As vozes de Mozart

Fabio Mechetti, regente
Marly Montoni, soprano
Leonardo Neiva, barítono

|    Presto 2021

MOZART
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As bodas de Fígaro, K. 492 (excertos)
Don Giovanni, K. 527 (excertos)
Sinfonia nº 40 em sol menor, K. 550

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Marly Montoni estreou no Theatro Municipal de São Paulo em 2017, como Leonora em Fidelio de Beethoven. No mesmo palco, interpretou também obras de Verdi, Puccini, John Adams, Andrew Lloyd Weber e Elodie Bouny. Em Belo Horizonte, foi a protagonista em Porgy e Bess de Gershwin, no Palácio das Artes. Integrou o elenco estável do Theatro São Pedro, e neste palco foi Odaleia em Condor, de Gomes e Wally em La Wally de Catalani. Na Série Concertos Internacionais do mesmo teatro, interpretou trechos de Don Carlo, de Verdi, ao lado do baixo italiano Roberto Scandiuzzi.Cantou também com a Orquestra Sinfônica de Campinas e atuou no Festival de Ópera do Teatro da Paz em Belém. Trabalhou com os diretores musicais Roberto Minczuk, Silvio Viegas, Luiz Fernando Malheiro, André dos Santos, Ligia Amadio e Pedro Messias, e os cênicos Caetano Vilela, William Pereira, Cleber Papa e Mauro Wrona. Marly Montony é Bacharela em Canto pela Universidade Cruzeiro do Sul. Aperfeiçoou-se com Antonio Lotti; atualmente prepara seu repertório com Rafael Andrade.

Nascido em Brasília, o conceituado barítono Leonardo Neiva é conhecido por sua desenvoltura cênica e versatilidade vocal. Estudou com Francisco Frias na Escola de Música de Brasília e na UnB antes de aprimorar-se na Itália com Rita Patané e Ernesto Paláci. Desde sua estreia profissional, venceu o concurso internacional Bidu Sayão, o XII Prêmio Carlos Gomes na categoria de melhor cantor masculino por sua interpretação de Le Grand Prêtre em Sansão e Dalila, de Saint-Saëns, Eneias em Dido e Eneias, de Purcell e no poema sinfônico Kullervo, de Sibelius. Protagonizou Os Miseráveis, de Schoenberg, no Brasil e no México. Já atuou na Sala São Paulo, no Teatro Municipal de Santiago (Chile), no Teatro São Carlos de Lisboa, teatros municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, Palácio das Artes, bem como no Festival Amazonas de Ópera. Foi Bottom na estreia brasileira de Sonho de uma noite de verão, de Britten. Estreou na França no Teatro do Capitólio de Toulouse com Rienzi, de Wagner, sob direção de Jorge Lavelli. Sob regência de Isaac Karabtchevsky, gravou com a Osesp a Sinfonia nº 10, "Ameríndia", de Villa-Lobos. Em 2018, foi o protagonista no musical O Fantasma da Ópera, de Andrew Lloyd Webber. Leonardo Neiva é especialista em Teatro Musical e professor de canto e interpretação no Sesi Vila Leopoldina, São Paulo.

Programa de Concerto

As bodas de Fígaro, K. 492 (excertos) | MOZART

As bodas de Fígaro é a primeira das três colaborações de Mozart com o libretista Lorenzo Da Ponte – as outras duas são Don Giovanni e Così fan tutte. É uma ópera em quatro atos, cuja estreia se deu em maio de 1786, no Burgtheater, em Viena, sob regência do compositor. Para escrevê-la, Mozart baseou-se na peça homônima de Beaumarchais, segunda parte da trilogia do autor francês que começa com O barbeiro de Sevilha e termina com A mãe culpada. A trama se passa em um único dia, o do casamento de Fígaro com Susanna. Ambos trabalham e vivem no castelo do Conde de Almaviva que tenta, de todo modo, seduzir a noiva de seu criado antes da cerimônia. Desta obra ouviremos a Abertura, duas árias e um recitativo.

Abertura | Porgi amor | Hai già vinta la causa | Crudel, perché finora

Não faltam lendas sobre a composição de Don Giovanni, sendo a principal delas a velocidade da escrita. Conhecido por sua capacidade de trabalhar freneticamente, há quem diga que Mozart escreveu a Abertura de uma de suas obras-primas líricas na madrugada de 28 para 29 de outubro de 1787 – data da estreia da ópera – e que sua mulher Constança lhe contava histórias só para mantê-lo acordado enquanto rabiscava as notas no papel pautado. Auxiliado pelo libretista Lorenzo Da Ponte na missão de recontar o já conhecido mito de Don Juan, Mozart trouxe uma perspectiva nem trágica e nem inteiramente cômica, mas sim urbana e irônica. Ao longo de uma noite, um dia e outra noite, seguimos o personagem que dá nome à obra levados por uma partitura carregada de nuances. Após mais de dois séculos de sua estreia – no Teatro Nacional de Praga em 1787 –, continua a se revelar de forma única a cada montagem. A música em Don Giovanni é uma celebração da ópera italiana do século XVIII, mas se posiciona, na história da música, como também um prenúncio do Romantismo. Da obra, ouviremos a Abertura, duas árias e um recitativo.

Abertura | Crudele, non mi dir | Deh vieni alla finestra | Là ci darem la mano

Penúltima obra do gênero do compositor, pertence à fase final de sua vida e mostra o modelo de música que Beethoven iria seguir ou transcender e com o qual todo o sinfonismo do século XIX se veria mais ou menos em débito. Sobre ela escreveram desde von Nissen, primeiro biógrafo de Mozart, a Hector Berlioz. Sobre ela ainda hoje há os mais variados comentários, que ora a associam ao Sturm und Drang [Tempestade e Ímpeto], ora a um sentimento trágico do compositor em relação a si mesmo. Alfred Einstein afirma que nem ela nem a que a seguiu (Júpiter) teriam sido compostas para serem executadas, mas que seriam um “legado de Mozart à posteridade”. A afirmação é revestida de polêmica, pois há alguns indícios de que ela tenha sido apresentadas quando Mozart ainda vivia. O fato é que ela deve ter sido estreada entre o ano de sua composição e o ano da morte de Mozart. É fato também que as três últimas sinfonias foram compostas em menos de seis semanas, no mesmo ano de 1788. Esta obra desvela o Mozart de sempre, mas, se é permitido dizê-lo, menos dramático e mais trágico: menos persona e mais pessoa... ainda admiravelmente clássico, mas surpreendentemente além disso.