Zukerman, no pódio e no violino

Pinchas Zukerman, regente convidado e violino
Amanda Forsyth, violoncelo
Marcos Arakaki, regente

|    Allegro

|    Vivace

MOZART
BEETHOVEN
BRAHMS
Rondó em Dó maior, K. 373
Sinfonia nº 1 em Dó maior, op. 21
Concerto para violino e violoncelo em lá menor, op. 102

Pinchas Zukerman, regente convidado e violino

Pinchas Zukerman é, e vem sendo por mais de quatro décadas, um fenômeno no mundo da música. Seu gênio musical, técnica prodigiosa e padrões artísticos sólidos são admirados por público e crítica. Devotado à próxima geração de músicos, ele inspirou artistas mais jovens com seu magnetismo e paixão. Seu entusiasmo pelo ensino resultou em programas inovadores em Londres, Nova York, China, Israel e Ottawa. Seu nome é igualmente respeitado como violinista, violista, maestro, pedagogo e músico de câmara. Nascido em Tel Aviv em 1948, Pinchas Zukerman foi para os Estados Unidos em 1962, onde estudou na Juilliard School com Ivan Galamian. Foi premiado com a Medalha de Artes, o Prêmio Isaac Stern para Excelência Artística e nomeado o primeiro mentor instrumentista do programa Rolex Mentor and Protégé Arts Initiative na disciplina de música. Sua extensa discografia contém mais de cem títulos, contando com dois prêmios Grammy e 21 indicações. Entre os lançamentos mais recentes estão a Sinfonia nº 4 e o Concerto Duplo, obras de Brahms, em parceria com a Orquestra do Centro Nacional de Artes e a violoncelista Amanda Forsyth, gravadas em performances ao vivo no Southam Hall em Ottawa com a Orquestra Filarmônica Real.

Amanda Forsyth, vencedora do Prêmio Juno, é considerada uma das mais dinâmicas violoncelistas da América do Norte. Possui reputação internacional como solista e musicista de câmara. De 1999 a 2015 foi Violoncelo Principal da Orquestra do Centro Nacional de Artes do Canadá. Realizou turnês com as filarmônicas Real e de Israel, além de ter atuado com as orquestras da Radio de France, Gulbenkian de Lisboa, de Câmara Inglesa, Maggio Musicale, entre outras. Nos Estados Unidos, tocou com as sinfônicas de San Diego, Colorado, Oregon e Grand Rapids, além da Dallas Symphony no Texas e em turnê. Em junho de 2012, apresentou-se com a Orquestra Mariinsky em São Petersburgo, sob a batuta de Valery Gergiev. Em 2014, estreou no Carnegie Hall com a Filarmônica de Israel. Como membro fundador do grupo Zukerman ChamberPlayers, Amanda visitou diversos países da Europa, Ásia, Oceania e Oriente Médio. O conjunto foi celebrado também em uma série em Nova York na 92nd Street Y, além de ter realizado diversas turnês pela América do Sul. Já gravou pelos selos Sony Classics, Naxos, Altara, Fanfare, Marquis, Pro Arte e CBC. Em 2007, Amanda Forsyth também foi destaque na trilha sonora de Wynton Marsalis para The War, documentário sobre a II Guerra Mundial, de Ken Burns para a PBS. Sua gravação do Quinteto “A Truta” de Schubert com o Zukerman ChamberPlayers e Yefim Bronfman foi lançado pela Sony em 2008. Ano passado, uma gravação do Concerto Duplo de Brahms, com Pinchas Zukerman e a Orquestra do Centro Nacional de Artes, foi lançada pela Analekta Records. Amanda se apresenta com um raro violoncelo italiano, feito em 1699 por Carlo Giuseppe Testore.

Marcos Arakaki é Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais. Tem conduzido importantes orquestras no Brasil e também nos Estados Unidos, México, Argentina, República Tcheca e Ucrânia. Vencedor do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e do I Prêmio Camargo Guarnieri (2009), foi regente titular da Sinfônica da Paraíba e da Sinfônica Brasileira Jovem, com grande reconhecimento da crítica especializada e do público. Gravou a trilha sonora do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Natural de São Paulo, é Bacharel em Violino pela Unesp e Mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts.

Programa de Concerto

Rondó em Dó maior, K. 373 | MOZART

A motivação de Mozart ao escrever música concertante para violino deve-se, em parte, a seu cargo na corte de Salzburgo, cidade onde a preferência pública pelo instrumento era notória. E, certamente, também pelo estímulo paterno – no ano do nascimento do compositor, seu pai Leopold publicara um célebre tratado sobre o ensino do violino. Para o instrumento, Mozart compôs cinco concertos completos, dentre eles o refinado Rondó em Dó maior, K. 373. Essa, última obra dele para violino e orquestra, talvez tenha sido composto como final de um concerto inédito cujo planejamento foi interrompido pelo célebre episódio de sua demissão do cargo de Salzburgo, ocorrida em maio de 1781. Um mês antes, no dia 8 de abril, Antonio Brunetti o estreou em Viena, na residência do príncipe Colloredo, pai do arcebispo de Salzburgo.

A Sinfonia nº 1 revela um artista inquieto, em busca de seus próprios ideais. Uma introdução, Adagio molto, abre a partitura com inesperado acorde dissonante. Esse começo em tonalidade incorreta foi considerado muito audacioso e reprovado pela crítica da época. A Primeira Sinfonia corrobora com a ideia do musicologista Donald Francis Tovey de uma “despedida apropriada para o século XVIII”. A obra traz a essência do estilo clássico em sua tessitura, mas já mostra algumas características que irão marcar o Beethoven que chegou aos dias de hoje.

O Concerto Duplo de Brahms é o coroamento de uma trajetória marcada pela inventividade melódica, pela originalidade harmônica e rítmica, pela orquestração com um senso de medida incomum e pela capacidade de transformação de materiais temáticos, quase sempre sem perder a perspectiva que permite reconhecê-los, mesmo após longos percursos. Quando Schoenberg aponta compositores e características de suas criações, de que sua própria obra é tributária, refere-se a Brahms ressaltando “a irregularidade do número de compassos”, a “extensão e condensação de frases” e também a capacidade do compositor em conduzir cada figura “às suas últimas consequências”, sem “economizar, quando a clareza exige mais espaço”. Ao destacar outro traço importante da escritura brahmsiana – “economia e, no entanto, riqueza” –, Schoenberg aponta para um dos aspectos de maior relevo do Concerto Duplo. Última obra orquestral de Brahms, o op. 102 impressiona pelo virtuosismo – ao qual é estranha qualquer tentativa de meramente impressionar –, pela riqueza e consequência do diálogo estabelecido com um longo percurso composicional, pela rara capacidade do compositor em conduzir o discurso musical com unidade e diversidade.

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17 ago 2017
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