A Finlândia de Sibelius e Mustonen

Olli Mustonen, regente convidado e piano

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MUSTONEN
MOZART
SIBELIUS
HINDEMITH
Velha igreja em Petäjävesi
Concerto para piano nº 25 em Dó maior, K. 503
Tapiola, op. 112
Metamorfose sinfônica sobre temas de Weber

Olli Mustonen, regente convidado e piano

Seguindo os passos de mestres como Rachmaninov, Busoni e Enescu, o finlandês Olli Mustonen ocupa um espaço único no mundo sinfônico ao combinar diferentes papéis em seu trabalho: é, em igual e fascinante medida, regente, compositor e pianista. Durante sua carreira, já se apresentou com algumas das mais importantes orquestras do mundo, como todas as de Londres, Royal Concertgebouw, as filarmônicas de Berlim, Nova York e Los Angeles, a Sinfônica de Chicago e a Orquestra de Paris. Vencedor do Prêmio Hindemith da Cidade de Hanau (Alemanha, 2019), sua vida como compositor está frequentemente posicionada entre o tocar e o conduzir, trazendo seus próprios trabalhos para o palco. Além de sua atuação como Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Turku, na Finlândia, também conduziu outras orquestras do país, como a Sinfônica da Rádio Finlandesa, a Filarmônica de Helsinki e a Jyväskylä Sinfonia. Recentemente, regeu e apresentou a estreia de novas e importantes obras em Muziekgebouw em Amsterdam, Wigmore Hall em Londres, em Hong Kong e no Festival Beethovenfest, em Bonn, Alemanha. Nascido em Helsinque, Olli Mustonen começou a estudar piano, cravo e composição com apenas cinco anos.

Programa de Concerto

Velha igreja em Petäjävesi | MUSTONEN

Na região central da Finlândia, no município de Petäjävesi, rodeada por lagos, florestas e paisagens agrícolas, está uma pequena igreja. Construída a partir de troncos de pinho entre 1763 e 1765 pelo mestre construtor Jaakko Leppänen, a igreja recebeu uma torre sineira em 1821, acrescentada pelo neto do mestre, Erkki Leppänen. Patrimônio da Humanidade da Unesco desde 1994, a construção combina influências dos estilos renascentista, barroco e gótico, bem como as técnicas tradicionais de construção em toras aplicadas pela população camponesa da Escandinávia. A cerca de trezentos quilômetros dali está Vantaa, cidade natal de Olli Mustonen, localizada na região metropolitana de Helsinki. Esta foi a distância percorrida pelo compositor para realizar uma visita ao monumento. Duzentos anos separam a construção da igreja e o nascimento do compositor. Ao longo dos cinco movimentos de Velha igreja em Petäjävesi, Mustonen realiza uma viagem no tempo: volta à Petäjävesi do século XVIII ou traz toda a sua história para o século XXI. O primeiro movimento retrata o espírito dos construtores, com suas "barbas de madeira voando para cá e para lá e o trovão dos martelos". A cena é vivamente representada pelos ritmos cruzados entre cordas e madeiras, antes de se transferir para um movimento mais contemplativo. Um turbilhão de cores ilustra o terceiro movimento, um scherzo denominado Demônios. Um lamento da viola embala o quarto, antes dos ventos uivantes e a tempestade de neve serem trazidos pelo piccolo e as cordas.

Quando, em meados de 1781, Mozart instalou-se em Viena para iniciar a vida de artista autônomo aos 25 anos, apresentações como virtuose em saraus aristocráticos e “academias” (concertos por subscrição, organizados pelo compositor) tornaram-se sua fonte de renda. A cronologia dos dezessete concertos para piano do período, parte importantíssima de sua produção e do repertório, fornece uma medida de seu sucesso em Viena. O Concerto em Dó maior, K. 503 encerra o período da celebridade do artista na capital austríaca. Nenhum outro concerto de Mozart depende tanto, em sua abertura, da intensidade e da expansão da massa orquestral. A seção de desenvolvimento culmina num cânon quádruplo em oito partes, que só encontra comparação em uma passagem do rondó final do Primeiro Concerto para Piano, em ré menor, de Johannes Brahms, de 1858. O Andante difere dos movimentos lentos mozartianos pelo recurso à forma sonata. O Allegretto final, em rondó-sonata, adapta o tema principal da Gavota da música de balé da ópera Idomeneo, de 1781. Como quase todos os seus finais de concerto, Mozart concebeu-o no espírito efusivo e conciliador de um fim de opera buffa: coloca-se no palco um elenco habilmente contrastado de personagens, e suas diferenças se dissolvem no convívio.

Marco musical do século XX e obra-prima de Jean Sibelius, o poema sinfônico Tapiola é o último suspiro orquestral do compositor, que ainda viveu trinta anos em silêncio. Composto em grande parte na Itália, foi escrito pouco depois da Sétima Sinfonia e pode ser considerado como o ponto alto de um período iniciado na Quinta Sinfonia, época em que Sibelius criou músicas que partem de elementos pequenos até se tornarem feitos extraordinários. Com um título que referencia Tapio, o deus das florestas no poema épico finlandês Kalevala, a peça, no entanto, não se restringe à evocação de personagem ou paisagem. "A minha inspiração para Tapiola veio inteiramente da natureza, ou ainda mais precisamente de algo inexprimível em palavras", declarou ao seu secretário particular. Em Tapiola restitui-se a visão da natureza em igual valor à arte; exprime-se um mundo virgem, selvagem e natural, ausente de vida humana, que parece veicular a mensagem de solidão do mundo. Encomenda da Sociedade Sinfônica de Nova York, a peça foi concluída em 1926 e estreada em 26 de dezembro do mesmo ano pela mesma instituição, sob regência de Walter Damrosch.

Paul Hindemith foi um dos mais importantes compositores do século XX. Seu estilo, chamado de neoclássico, foi influenciado pelas técnicas contrapontísticas de J. S. Bach. Suas Metamorfoses Sinfônicas (1943) se originaram de um antigo projeto para um balé – não realizado – que consistia de uma suíte orquestral sobre temas de Carl Maria von Weber. Entretanto, ao contrário do sugerido pelo título, trata-se de variações sobre peças inteiras, e não apenas sobre temas melódicos. Hindemith criou uma música tipicamente pessoal, com novas partes acrescentadas em contraponto, harmonias enriquecidas, ajustes rítmicos e estruturais e toda uma orquestração diferente. Apesar disso, os traços gerais das peças de Weber podem ser reconhecidos sob as variações. Cada um dos quatro movimentos baseia-se em uma peça diferente, na maior parte duetos de pianos, com exceção do segundo movimento, que utiliza a Abertura de Turandot. A estreia da peça se deu em 1944, com Arthur Rodzinski à frente da Filarmônica de Nova York.

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