Violoncelo em dose dupla

Michal Nesterowicz, regente convidado
Pablo Ferrández, violoncelo

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SIBELIUS
HAYDN
KORNGOLD
SIBELIUS
Pelléas et Mélisande, op. 46
Concerto para violoncelo em Dó maior, Hob. VII b:1
Concerto para violoncelo em Dó maior, op. 37
Sinfonia nº 3 em Dó maior, op. 52

Michal Nesterowicz, regente convidado

Principal regente convidado da Orquestra Sinfônica da Basileia, Suíça, Michal Nesterowicz é mundialmente requisitado por seu desempenho dinâmico e interpretações eloquentes do repertório sinfônico. Sua agenda na atual temporada inclui estreias com a Orquestra Gewandhaus, Filarmônica Holandesa, Sinfônica de Lahti, entre outras. Após visitas extremamente bem-sucedidas em temporadas passadas, ele retorna a orquestras como as sinfônicas de Barcelona, da Galícia, de Malmö, da Rádio de Praga e à Filarmônica de Minas Gerais. Na temporada 2016/2017, Nesterowicz estreou com a Orquestra Real do Concertgebouw, com a Auckland Philharmonia e a Orquestra Sinfônica Nacional RTE da Irlanda, além de se apresentar pela primeira vez em Berlim, com a Konzerthausorchester, e em Viena, com a Tonkünstler-Orchester Niederösterreich. Apresentou-se em diversas oportunidades com a NDR Elbphilharmonie Orchester, Orquestra Tonhalle de Zurique, filarmônicas de Munique e de Nice e Filarmônica Real de Liverpool. Trabalhou com a Sinfônica WDR de Colônia, Orquestra Sinfônica Alemã de Berlim, Orquestra Gulbenkian, filarmônicas de Luxemburgo, de Buffalo e de Copenhague, Sinfônica da BBC, Orquestra Nacional Bordeaux Aquitaine e Orquestra da Suíça Italiana.

Vencedor do prêmio Jovem Artista ICMA em 2016 e do XV Concurso Internacional Tchaikovsky, Pablo Ferrández é tido pelos críticos como um dos melhores violoncelistas de sua geração. Elogiado por sua autenticidade, já se apresentou como solista com as orquestras do Teatro Mariinsky, Sinfônica de Viena, as filarmônicas de Stuttgart e de Helsinque, entre outras. Em 2017, fez sua estreia no Berliner Philharmonie com a Sinfônica Alemã em Berlim, e teve apresentações de destaque com as filarmônicas da BBC e de São Petesburgo, além de ter feito uma turnê pela Europa com a orquestra de câmara Kremerata Baltica e participado do festival Maggio Musicale Fiorentino. Já colaborou com artistas como Zubin Mehta, Valery Gergiev, Yuri Temirkanov, Adam Fischer e Anne-Sophie Mutter. Ferrández se apresenta com o Stradivarius "Lord Aylesford" (1696), cedido pela Nippon Music Foundation.

Programa de Concerto

Pelléas et Mélisande, op. 46 | SIBELIUS

O ícone finlandês Jean Sibelius começou a escrever a música de cena para uma montagem de Pelléas et Mélisande, de Maurice Maeterlinck, em 1904. A obra é posterior à suíte homônima de Fauré (1898), à ópera de Debussy (1902) e ao poema sinfônico de Schoenberg (1903). O drama narra um amor impossível em tempo e lugar indeterminados. Se o enredo é simples, os locais (floresta, fonte, gruta, castelo), os objetos (coroa, anel, lampião) e as situações (cegueira, escuridão) carregam denso simbolismo. A estreia da montagem aconteceu em 17 de março de 1905, realizada no Teatro Sueco de Helsinque sob a regência do compositor. A suíte orquestral reteve nove dos dez movimentos da música de cena. Pelléas et Mélisande encerra o ciclo imediatamente anterior ao período intermediário da produção de Sibelius.

Haydn serviu por quarenta anos como músico da poderosa família Esterházy, combinando as funções de regente e compositor. Dispunha de uma excelente orquestra, permanentemente disponível para a imediata execução de suas obras. Na corte de Esterházy havia solistas brilhantes, como os violoncelistas Anton Kraft e Joseph Weigl, para quem o compositor escreveu vários Concertos. Algumas dessas partituras, pelo caráter utilitário e imediatista de sua gênese, permaneceram apenas esboçadas; outras foram destruídas no incêndio da Casa de Ópera de Eszterháza (1779) e muitas se extraviaram. Alguns manuscritos só recentemente foram descobertos, como é o caso do Concerto para Violoncelo em Dó Maior, cujo tema principal do primeiro movimento fora anotado pelo próprio Haydn no catálogo de suas obras, datado de 1765. A partitura foi reconstituída a partir das partes orquestrais encontradas por um zeloso bibliotecário de Praga, em 1961. Desde então, por suas inegáveis qualidades, o Concerto se impôs imediatamente ao repertório.

Nascido na República Tcheca, Erich Korngold mudou-se com os pais, aos dois anos, para Viena. Foi comparado a Mozart como um dos mais notáveis fenômenos musicais da história. Alcançou precocemente a maturidade como compositor e, aos treze anos, já havia criado obras sinfônicas complexas. Aos 37 anos, Korngold encontrou um lugar no qual poderia dar vazão à sua escrita fluente e orquestração precisa: os estúdios da Warner Brothers, em Hollywood. Um dos mais distintos trabalhos de Korngold – e o seu último para o cinema – é a trilha para Deception [Que o céu a condene no Brasil], filme noir de 1946. Na trama, o violoncelista Karel Novak (Paul Henreid), envolve-se com a misteriosa pianista Christine Radcliffe (Bette Davis). Christine, negando um romance passageiro com o irascível compositor Alexander Hollenius (Claude Rains), assassina-o na noite de estreia de sua última criação: um concerto que tem Novak como solista. Para as cenas, Korngold escreveu uma obra que posteriormente transformou em uma composição autônoma. O Concerto para violoncelo em Dó maior teve sua primeira execução em 29 de dezembro de 1946, com Eleanor Aller-Slatkin junto à Filarmônica de Los Angeles, sob regência de Henry Svedrofsky.

Em janeiro de 1905 Sibelius encontrava-se em Berlim, onde pôde assistir à Quinta Sinfonia de Mahler e a um concerto de Richard Strauss regendo suas obras Uma vida de herói e a Sinfonia doméstica. Ficou tão fascinado com a modernidade dessas obras que se viu logo escrevendo uma fantasia sinfônica monumental. Mas, no ano seguinte, seu entusiasmo diminuiu. A imponência da música germânica, já não mais o encantava. Ele agora buscava um tipo de composição mais simples e austera, onde a clareza formal e a economia de material melódico, harmônico e rítmico eram mais importantes do que a grandiosidade musical. Iniciava, assim, sua fase conhecida como classicismo moderno, da qual a Sinfonia no 3 foi o primeiro fruto. A obra foi composta no ano de 1907, mas os rascunhos mostram que alguns temas já se encontravam prontos desde 1904, oriundos de outras obras e reaproveitados. A estreia aconteceu no dia 25 de setembro daquele ano com a Sociedade Filarmônica de Helsinque.

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7 jun 2018
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