A linguagem romântica de Saint-Saëns – filho

Fabio Mechetti, regente
Cármelo de los Santos, violino

SAINT-SAËNS
ROSSINI
ROSSINI
ROSSINI
ROSSINI
Concerto para violino nº 3 em si menor, op. 61
La gazza ladra: Abertura
Cinderela: Abertura
O senhor Bruschino: Abertura
Semiramide: Abertura

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Cármelo de los Santos é violinista e pedagogo. Aos 16 anos, foi o mais jovem vencedor do Prêmio Eldorado de Música, em São Paulo. Desde então, se apresentou com a Filarmônica de Montevidéu, a Orquestra Musica d’Oltreoceano (Roma) e as sinfônicas de Mississippi do Sul, de Santa Fé, a Osesp e a Petrobras Pró-Música. Em 2002, estreou em Nova York como solista e regente no Weill Recital Hall do Carnegie Hall junto à Orquestra de Câmara ARCO. Cármelo foi laureado em diversas premiações internacionais, como o Concurso Internacional de Instrumentos de Corda "Júlio Cardona" (Portugal), a Associação Nacional de Professores de Música (EUA) e o Concurso Internacional de Jovens Artistas (Argentina). É Bacharel pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Mestre pela Manhattan School of Music, Nova York (EUA), Doutor pela Universidade da Georgia (EUA) e professor titular na Universidade do Novo México (EUA). Em 2009, recebeu o Prêmio Açorianos de Melhor CD Erudito e Melhor Intérprete Erudito pelo CD Sonatas Brasileiras (Selo UFRGS), lançado com o pianista Ney Fialkow, com obras de Villa-Lobos, Guarnieri e Santoro.

Programa de Concerto

Concerto para violino nº 3 em si menor, op. 61 | SAINT-SAËNS

O opus 61 é o último dos três concertos para violino escritos por Saint-Saëns. Ele é um exemplo claro da vinculação visceral de Saint-Saëns à linguagem romântica. Concluído em 1880, foi dedicado ao grande virtuoso Pablo de Sarasate. Outras obras de Saint-Saëns dedicadas a Sarasate revelam um foco bem direcionado na exibição virtuosística do intérprete, bem como o conhecimento e domínio do compositor na linguagem e no estilo violinísticos. Já o Concerto nº 3 é bem mais focado na inventividade melódica que em efeitos virtuosísticos e desvela outro lado da mentalidade musical romântica, não menos apaixonada, mas com arroubos que se dirigem mais a uma espécie de contemplação da intimidade do compositor, do que a bravuras do intérprete virtuoso.

Exemplo típico de ópera semisséria, alternando elementos trágicos e cômicos, La gazza ladra de Rossini é baseada em um fato real: o julgamento de uma criada, injustamente acusada de furto. Depois de sua condenação à morte, descobriu-se que as joias tinham sido apanhadas por uma pega, ave que costuma roubar objetos e levá-los para seu ninho. Apesar desse libreto pouco plausível, a ópera tornou-se mais um retumbante sucesso na carreira do compositor italiano. A alegre Abertura consolidou-se como peça isolada de concerto e, confirmando sua popularidade, foi incluída por Stanley Kubrick na trilha sonora de seu filme Laranja Mecânica. Inicia-se com brilhante rufar de tímpanos (dois personagens são soldados que retornam da guerra) e mostra uma cintilante orquestração, de brilho e habilidade ímpares, colorindo as irresistíveis melodias. Um crescendo tipicamente rossiniano conduz à conclusão de grande efeito teatral.

A releitura para o conto de fadas de Charles Perraut foi uma das vinte óperas escritas por Gioacchino Rossini num intervalo de oito anos. Cinderela, em italiano, La Cenerentola, foi escrita entre o fim de 1816 e o início de 1817, bem a tempo da estreia durante temporada de Carnaval em Roma, em 25 de janeiro, no Teatro Valle. Tendo enfrentado problemas com a censura do Vaticano em trabalhos anteriores no Teatro Valle, Rossini questionou se o libretista Jacopo Ferretti teria "coragem" de escrever uma adaptação para os palcos de uma obra tão clássica. Desafiado, Ferretti produziu o esboço em uma madrugada e o entregou a Rossini no dia de Natal. O libreto ficou pronto em vinte e dois dias. Como em uma prova de revezamento, em que libretista e compositor caminham praticamente juntos, Rossini veio logo atrás, terminando a partitura em vinte e quatro dias. As performances iniciais receberam críticas indecisas, mas, pouco tempo depois, Cinderela decolou, tornando-se uma das óperas mais amadas do século XIX. Para conseguir entregar a partitura a tempo dos ensaios e da estreia, o compositor acabou por pegar emprestado alguns temas de outras óperas. E dessa maneira foi criada a Abertura desse trabalho.

A farsa em um ato foi produzida no Teatro San Moisè, em Veneza, em 1813. O senhor Bruschino ganhou, ao longo do tempo, notada importância graças à lenda de que Rossini teria se vingado de seu empresário por este tê-lo desagradado com um libreto impossível. Em consequência, Rossini teria incluído na partitura todo tipo de extravagâncias e desafios para os instrumentistas. No entanto, o biógrafo Giuseppe Radicciotti refuta tais mitos. A partitura, ao contrário do que a história afirma, é a personificação da alegria e da leveza. A ópera falhou em Veneza, mas atingiu sucesso genuíno em 1857, pelas mãos de Offenbach, em uma produção no Théâtre des Bouffes-Parisiens, na capital francesa, à qual Rossini se recusou a comparecer.

Dotada de riquezas secretas, a abertura de Semiramide é um exemplo representativo dos processos estabelecidos pela opera seria italiana. Desde 1814, no posto de diretor dos teatros reais de Nápoles, Rossini deveria fornecer duas óperas por ano para a cidade, o que resultou em um notável repertório de opere serie. Composta em 1822, Semiramide, a última produção do compositor no gênero, estreou em 3 de fevereiro de 1823 no Teatro La Fenice, em Veneza. Foi escrita com libreto de Gaetano Rossi, que por sua vez se baseou na tragédia Sémiramis, de Voltaire. Já o filósofo francês se inspirou na lenda babilônica para escrever a obra de 1749. Com invenção melódica sempre tão rica e, em igual medida, grande expressão dramática, esta ópera antecipa a grand-opéra à francesa, que muito em breve seria reconhecida por autores como Halévy e Mayerbeer.

Quero ser lembrado deste concerto.
adicione à agenda 16/07/2021 8:30 PM America/Sao_Paulo A linguagem romântica de Saint-Saëns – filho false DD/MM/YYYY