lorenzo Storioni de 1789, generosamente cedido pela Goh Family Foundation.

Programa de Concerto

Imagens para orquestra nº 3: Rondes de Printemps | DEBUSSY

"Vive le Mai, bien venu soit le Mai / Avec son gonfalon sauvage (La Maggiata)” [Vida longa ao Maio. Bem-vindo Maio, com sua bandeira silvestre.]. A saudação ao maio selvagem é a epígrafe da partitura de Rondes de Printemps, de Claude Debussy. A inscrição, extraída de um texto do século XV do poeta florentino Angelo Poliziano, alude à celebração da primavera, na qual irrompem o amor e a vida. A nota de programa, redigida por Charles Malherbe por ocasião da estreia da obra, em 1910, ressalta a riqueza da paleta orquestral e coloca em relevo as correspondências entre impressões visuais e sonoras, como se o público pudesse visualizar o que ouvia e, nas mãos do compositor, a escrita se transformasse em pintura. O próprio Debussy estimulava essas correspondências: o “som do mar, a curva do horizonte, o vento nas folhas (...) causam impressões múltiplas que emergem de nós e se expressam em linguagem musical”. Rondes de Printemps é a peça que encerra Images, tríptico do qual também fazem parte Gigues e Ibéria. Após um início algo nostálgico em Gigues, e da evocação de uma Espanha imaginária e misteriosa em Ibéria, Rondes de Printemps [Algo como “Voltas da Primavera”] é uma espécie de convite à dança – irresistível, com sua orquestração luminosa, suas texturas cheias de detalhes em perspectiva, sua vivacidade e inquietação rítmica. Convite ao movimento, à transformação, à celebração do amor e da vida.

Jean Sibelius viveu boa parte da vida em Järvenpää, uma calma e solitária região florestal da Finlândia, a alguns quilômetros ao norte de Helsinque. O Concerto para violino foi composto em 1903, justamente quando o compositor se instalou na cidadezinha. É uma peça que exige do solista técnica impecável e um virtuosismo que só se torna convincente quando aliado a uma sobriedade expressiva devidamente calculada. Desde sua estreia, em 1905, com o violinista Karl Halir sob regência de Richard Strauss, o Concerto incorporou-se definitivamente ao repertório violinístico. A partir daí, a popularidade de Sibelius cresceu com o passar dos anos, e ele foi rapidamente reconhecido como o mais importante e influente músico do nacionalismo finlandês. Sua obra adquiriu o status de símbolo patriótico, ainda que seja fruto, sobretudo, de uma necessidade muito pessoal, íntima, de busca de crescimento espiritual. Espontaneamente, entretanto, Sibelius soube expressar a essência de sua terra e o reconhecimento internacional de sua obra tornou-a motivo de orgulho nacional.

César Franck foi um dos principais compositores da escola francesa da segunda metade do século XIX. Ele foi capaz de desenvolver uma sonoridade musical ímpar, ao associar a sensibilidade religiosa francesa com as realizações harmônicas de Liszt e Wagner. Acabou trazendo uma nova vitalidade para a composição musical francesa, especialmente no que tange à música puramente instrumental. A estreia de O caçador amaldiçoado (Le chasseur maudit) se deu em 31 de março de 1883 na Salle Érard, em Paris, pela orquestra da Société Nationale de Musique sob a regência de Édouard Colonne. A peça foi inspirada no poema Der wilde Jäger (O caçador selvagem), escrito em 1777 pelo poeta romântico alemão Gottfried August Bürger (1747-1794). Franck alterou o título do poema e condensou a história: em um domingo de manhã, enquanto se ouvem os cantos e sinos da igreja, um conde do Reno faz soar as trompas e parte à caça, ao invés de assistir à missa. Por ter violado o dia sagrado de descanso, ele é amaldiçoado por uma voz terrível que o condena a ser perseguido pelos demônios por toda a eternidade.

Entre 1904 e 1905, Debussy elabora ou conclui algumas de suas obras mais importantes, entre elas a orquestral La mer. No plano pessoal, porém, ele passa por um momento turbulento: em junho de 1904, abandona sua esposa Lily, com quem estava casado havia cinco anos, e passa a viver com a cantora Emma Bardac. Em razão disso, Lily tenta o suicídio em outubro. Foi um escândalo social. Todavia, Debussy e Emma continuam juntos, obtêm os respectivos divórcios e passam a habitar uma bela mansão em Paris. No outono de 1905, nasce a única filha do casal, Claude-Emma, a quem Debussy chamava carinhosamente Chouchou. Nesse mesmo outono é estreada La mer, cuja composição fora iniciada dois anos antes. A obra não foi bem recebida – nem tampouco as outras da mesma safra –, talvez muito em função do escândalo de seu rompimento com Lily e de sua união com Emma. No entanto, trata-se de uma peça fundamental na linguagem debussyana, e uma das mais significativas do nosso tempo. Aqui, o compositor francês deixa de vez de se interessar pela dureza da tonalidade. Interessa-lhe muito mais a fluidez sempre cambiante que observa no mar, e que transpõe para o plano sonoro, reinventando com aguda personalidade a música e a linguagem musical.

Quero ser lembrado deste concerto.
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