Clássico, romântico, moderno – filho

Fabio Mechetti, regente
Daniela Liebman, piano

MOZART
SCHUMANN
POULENC
Concerto para piano nº 22 em Mi bemol maior, K. 482
Manfredo, op. 115: Abertura
Sinfonieta

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia, Itália e Dinamarca. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School. Em 2022, fará sua estreia com a Filarmônica do Teatro Colón, em Buenos Aires, e a Sinfônica da Colômbia, em Bogotá.

Daniela Liebman rapidamente se estabeleceu como uma artista de eloquência, elegância e nuance. Nascida em Guadalajara, México, começou seus estudos no piano aos cinco anos e fez sua estreia aos oito com a Sinfônica de Aguascalientes. Como solista, já se apresentou com mais de vinte e cinco orquestras em quatro continentes, como as sinfônicas Nacional do Equador, Nacional do México, Nacional de Bogotá, Fladamex e Michoacan, e as filarmônicas de Ontário, Orlando, Jalisco, Boca del Río e da Cidade do México. Seu trabalho camerístico teve destaque ao estrear no Palacio de Bellas Artes, na Cidade do México, com as apresentações de Shostakovich e de Mozart com a Orquestra de Câmara de Bellas Artes. Em Nova York,  apresentou-se no Carnegie Hall com a Orquestra de Câmara Park Avenue. Artista internacional Yamaha, estreou nas gravações em 2018 com o lançamento de seu disco homônimo. Atualmente, Daniela estuda na Juilliard School na classe de Yoheved Kaplinsk. 

Programa de Concerto

Concerto para piano nº 22 em Mi bemol maior, K. 482 | MOZART

No fim de 1785 e início de 1786, enquanto trabalhava na partitura de As bodas de Fígaro, Mozart escreveu três concertos para piano. Trabalhos pertencentes ao momento mais produtivo de toda a vida do compositor, os concertos para piano eram a ocasião ideal para o público acompanhar a interseção de seu lado compositor com sua face pianista. Desde sua mudança para Viena, em 1782, até 1786, Mozart escreveu nada menos que quinze obras do tipo, pois seu sustento financeiro dependia das apresentações. E o frescor das apresentações dependia, por sua vez, de obras inéditas. Justamente por razões financeiras, Mozart agendou três apresentações ao fim de dezembro de 1786. O Concerto para piano nº 22 foi terminado no dia 16, bem a tempo da estreia, no dia 23 de dezembro. Este foi o primeiro dos concertos para piano que Mozart concebeu com clarinetes em mente, e de fato incluiu clarinetes na instrumentação. A orquestra completa inclui flauta, dois clarinetes, dois fagotes, duas trompas, dois trompetes, tímpano e orquestra de cordas.

A afinidade de Schumann com Byron já se revelara em quatro Lieder exemplares – um canto hebraico do ciclo Myrten, op. 25 e os Drei Gesänge, op. 95. No caso de Manfredo, ele realizou um magnífico estudo de caráter que, por sua identificação com o personagem retratado, transfigura-se em dolorosa e comovente confissão. A Música de Cena foi terminada em 1848 e a Abertura, em 1851. Nesse período, o compositor começou a sentir a progressiva alteração de sua saúde – a vergonha e as obscuras ameaças associadas à loucura que, em 1854, o levariam a se jogar no Reno (como Manfredo no abismo). Conduzido ao asilo de Endernich, Schumann morreu dois anos depois. Na Abertura, escrita em forma sonata rigorosamente organizada, os temas facilmente se diferenciam por seus elementos melódicos. O cromatismo exasperado, a inquietação dos ritmos sincopados, as bruscas mudanças dinâmicas disfarçam a rigidez formal, e a orquestração densa reflete a atmosfera angustiada do poema. A Abertura foi apresentada pelo compositor, a 14 de março de 1852, em Leipzig. A estreia da obra integral ocorreu em junho do mesmo ano, em Weimar, sob a direção de Liszt.

Francis Poulenc foi um reconhecido compositor orquestral de balés e concertos, mas não se dedicou à sinfonia, consistindo a Sinfonieta em sua única incursão no gênero sinfônico. Contudo, a obra assombra pelo domínio da escrita para grande conjunto instrumental, intuitivamente realizada por um orquestrador autodidata que possuía todos os predicados para se tornar um grande sinfonista. O título, que significa pequena sinfonia, remete ao objetivo do compositor de criar uma obra menor. Mas as ideias, por fim, se expandiram em quatro episódios sinfônicos bem-humorados e salpicados de pastiches estilísticos de compositores famosos, notadamente os austríacos Haydn e Mozart e os russos Tchaikovsky e Stravinsky. É evidente aí o estilo do próprio Poulenc, que, costumeiramente, reproduz, em diferentes obras, os mesmos encadeamentos harmônicos – geralmente perceptíveis em trechos líricos e apaixonados –, como os que surgem no centro do primeiro movimento da Sinfonietta e envolvem, aos poucos, o revolto tema inicial. O segundo movimento, dançante e declaradamente tchaikovskiano, é um típico scherzo – brincadeira, em italiano –, tanto por sua forma tripartida, devida a Beethoven, quanto pelo conteúdo jocoso de seu tema. Poulenc, em 1947, escrevera ao amigo Darius Milhaud: "tive uma boa primavera este ano e agora estou prestes a compor uma Sinfonieta para a BBC"; e, em nova correspondência, completara: “a Sinfonieta foi muito bem em Londres”. A Sinfonieta é claramente uma obra universal, na qual Poulenc mescla a pluralidade de influências à sua peculiar elegância e obtém uma celebração musical repleta de jeu d’esprit, de leveza e da joie de vivre típica de um genuíno artista parisiense.

Quero ser lembrado deste concerto.
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