A música francesa é uma pintura – filho

Fabio Mechetti, regente
Joyce Yang, piano

DUTILLEUX
PROKOFIEV
RAVEL
RAVEL
Métaboles
Concerto para piano nº 3 em Dó maior, op. 26
Valsas nobres e sentimentais
La Valse

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

O mundo só conheceu Joyce Yang em 2005, quando a pianista conquistou a Medalha de Prata no Concurso Internacional de Piano Van Cliburn. Então com 19 anos, Joyce – a mais jovem concorrente presente – levou não só o segundo lugar no prêmio mais importante da noite, como também mais duas vitórias. Desse momento em diante, a sul-coreana já cativou os públicos das filarmônicas de Nova York, Los Angeles, da BBC e as sinfônicas de Chicago, São Francisco, Baltimore, Toronto, San Diego e Sydney. O primeiro contato de Joyce com o piano foi com a tia, aos quatro anos. Aos 11 anos, mudou-se para os Estados Unidos para estudar na Juilliard, onde apresentou o Concerto para piano nº 3 de Prokofiev com apenas doze anos. Após graduar-se com honras, Joyce Yang começou a percorrer os Estados Unidos e o Canadá com recitais solo ou em colaboração com orquestras, como a turnê asiática da Filarmônica de Nova York. Ela é uma artista Steinway.

Programa de Concerto

Métaboles | DUTILLEUX

Henri Dutilleux é hoje reconhecido como um dos mais importantes compositores da segunda metade do século XX. Espírito recluso e independente, sua obra é uma reflexão sobre o silêncio, o tempo e a memória. Segundo Dutilleux, “o fato de inventar música tem ligação – para além do trabalho artesanal – com uma forma de cerimônia, com algo quase sagrado, que encerra uma grande parte de mistério e magia”. Essas palavras revelam traços essenciais de seu temperamento: a recusa da banalidade, o perfeccionismo e um rigoroso senso de estrutura. Como em Mahler e Bruckner, a orquestra desempenha um papel fundamental em seu pensamento, mas a maneira como ele a utiliza remete, antes, à tradição musical francesa, particularmente a Debussy e Ravel; Bartók e Stravinsky são também influências notáveis em sua formação. O próprio compositor descreve Métaboles como “um concerto para orquestra. Cada uma das cinco partes favorece uma determinada família de instrumentos: madeiras, cordas, percussão, metais e todo o conjunto para finalizar.” O título Metáboles é explicado pela metamorfose do material musical, submetido “por etapas sucessivas, a uma verdadeira mudança de natureza”. Os cinco movimentos encandeados sem interrupção levam a arte da variação a um alto grau de refinamento e complexidade.

Após um aprendizado rigoroso no Conservatório de São Petersburgo, em 1918 Sergei Prokofiev deixou a Rússia revolucionária para realizar uma extensa turnê pela América do Norte. O Concerto para piano nº 3 em Dó maior é a principal obra sinfônica dos quatro anos em que ele viveu como um compositor “bolchevique” nos Estados Unidos. Ao estrear em Chicago em 16 de dezembro de 1921, com o compositor ao piano e a Chicago Symphony sob a regência de Frederick Stock, o opus 26 foi saudado como “o mais belo concerto moderno para piano”. Um mês depois, o autor executou-o com o amigo Albert Coates e a New York Symphony em Manhattan. Durante sua estada em Nova York, Prokofiev foi intérprete de compositores consagrados como Schumann, Chopin e Rachmaninov, inserindo poucas composições de sua autoria ao final das apresentações. Anos depois, no segundo pós-guerra, seu Terceiro Concerto para piano estava no repertório da primeira geração norte-americana de pianistas modernos, que deixou um conjunto importante de registros: William Kapell com Leopold Stokowski e a Philharmonic-Symphony (RCA, 1949, no Carnegie Hall, ao vivo); Van Cliburn com Walter Hendl e a Chicago Symphony (RCA, 1960); Byron Janis com Kirill Kondrashin e a Filarmônica de Moscou (Mercury, 1962, Conservatório de Moscou); e Julius Katchen, com István Kertész e a London Symphony (Decca, 1968).

Embora frequentemente se associe a obra, a pessoa e a linguagem de Ravel a Claude Debussy, numa amálgama “impressionista”, deve-se observar que a orientação estética de Ravel tem tamanha originalidade e aponta para caminhos da música do século XX, que sua importância talvez se iguale à do próprio Debussy. Para as Valsas nobres e sentimentais, Ravel teve em Schubert seu primeiro modelo. No entanto, não toma as valsas de Schubert como paradigmas, mas como exemplos de um gênero que ele ironiza e desconstrói. O modelo principal desse processo, porém, são as valsas de Strauss e a valsa francesa dos salões elegantes de Paris. Embora o esquema rítmico da dança permaneça sempre vívido nas oito pequenas seções de que se constitui a obra de Ravel, o que se percebe não é a onipresença da valsa, mas sua evocação. A harmonia é a de um Ravel já totalmente vinculado ao século XX, que não tem medo de libertar a dissonância e que dela não faz apenas colorido, mas sonoridade dotada de significado, o que levou o próprio Debussy a declarar, antes de conhecer-lhe a autoria, que se tratava de obra composta “pelo ouvido mais refinado que jamais poderia ter existido”. A versão orquestral, publicada em 1913, foi feita com vistas a um balé intitulado Adelaide, ou a linguagem das flores.

Ravel tem seu nome indissoluvelmente ligado à dança. Ela aparece, na obra do compositor, a evocar os mais diversos sentimentos e estados de espírito. A composição do Poema Coreográfico La Valse teve um percurso peculiar. Desde 1906, Ravel acalentava a ideia de homenagear o célebre compositor vienense Johann Strauss e iniciou a composição de um poema sinfônico. A eclosão da Primeira Guerra Mundial interrompeu o trabalho, retomado em 1919, quando Diaghilev, diretor dos Ballets Russes, convenceu o compositor a transformar o projeto em um balé. Porém, ao ouvir La Valse em versão para piano a quatro mãos – apresentada, em 1920, por Ravel e Alfredo Casella –, Diaghilev teria dito tratar-se de uma obra-prima, porém inadequada para versão coreográfica: era “apenas a pintura de um balé”. La Valse foi estreada como peça de concerto em 12 de dezembro de 1920 – uma peça que é toda fantasia, emoção, arrebatamento. Nove anos após a estreia, graças aos esforços de Ida Rubinstein (célebre bailarina e atriz russa), a Ópera de Paris apresentou a primeira coreografia para a obra.

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