|    10 nov 2011

Fabio Mechetti recebe Honra ao Mérito

Maestro recebeu o diploma de Honra ao Mérito na Câmara Municipal de Belo Horizonte

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No dia 9 de novembro, o Maestro Fabio Mechetti recebeu, na Câmara Municipal de Belo Horizonte, o diploma de Honra ao Mérito. Confira aqui as palavras que o Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica proferiu na solenidade:

 

Sra. Vereadora Elaine Matozinhos
Sr. Vereador Silvinho Rezende
Sr. Presidente do Instituto Cultural Filarmônica, Diomar Silveira
Sr. Presidente do Conselho Administrativo do Instituto Cultural Filarmônica, Jacques Schwartzman
Sra. Janaína Cunha Melo, superintendente de Ação Cultural, aqui representando a Secretária de Estado da Cultural Eliane Parreiras
Sra. Vilma Mechetti
Sra. Miriam Salles
Demais autoridades aqui presentes, Senhoras e Senhores.

 

É com grande satisfação e profundo agradecimento que venho a esta Casa receber tão importante e significativa distinção. Agradeço imensamente a indicação da Vereadora Elaine Matozinhos e a lembrança de meu nome como alguém que vem dando sua modesta contribuição para melhorar cada vez mais a qualidade de vida de nossa comunidade.

 

Embora seja tentador achar que eu pessoalmente sou objeto desse reconhecimento, na verdade sei que não é assim. Há cinco anos, poucos nesta Casa sabiam quem era Fabio Mechetti. Não sou belo-horizontino, não sou mineiro, não estava radicado na cultura mineira ou mesmo brasileira, tendo desenvolvido praticamente toda a minha vida profissional nos Estados Unidos há mais de 30 anos, justamente por não ter encontrado condições no país para desenvolver um trabalho contínuo de qualidade, seriedade, consistência e relevância.

 

Como músico e regente, sempre foi meu sonho poder contribuir para que no nosso país houvesse orquestras sinfônicas de qualidade, e é com muito orgulho e felicidade que vejo aqui em Minas a concretização desse sonho não só meu, mas de todos aqueles que apreciam a música erudita e sua importância no processo civilizatório da sociedade. Hoje não só me sinto mineiro como defendo nacional e internacionalmente as ações que levaram este estado a produzir história tão bonita e única.

 

Reconheço que não sou só eu quem está sendo homenageado hoje, mas sim o resultado de um trabalho singular e maravilhoso que se chama Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Não fosse a ousadia e coragem do Governo de Minas Gerais em dotar o estado de uma orquestra de nível internacional, reconhecendo a importância que instituições culturais como essa têm na sociedade, eu não estaria aqui. Não fosse a única oportunidade de ter sido convidado logo no início do processo para liderar artisticamente esse projeto, não estaria aqui. Não fosse a confiança e apoio depositado nas diretrizes por mim estabelecidas na implementação inicial do projeto para que tivéssemos uma orquestra de primeira linha em Minas Gerais, não estaria aqui. E também aqui não estaria, não fosse a liberdade de ação conferida a mim e à administração da Orquestra que garantiu a consistência das ações que levaram a Filarmônica a ser hoje considerada uma das melhores orquestras do Brasil e, certamente, uma das mais importantes da América Latina.

 

A Filarmônica de Minas Gerais rompeu, sem dúvida alguma, paradigmas culturais que até recentemente estavam concentrados exclusivamente no eixo Rio–SP. O Brasil inteiro reconhece que há algo especial sendo desenvolvido em Minas Gerais e Belo Horizonte, e o estado só tem a ganhar com isso. Assim como cidades europeias ou norte-americanas utilizam a imagem de suas grandes orquestras como cartões postais de suas cidades, Minas e Belo Horizonte passam a ter mais um patrimônio relevante que identifica e valoriza nossa cidade e nosso estado. Por força do ofício viajo muito e me lembro maravilhosamente da experiência que tive na primeira vez que visitei a cidade de Cleveland, no estado de Ohio. Lá, ao se chegar ao aeroporto da cidade, somos recebidos com a seguinte frase: Welcome to Cleveland, home of the Cleveland Orchestra. Bem-vindo a Cleveland, a cidade natal da Orquestra de Cleveland. Desde aquele dia sempre trabalhei para que encontrasse outra cidade onde este passasse a ser o lema encontrado no aeroporto local. O meu objetivo é que um dia, quem sabe, ao chegarmos a Confins, possamos encontrar similar referência à Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.

 

Recentemente o Governo de Minas anunciou a construção da Sala da Filarmônica, que não só terá a função de abrigar a nossa orquestra, mas que posicionará firmemente Belo Horizonte no grande circuito cultural das capitais brasileiras e internacionais. O investimento anunciado trará inúmeros benefícios a esta cidade, além daqueles diretamente relacionados com nossas atividades específicas. É comprovado no mundo inteiro que a construção de espaços culturais nas cidades não só humaniza essas comunidades, mas reverte para elas benefícios econômicos que extrapolam várias vezes os recursos ali investidos. A Filarmônica, Belo Horizonte e Minas Gerais esperam com ansiedade a inauguração, em 2014, da nova Sala da Filarmônica, o que certamente abrirá um novo capítulo na história da cultura mineira.

 

Portanto, divido esse reconhecimento com vários atores responsáveis direta ou indiretamente pelo sucesso desse grande projeto cultural. Além do Governo do Estado, incluo a dedicação e profissionalismo dos abnegados funcionários do Instituto Cultural Filarmônica, a vibração e apoio inequívoco de nossos assinantes e o público cada vez maior que vem aplaudir com frequência a nossa Orquestra e, principalmente, aqueles que fazem a Orquestra ser o que é: nossos músicos. Conscientes da responsabilidade institucional e histórica que o projeto Filarmônica representa no cenário da música sinfônica nacional, nossos músicos vêm mostrando total dedicação, empenho, profissionalismo, competência e confiança.

 

Quero entender que esse prêmio é mais do que uma honra ao mérito para o Maestro Fabio Mechetti. Esse prêmio deve ser visto como algo que, além de reconhecer indivíduos ou instituições de destaque, honra o mérito. Ele reconhece e incentiva o mérito em si enquanto a busca da excelência, enquanto agente de transformação da realidade, enquanto instrumento capaz de contribuir para a emancipação da sociedade. Quando honramos o mérito, reconhecemos que é através dele que combateremos tudo aquilo que ainda necessita de transformação: seja as desigualdades sociais, seja as oportunidades econômicas, seja o atraso que ainda vivemos na formação educacional de nosso povo, seja as reformas da sociedade que ainda estão por vir.

 

Nosso papel, enquanto artista, é usar de nosso talento, de nossa apurada preparação profissional, da nossa constante busca de superação técnica e espiritual, enfim, da valorização do nosso esforço individual e coletivo representados pela pura definição do que é mérito, para influenciar a transfiguração do momento que vivenciamos, buscando sempre propor uma realidade melhor. Creio ser este o papel fundamental do artista e da arte em geral na sociedade, algo que tenho o orgulho de dizer que estamos fazendo paulatinamente com esse projeto de excelência chamado Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.

 

Portanto, essa honra hoje recebida será vista por todos nós que estamos envolvidos com a Orquestra, não só como reconhecimento do trabalho realizado, mas como um grande estímulo e incentivo ao nosso papel transformador na contínua superação e excelência daquilo que fazemos, para que Belo Horizonte, Minas Gerais e o Brasil cresçam não só economicamente, mas também com uma sociedade culturalmente emancipada.

 

Agradeço a presença de todos vocês nesta noite e parabenizo a Câmara Municipal de Belo Horizonte por esta iniciativa. Muito obrigado mais uma vez e boa noite!