A orquestra contemporânea

Fabio Mechetti, regente
Rafael Alberto, marimba

|    Fora de Série 2021

ADAMS
YOSHIMATSU
VILLA-LOBOS
The Chairman Dances: Foxtrot para orquestra
Concerto para marimba, op. 109, "Bird Rhythmics"
Bachianas Brasileiras nº 2

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Rafael Alberto é Percussionista Principal da Filarmônica de Minas Gerais desde 2011. Natural de Santos (SP), iniciou seus estudos formais em música no Conservatório de Tatuí, sob orientação de Javier Calvino e Luis Marcos Caldana. Seguiu na Universidade Estadual Paulista (Unesp), graduando-se sob orientação de John Boudler, Carlos Stasi e Eduardo Gianesella. Em 2011, concluiu seu mestrado em música pela Stony Brook University, em Nova York, como aluno de Eduardo Leandro. Participou dos festivais Música nas Montanhas (sétima edição), em Poços de Caldas, de Música de Santa Catarina, de Inverno de Campos do Jordão (em quatro edições) e foi aluno da 33ª Cloyd Duff Timpani Masterclass, na Universidade da Georgia (EUA). Juntamente com Leonardo Gorosito, é membro-fundador do Desvio, grupo dedicado a compor e interpretar novas peças para percussão. O duo tem dois discos, sendo o segundo, Ritmos Brasileiros, lançado pelo selo Naxos. Suas peças têm sido executadas por músicos de países como Inglaterra, França, Bélgica, Japão, Singapura, Dinamarca e Estados Unidos. Como solista junto à Filarmônica, Rafael executou o Concerto para vibrafone, de Ney Rosauro, em 2012 e o Concerto para vibrafone, de Villani-Côrtes, em 2017.

Programa de Concerto

The Chairman Dances: Foxtrot para orquestra | ADAMS

Graças a um estilo dotado de riqueza musical e variedade estilística, John Adams conseguiu tornar-se um dos compositores norte-americanos mais tocados nas salas de concerto. De 1985, seu foxtrote para orquestra The Chairman Dances é uma peça representativa de sua linguagem, em que orquestração colorida e harmonias diatônicas convivem com passagens minimalistas e jazzísticas. A peça não é um “excerto” nem uma “fantasia sobre temas” de sua ópera Nixon na China, mas foi descrita pelo compositor como um aquecimento para embarcar na criação desse grande trabalho, uma resposta puramente musical à irresistível ideia de um jovem Mao Tsé-Tung dançando o foxtrote com sua amante Jiang Qing, atriz e futura Madame Mao, peça-chave na Revolução Cultural Chinesa e membro do Bando dos Quatro. Em um ensaio sobre The Chairman Dances escrito em 1999, John Adams escreveu: “Na surreal cena final da ópera, Madame Mao interrompe as entediantes formalidades de um banquete de estado, perturba o lento protocolo e convida o presidente (Chairman), presente somente por uma fotografia de 40 pés na parede, a ‘descer (...) e dançar’”.

Takashi Yoshimatsu nasceu em Tóquio, em 1953, e foi aluno da Universidade de Keio. Compositor autodidata, tocou em grupos de jazz e de rock antes de fazer sua estreia na composição em 1981, com Trenodia para Toki, um canto fúnebre à ave símbolo do Japão, declarada extinta naquele ano. De lá até 2010, ano da criação de "Bird Rhythmics", foram inúmeras as obras com representações programáticas de aves. A Sonata Fuzzy Bird (1991), o concerto Cyber Bird (1994) para saxofone, piano e orquestra, e a sexta sinfonia Birds and Angels (de 2013), apresentam exemplos de longas passagens coloridas pelo canto de pássaros. Juntamente com este Concerto para marimba constituem peças emblemáticas dos cantos de pássaros propostos por Yoshimatsu, que atravessam estilos como o clássico, o folclórico e o jazz.

A segunda Bachiana de Villa-Lobos foi composta em 1930. É curioso perceber certa identidade entre alguns aspectos “descritivos”, por assim dizer, dessa obra, e as tendências literárias da ficção brasileira de então. Se nesse momento floresce o romance regionalista em nossa Literatura, é interessante notar os subtítulos que Villa-Lobos atribui a cada um dos movimentos: Canto do Capadócio, Canto da Nossa Terra, Lembranças do Sertão e, sobretudo, O Trenzinho do Caipira. Este último é um dos trechos mais populares de toda a série, talvez só superado pela Ária da Bachianas Brasileiras nº 5. Em O Trenzinho do Caipira, a música criada por Villa lembra o movimento de uma locomotiva, com fortes influências da música sertaneja que ouvia em suas viagens de descoberta pelo interior do país.