A melodia inesquecível de Glazunov – filho

Marcos Arakaki, regente
Michael Barenboim, violino

BRAHMS
GLAZUNOV
SCHUBERT
Abertura Festival Acadêmico, op. 80
Concerto para violino em lá menor, op. 82
Sinfonia nº 5 em Si bemol maior, D. 485

Marcos Arakaki, regente

Marcos Arakaki é Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais. Tem conduzido importantes orquestras no Brasil e também nos Estados Unidos, México, Argentina, República Tcheca e Ucrânia. Colaborou com artistas de renome, como Pinchas Zukerman, Gabriela Montero, Sergio Tiempo, Anna Vinnitskaya, Sofya Gulyak, entre outros. Vencedor do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e do I Prêmio Camargo Guarnieri (2009), foi Regente Titular da Sinfônica da Paraíba e da Sinfônica Brasileira Jovem, com grande reconhecimento da crítica especializada e do público. Gravou a trilha sonora do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Natural de São Paulo, é Bacharel em Violino pela Unesp e Mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts. Nos últimos anos, Arakaki tem contribuído de forma decisiva para a formação de novas plateias, por meio de apresentações didáticas, bem como para a difusão da música de concertos através de turnês a mais de 70 cidades brasileiras.

Filho do maestro e pianista Daniel Barenboim e da pianista russa Elena Bashkirova, Michael Barenboim nasceu em 1985, em Paris. Comprometido com o espectro romântico da música sinfônica, o violinista é reconhecido por suas performances de autores contemporâneos e de compositores do século XX. Na temporada passada, Barenboim fez sua estreia com as filarmônicas de Berlim, Viena e Israel, e também com a Sinfônica de Chicago. Como membro fundador do Quarteto Erlenbusch, o músico já se apresentou em importantes festivais como o de Lucerne, Salzburgo, o Beethovenfest Bonn, Granada e Jerusalém. Além de colaborações frequentes com sua mãe e outros artistas, sua parceria com o maestro e compositor Pierre Boulez rendeu a gravação dos Anthèmes 1 e 2, do próprio Boulez, pela gravadora Accentus Music.

Programa de Concerto

Abertura Festival Acadêmico, op. 80 | BRAHMS

Em 1879, a Universidade de Breslau fez de Brahms Doutor em Filosofia – ele nunca havia frequentado formalmente uma universidade. O compositor, lisonjeado, enviou um postal em agradecimento. No entanto, recebeu como resposta uma carta do diretor de Música deixando claro que esperavam que a gratidão fosse expressada em forma de música. Surge assim a Abertura Festival Acadêmico. Nela, Brahms citou canções estudantis que, mescladas a temas próprios do compositor, resultam em uma peça de humor e ironia. A obra termina com o hino Gaudeamus igitur [Portanto, deixe-nos ser felizes] - que, por tradição, os estudantes cantavam em coro na cerimônia de entrega dos diplomas.

O Concerto para violino de Aleksandr Glazunov foi composto em 1904 e dedicado ao violinista Leopold Auer. A estreia se deu no início de 1905 pela Sociedade Musical Russa, em São Petersburgo, com Leopold Auer ao violino e direção do compositor. O Concerto foi escrito em um único movimento, embora se divida em três partes. A primeira parte, Moderato, inicia-se com o primeiro tema, de caráter russo, no violino solista. Violino e orquestra nos conduzem ao segundo tema, uma melodia doce e tranquila. A segunda parte, Andante sostenuto, apresenta uma melodia derivada do primeiro tema. A música torna-se cada vez mais agitada para, pouco a pouco, retornar à tranquilidade do início. A volta do Moderato nos remete à primeira parte, com a diferença que, desta vez, somos logo surpreendidos pelo segundo tema, prontamente variado por toda a orquestra. A música do solista que, desde o início da segunda parte, tornara-se cada vez mais complexa, atinge, desta vez, o extremo da dificuldade técnica, com uma longa cadência escrita pelo próprio compositor. O caráter de improviso da cadência nos conduz à terceira parte, Allegro, iniciada por uma fanfarra dos trompetes, logo imitada pelo violino solista. O Concerto atinge o auge de seu brilho num jogo de perguntas e respostas entre o solista e a orquestra, até o final animado e cheio de vitalidade.

Schubert nunca ouviu suas sinfonias apresentadas por orquestras profissionais. Somente em seus últimos anos, as seis primeiras tornaram-se mais conhecidas, quando execuções mais frequentes revelaram o frescor e a encantadora simplicidade dessas partituras. As três primeiras sinfonias constituem exercícios de um jovem gênio sobre o modelo clássico de Haydn e Mozart. A quarta, denominada Trágica, é uma incursão prematura do compositor no universo beethoveniano – a escolha da tonalidade de dó menor e a amplitude da orquestra, com quatro trompas, revelam o modelo da Quinta Sinfonia de Beethoven. Composta em 1816, a Sinfonia nº 5 de Schubert retoma o modelo mozartiano e sintetiza as aquisições técnicas anteriores do compositor – clareza formal, interesse contrapontístico e transparência de orquestração, além da habitual riqueza melódica. Divide-se em quatro movimentos: o Allegro apresenta interessante jogo contrapontístico; o tema do Andante con moto tem um caráter pastoral e traz um inesquecível dueto entre as cordas e as madeiras; o Minueto, de grande vigor, é uma evidente homenagem ao Mozart da sinfonia em sol menor; e o alegre Allegro vivace termina essa obra-prima marcando-a com uma enternecedora originalidade juvenil. A Sinfonia nº 5 em Si bemol maior teve sua primeira audição pública em Viena, a 17 de outubro de 1841, treze anos após a morte de Schubert.

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