Vinnitskaya encontra Bartók

Fabio Mechetti, regente
Anna Vinnitskaya, piano

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J. ANTUNES
BARTÓK
BRAHMS
Apoteose de Rousseau
Concerto para piano nº 1
Sinfonia nº 1 em dó menor, op. 68

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito destas duas últimas duas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos EUA e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Anna Vinnitskaya se destaca como uma das pianistas mais emocionantes de sua geração. Venceu o Concurso Rainha Elisabeth em 2007 e o Prêmio Leonard Bernstein no Festival de Música de Schleswig-Holstein em 2008. A gravação de seu primeiro recital, pelo selo Naïve, com obras de Rachmaninov, Gubaidulina, Medtner e Prokofiev, recebeu o Diapason d'Or e o Choc du Mois, pela Classica Magazine. Seu primeiro álbum orquestral, com o Concerto nº 2 de Prokofiev e o Concerto em Sol de Ravel, com a Deutsches Sinfonieorchester de Berlim sob direção de Gilbert Varga, lhe rendeu o prêmio Echo Klassik.

Programa de Concerto

Apoteose de Rousseau | J. ANTUNES

O conceito de harmonia remonta à Antiguidade Clássica e possuía significados que abrangiam tanto a simultaneidade dos sons, quanto a sua organização sucessiva. Esse entendimento permanece no século das luzes e está presente na obra de Jean-Philippe Rameau (1683-1764) que defendia a harmonia como legítima imitação da natureza e base para a construção musical, inclusive da melodia. Ao contrário de Rameau, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) defendia que a melodia era, sim, a verdadeira representante da natureza: afinal, os pássaros cantam melodias e não fazem harmonias. Além disso, os sentimentos humanos “somente” podiam ser expressos por meio de uma “bela” melodia. Em seu poema sinfônico Apoteose de Rousseau, Jorge Antunes encena, justamente, uma disputa sonora entre melodia e harmonia. E toma o partido de Rousseau. A obra oscila entre harmonias densas e sonoridades mais delicadas, conduzindo-nos a uma audição ora mais próxima a harmonias tonais, ora, atonais. Ao lado disso reconhecemos citações estilíscas barrocas, clássicas, românticas e uma melodia modal tradicional, combinados em uma composição atual, moderna e com grande força expressiva, finalizando com a melodia inicial.

Grande pianista, Béla Bartók atuou sob a direção de célebres regentes, convidado por orquestras europeias e americanas. Fez seu primeiro recital aos dez anos, quando ainda estudava com a mãe, competente professora de piano. Depois, aperfeiçoou-se com Istvan Thoman, aluno de Liszt. Durante trinta anos, Bartók lecionou piano no Conservatório de Budapeste, consolidando a fama de excelente pedagogo. Dos três concertos que escreveu para o instrumento, estreou os dois primeiros — o nº 1, sob a regência do célebre Wilhelm Furtwängler. Com o grande êxito do Segundo Concerto, despediu-se do público europeu. O Concerto nº 3, escrito no exílio americano, foi sua obra derradeira. No Concerto nº 1 triunfam os aspectos percussivos do pianismo de Bartók: sonoridades violentas, agregações de ásperos blocos substituindo os acordes tradicionais, e um mecanicismo insistente. No todo, trata-se de uma resposta bastante pessoal — e ainda hoje muito impactante — aos apelos neoclássicos e construtivistas de sua época.

Brahms tinha já 43 anos quando apresentou ao público sua primeira sinfonia — fato surpreendente para um compositor que, desde criança, se dedicara exclusivamente à música e acumulara várias obras de peso. Quando, em 1862, Brahms fixou-se definitivamente em Viena, o público já o aclamava como o “herdeiro de Beethoven”. Importantes músicos contemporâneos, como o crítico Eduard Hanslick, zelosos com a tradição musical alemã, o elegeram como a figura emblemática do movimento de reação à “música do futuro”, preconizada pelos poemas sinfônicos de Liszt e pelo drama musical wagneriano. É provável que o receio de uma comparação direta com o legado beethoveniano determinasse a demora da estreia da primeira sinfonia de Brahms. A partitura passou por um longo processo de elaboração que se arrastou por mais de 20 anos, de 1854 a 1876. Logo após a estreia da Primeira, o maestro von Bülow a denominou a Décima, aludindo à continuidade que ela representaria em relação às nove sinfonias de Beethoven. Entretanto, a Primeira é uma obra absolutamente pessoal, dosando com inteligência a variedade de recursos e os elementos de contraste, como o uso de tonalidades e compassos diferentes para cada andamento. Brahms limitou-se à orquestra usada por Beethoven na Nona Sinfonia e conseguiu cores e planos sonoros absolutamente originais que contribuem para realçar os aspectos inovadores de sua sinfonia — as sutilezas rítmicas, mudanças de acentuação, ruptura da regularidade dos compassos e a genial habilidade em variar os temas com fragmentações e inversões.

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18 mai 2017
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

19 mai 2017
sexta-feira, 20h30

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