A orquestra clássica

Fabio Mechetti, regente
Mikhail Bugaev, viola

|    Fora de Série 2021

MOZART
HUMMEL
ROSSINI
PROKOFIEV
Sinfonia nº 35 em Ré maior, K. 385, "Haffner"
Fantasia para viola em sol menor, op. 94
Semiramide: Abertura
Sinfonia nº 1 em Ré maior, op. 25, "Clássica"

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Mikhail Bugaev nasceu em Novosibirsk, Rússia. Durante sua formação no Conservatório Estatal de Novosibirsk, onde estudou com Yuri Mazchenko, Mikhail iniciou sua carreira profissional como membro da Orquestra Sinfônica de Novosibirsk e da Novosibirsk Kamerata. Em 2009, mudou-se para os Estados Unidos para prosseguir os estudos e, em 2013, completou seu doutorado na Michigan State University, sob orientação de Yuri Gandelsman. Nos Estados Unidos, Bugaev tocou regularmente com Kalamazoo, Flint, Lansing e as sinfônicas de West Michigan e Traverse; foi músico convidado nas orquestras sinfônicas de Minnesota, Grand Rapids, Arkansas e West Virginia. Como solista, apresentou-se com a Orquestra Sinfônica de Novosibirsk, a Novosibirsk Kamerata e a Orquestra Sinfônica de Livingston. É um ativo músico de câmara, tendo participado de festivais com o Quarteto São Petersburgo, Yuri Gandelsman, Ilya Kaler, Suren Bagratuni e Walter Verdehr. Como educador, foi membro do corpo de professores do Blue Lake Fine Art Camp de 2012 a 2018.

Programa de Concerto

Sinfonia nº 35 em Ré maior, K. 385, "Haffner" | MOZART

Em 1776, Mozart recebeu de seu amigo Sigmund Haffner filho, a encomenda de uma obra para celebrar o casamento de sua irmã. O pai de Sigmund, além de respeitado negociante, havia sido prefeito de Salzburgo. Mozart compôs então uma serenata em oito movimentos (K. 250). Em julho de 1782, Sigmund Haffner filho era elevado à posição de Cavaleiro do Reino. Leopold Mozart escreveu ao filho transmitindo o pedido de Sigmund de uma nova serenata para essa ocasião. Wolfgang vivia em Viena e estava sobrecarregado de trabalho. Ainda assim, para não desapontar o pai, resolveu aceitar a encomenda, prometendo enviar a nova obra, parte por parte, assim que fosse sendo composta. Em dezembro, Mozart pediu ao pai que lhe enviasse o manuscrito da “nova sinfonia que compus para o Haffner.” Embora fosse originalmente pensada como música de divertimento, e composta com muita pressa, era de qualidade ímpar. A estreia se deu sob sua regência, em concerto beneficente promovido pelo próprio Mozart, no Burgtheater, em 23 de março de 1783, e foi um sucesso.

O caso de Hummel é tristemente representativo de muitos compositores do início do século XIX. Considerado hoje um precursor de Chopin e Liszt, além de ter sido protegido de Haydn em Esterházy, aluno de Mozart e amigo de Beethoven, caiu no quase esquecimento após sua morte. Felizmente, ele e outros estão voltando a desfrutar da popularidade que merecem. Até pouco tempo, a Fantasia para viola em sol menor, op. 94 era conhecida apenas em outra versão com quase metade de duração. Dedicada a um amigo violinista, também pode ser encontrada com a denominação Potpourri. Foi composta em 1820 e publicada um ano depois acompanhada de uma versão para violoncelo e orquestra feita pelo próprio compositor (op. 95).

Dotada de riquezas secretas, a abertura de Semiramide é um exemplo representativo dos processos estabelecidos pela opera seria italiana. Desde 1814, no posto de diretor dos teatros reais de Nápoles, Rossini deveria fornecer duas óperas por ano para a cidade, o que resultou em um notável repertório de opere serie. Composta em 1822, Semiramide, a última produção do compositor no gênero, estreou em 3 de fevereiro de 1823 no Teatro La Fenice, em Veneza. Foi escrita com libreto de Gaetano Rossi, que por sua vez se baseou na tragédia Sémiramis, de Voltaire. Já o filósofo francês se inspirou na lenda babilônica para escrever a obra de 1749. Com invenção melódica sempre tão rica e, em igual medida, grande expressão dramática, esta ópera antecipa a grand-opéra à francesa, que muito em breve seria reconhecida por autores como Halévy e Mayerbeer.

A trajetória musical de Prokofiev divide-se em três períodos bem distintos – a fase russa, a ocidental e a soviética. É ao final da primeira fase que pertence sua Primeira Sinfonia. Em seus anos de estudante, ele entrou em contato com a obra inovadora de Debussy e Schoenberg. Intuitivamente, sua música se associava à estética da época, à pintura de Kandinsky e à literatura de Maiakovski. Aos vinte e cinco anos era bastante conhecido, e algumas de suas composições (entre elas, o Concerto para piano nº 2) causavam espanto pela aspereza harmônica e rítmica. A Sinfonia Clássica, concebida segundo os processos formais de Haydn, pareceu uma resposta do compositor. Na verdade, a motivação de Prokofiev era bem mais prosaica: tratava-se de compor uma sinfonia sem o auxílio do piano.