Cello em choro e concerto – filho

Fabio Mechetti, regente
Antonio Meneses, violoncelo

GUARNIERI
SAINT-SAËNS
BRAHMS
Choro para violoncelo e orquestra
Concerto para violoncelo nº 1 em lá menor, op. 33
Sinfonia nº 4 em mi menor, op. 98

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Antonio Meneses nasceu em 1957 em Recife, no seio de uma família de músicos. Começou a estudar violoncelo aos dez anos. Aos dezesseis, passou a estudar com o violoncelista Antonio Janigro em Düsseldorf e, mais tarde, em Stuttgart. Em 1977, ganhou o ARD Concurso Internacional de Munique e, em 1982, o 1º Prêmio e Medalha de Ouro no Concurso Tchaikovsky, em Moscou. Apresenta-se regularmente com as mais importantes orquestras do mundo, como as filarmônicas de Berlim, Moscou, Israel, Nova York, as sinfônicas de Viena e Londres, a Orquestra do Concertgebouw, a Orquestra da Rádio da Baviera, National Symphony Orchestra e a Sinfônica NHK de Tóquio. O artista colaborou com os maestros Herbert von Karajan, Riccardo Muti, Mariss Jansons, Claudio Abbado, Semion Bychkov, Neeme Järvi, Mstislav Rostropovich, Riccardo Chailly, entre outros. Dentre as suas diversas gravações, estão dois álbuns com Karajan e a Filarmônica de Berlim pela Deutsche Grammophon – Don Quixote de R. Strauss e o Concerto Duplo de Brahms, com a violinista Anne-Sophie Mutter. O artista toca um violoncelo de Alessandro Gagliano feito em Nápoles, 1730.

Programa de Concerto

Choro para violoncelo e orquestra | GUARNIERI

No início dos anos 1960, Camargo Guarnieri interrompeu sua atividade composicional por um período. Este hiato de um ano precede suas últimas criações, quando as peças para violino e orquestra deixam de ser o foco, e o lugar passa a ser ocupado por obras destinadas a instrumentos variados. Distante do tonalismo expresso em trabalhos anteriores, surge o Choro para violoncelo e orquestra, trabalho de 1961. Nas palavras do compositor, “apaixonado, muito expressivo e acentuadamente nacional”. A série Choros havia sido inaugurada dez anos antes, em 1951, com o Choro para violino e orquestra, obedecendo sempre à estrutura de solista e orquestra.

Saint-Saëns começou a estudar piano aos três anos e, aos onze, apresentou-se na Sala Pleyel, em Paris. Em sua longa carreira (tinha 81 anos quando realizou sua última turnê aos Estados Unidos) conheceu os principais compositores franceses, de Berlioz a Debussy. Foi aluno de Gounod e professor de Fauré. Inquestionável é seu papel histórico na renascença da música instrumental francesa. Entre os concertos, o primeiro dedicado ao violoncelo, op. 33, impõe-se pelo equilíbrio formal e o uso idiomático do instrumento solista. O violoncelo é explorado em todo seu potencial, com maestria e propriedade, sobretudo pela valorização da riqueza de seu registro grave médio. Quanto à forma, a grande particularidade da obra consiste no encadeamento de seus três movimentos em um só, para, juntos, se estruturarem como um allegro de sonata: o Allegro non troppo (correspondente à exposição e ao desenvolvimento) apresenta dois temas que se desenvolvem de maneira bastante expressiva. O Allegretto con moto (formalmente, um intermezzo) adota o ritmo de minueto e tem um caráter introspectivo, muito apropriado ao instrumento solista. O Molto allegro (reexposição/recapitulação) acrescenta novo material temático e conclui a obra com elegância e beleza.

A última sinfonia de Brahms vem de sua maturidade. O compositor tinha 53 anos quando conduziu a estreia, em outubro de 1885, junto à Orquestra da Corte de Meiningen. Já a definiram como a “sinfonia de outono” – de fato, ela olha para o passado com a serenidade dos gênios. Usa, por exemplo, não só a forma barroca da chacona no Allegro energico e passionato, como também parte de um coral da Cantata nº 150 de Bach. Constrói sobre ela um ciclo de 35 variações. Ideia nascida em conversa com o regente Siegfried Ochs em 1880, quando Brahms, grande colecionador de manuscritos e originais, mostrou-lhe o coro final daquela cantata, que possuía em manuscrito inédito de copista. Robert Schumann, em seu artigo Neue Bahnen, sugeriu que o destino de Johannes Brahms era criar para a orquestra. Profecia realizada, pois ele colocou verdadeiras joias sinfônicas no mundo, e o opus 98 representa o ápice de sua escrita sinfônica soberba.

Quero ser lembrado deste concerto.
adicione à agenda 29/10/2021 8:30 PM America/Sao_Paulo Cello em choro e concerto – filho false DD/MM/YYYY