A música que permanece – filho

Cláudio Cruz, regente convidado e violino

|    Vivace 2021

BRAGA
MOZART
SCHUBERT
MENDELSSOHN
Cauchemar
Concerto para violino nº 3 em Sol maior, K. 216: "Estrasburgo"
Ferrabrás, D. 796: Abertura
Sinfonia nº 5 em Ré maior, op. 107, "Reforma"

Cláudio Cruz, regente convidado e violino

Cláudio Cruz é Regente Titular e Diretor Musical da Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. No Brasil, tem atuado como regente convidado em muitas orquestras, entre elas a Osesp, a OSB e as sinfônicas do Paraná, Porto Alegre e dos teatros Municipal de São Paulo e Nacional Cláudio Santoro. Em outros países, regeu a Sinfonia Varsovia, New Japan Philharmonic, Hyogo PAC Orchestra, Sinfônica de Hiroshima, entre outras. Também no exterior, apresentou-se no Festival de Verão da Caríntia (Áustria) e no Festival Internacional de Música de Cartagena (Colômbia). Em sua discografia estão três álbuns com a Orquestra de Câmara Villa-Lobos, um deles consagrado a obras de Edino Krieger. Com a Sinfônica de Ribeirão Preto, gravou Beethoven e Mozart, aberturas de óperas e obras de Tom Jobim com arranjos de Mario Adnet. O álbum gravado com a Northern Sinfonia e com o renomado violoncelista brasileiro Antonio Meneses, com obras de Elgar e Gál, foi indicado ao Grammy. Gravou Villa-Lobos, Guerra-Peixe e Shostakovich em 2015 e Berlioz e Tchaikovsky em 2016 com a Orquestra Jovem do Estado de São Paulo. Violinista consagrado, foi spalla da Osesp entre 1990 e 2014.

Programa de Concerto

Cauchemar | BRAGA

“Tive um sonho, que não há entendimento humano capaz de dizer que sonho foi. Olhos humanos jamais viram, ouvidos humanos jamais ouviram, os sentidos não podem conceber, nem a língua exprimir o que foi que sonhei”. Assim o tecelão Bottom desperta, confuso, em Sonho de uma noite de verão, de William Shakespeare. O trecho, uma vã tentativa de definição do sonho, foi entendido por Francisco Braga como alegoria de um pesadelo enigmático e sem significação. Ele utilizou esse fragmento da fábula como epígrafe do poema sinfônico Cauchemar (pesadelo, em francês), que compôs em Paris, em 1895. Cauchemar é uma obra representativa da primeira fase de Francisco Braga, de pura influência francesa, e coroa o período de cinco anos em que foi discípulo do compositor Jules Massenet. Aos vinte e sete anos, ao final de seu curso no Conservatório de Paris, regeu, na Galerie des Champs Elysées, um programa de obras exclusivamente de compositores brasileiros, estreando então seu Cauchemar.

A obra de Mozart é prodigiosamente pródiga, se considerarmos os seus apenas trinta e cinco anos de vida! O principal de sua obra são, sem dúvida, suas óperas e suas missas. Seu trabalho instrumental tem destaque na música vocal, a que sempre se dedicou. Esse modelo transparece nos cinco concertos para violino de Mozart, de 1775, quando o compositor residia ainda em Salzburgo, onde ocupava o posto de mestre de concertos da Corte Arquiepiscopal. Essas obras, provavelmente, dedicavam-se a eventos da Corte. Mozart não se mostra, no entanto, alheio às possibilidades do violino e, sem grandes arroubos de virtuosidade, sabe explorar, nesses concertos, a sua linguagem. O luminoso Concerto em Sol maior, terceiro dos cinco, não traz maiores novidades formais ou melódicas. Trata-se de um concerto bem ao gosto do modelo clássico, com três movimentos bastante distintos: o primeiro em forma sonata; o segundo, um adágio de modelo nitidamente vocal; e o terceiro, um rondó final. É de se notar o diálogo que o violino trava com o oboé no primeiro movimento. E igualmente notável é o final do último movimento, que, ao invés de brilhante, opta por ser, por assim dizer, delicado, o que lhe reforça o caráter de dança. Impossível comentar mais o que uma música tão sólida já diz por conta própria, como tudo em Mozart…

Schubert completou nove óperas, das quais apenas duas singspiel, A flauta mágica e Os irmãos gêmeos, ganharam os palcos com o autor ainda vivo. Sua mais ambiciosa obra operística, Ferrabrás, não foi recebida com entusiasmo em Viena quando finalizada, em 1823. Tendo como base o libreto de Josef Kupelwieser, irmão de um amigo do compositor, Leopold Kupelwieser, a ópera em três atos foi considerada não encenável e o libreto, pretensioso. Com quatro trompas e três trombones, a Abertura, no entanto, foi uma das peças de Ferrabrás que ganhou as salas de concerto. O enredo se passa no tempo de Carlos Magno e conta a história do nobre cavaleiro mouro Ferrabrás. A Abertura é inflada com a urgência, ternura e ousadia da história, por sua introdução imponente e dramática.

Com o advento dos concertos pagos, o Romantismo trouxe para a música a ideia do artista independente, genial, respeitado e endeusado pelo público. Um dos músicos mais festejados de sua época, Felix Mendelssohn exemplifica essa nova ordem social. Filho de um poderoso banqueiro israelita, menino prodígio, recebeu uma educação sofisticada, abrangendo ciências, artes e o melhor do cânone da música ocidental. Suas obras aliam a elegância e o refinamento da escrita clássica a um espírito já romântico que se mantém sincero, bem-comportado, às vezes idílico. Na Sinfonia nº 5, Mendelssohn emprega algumas melodias tradicionais da liturgia luterana, visando à celebração, em Augsburgo, do tricentenário da Reforma Protestante de 1530 – entre elas, o coral utilizado por Bach, em 1730, para a mesma comemoração. Por motivos políticos, a Sinfonia só estreou em 1832, em Berlim, regida pelo próprio compositor. Como maestro, Mendelssohn foi ousado e exerceu forte influência na vida musical de seu tempo. Reapresentou a Paixão segundo São Mateus de Bach, exatamente um século após sua estreia; revelou ao público a Grande Sinfonia em Dó maior de Schubert e divulgou, em primeiras audições, a música renovadora de Schumann, cuja carreira incentivou incondicionalmente.

22 out 2021
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
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