Clássicos na Praça da Savassi

Marcos Arakaki, regente

|    Clássicos na Praça

MOZART
CLARKE/Westermann
BEETHOVEN
SUPPÉ
J. STRAUSS JR.
FERNANDEZ
DUDA
J. WILLIAMS
Sinfonia nº 40 em sol menor, K. 550: Molto allegro
A marcha do príncipe da Dinamarca (Trompete Voluntário)
Egmont, op. 84: Abertura
Poeta e Camponês: Abertura
Contos dos bosques de Viena, op. 325
Batuque
Suíte Nordestina
ET: Aventuras na Terra

Marcos Arakaki, regente

Marcos Arakaki é Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais. Tem conduzido importantes orquestras no Brasil e também nos Estados Unidos, México, Argentina, República Tcheca e Ucrânia. Colaborou com artistas de renome, como Pinchas Zukerman, Gabriela Montero, Sergio Tiempo, Anna Vinnitskaya, Sofya Gulyak, entre outros. Vencedor do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e do I Prêmio Camargo Guarnieri (2009), foi Regente Titular da Sinfônica da Paraíba e da Sinfônica Brasileira Jovem, com grande reconhecimento da crítica especializada e do público. Gravou a trilha sonora do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Natural de São Paulo, é Bacharel em Violino pela Unesp e Mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts. Nos últimos anos, Arakaki tem contribuído de forma decisiva para a formação de novas plateias, por meio de apresentações didáticas, bem como para a difusão da música de concertos através de turnês a mais de 70 cidades brasileiras.

Programa de Concerto

Sinfonia nº 40 em sol menor, K. 550: Molto allegro | MOZART

Penúltima obra do gênero do compositor, pertence à fase final de sua vida e mostra o modelo de música que Beethoven iria seguir ou transcender e com o qual todo o sinfonismo do século XIX se veria mais ou menos em débito. Sobre ela escreveram desde von Nissen, primeiro biógrafo de Mozart, a Hector Berlioz. Sobre ela ainda hoje há os mais variados comentários, que ora a associam ao Sturm und Drang [Tempestade e Ímpeto], ora a um sentimento trágico do compositor em relação a si mesmo. Alfred Einstein afirma que nem ela nem a que a seguiu (Júpiter) teriam sido compostas para serem executadas, mas que seriam um “legado de Mozart à posteridade”. A afirmação é revestida de polêmica, pois há alguns indícios de que ela tenha sido apresentadas quando Mozart ainda vivia. O fato é que ela deve ter sido estreada entre o ano de sua composição e o ano da morte de Mozart. É fato também que as três últimas sinfonias foram compostas em menos de seis semanas, no mesmo ano de 1788. Esta obra desvela o Mozart de sempre, mas, se é permitido dizê-lo, menos dramático e mais trágico: menos persona e mais pessoa... ainda admiravelmente clássico, mas surpreendentemente além disso.

A peça Egmont, de J. W. Goethe, tem como tema central a liberação política no século XVI, quando o conde Egmont lidera o povo flamengo em sua revolta contra a tirania espanhola sobre a região de Flandres. Terminou de ser escrita em 1787, quando Beethoven contava então com dezesseis anos. Foi durante esse seu período de adolescência que o jovem gênio teve contato com o trabalho de Goethe e outros autores alemães associados ao movimento literário Sturm und Drang, que valorizava os sentimentos e a originalidade em oposição ao formalismo cultuado anteriormente. A leitura de Goethe e Schiller, principalmente, canalizou aspirações artísticas de Beethoven para os ideais inflamados de liberação pessoal e revolução social. A força comunicativa dessas peças provocava intensa reação do público, e elas certamente tornaram-se modelos estéticos fundamentais para o jovem compositor, que visava ampliar o conteúdo emocional de suas obras. A música de Egmont, porém, só seria escrita anos mais tarde, para uma reapresentação vienense da peça, em maio de 1810. Compõe-se de nove números, incluindo duas canções para a heroína Clärchen. Raramente é executada integralmente; a Abertura, em compensação, tornou-se célebre e permanece obrigatória no repertório das grandes orquestras.

Uma valsa em forma de poema sinfônico, escrita numa fase em que Johan Strauss Jr. estava tão à vontade que já sentia liberdade para experimentar. A obra Contos dos bosques de Viena foi incluída no programa da primeira edição do Concerto de Ano Novo da capital austríaca, em 1939, que só teve composições de Johann Strauss Jr. Realizado anualmente pela Orquestra Filarmônica de Viena na Sala Dourada do Musikverein da capital austríaca, o espetáculo é atualmente transmitido para aproximadamente cinquenta milhões de pessoas. Dotado de tamanha força expressiva, o opus 325 se tornou uma das mais célebres valsas do compositor.

Lorenzo Fernandez, junto com Villa-Lobos e Francisco Braga, tornaram-se expoentes do nacionalismo e do modernismo brasileiros. Foi inclusive Braga quem regeu a estreia da suíte Reisado do Pastoreio, em três movimentos, de Lorenzo Fernandez. O Batuque final causou entusiasmo. É a peça mais conhecida desse compositor eclético que se dedicou a vários gêneros. Fernandez foi parceiro de Villa-Lobos em muitas atividades musicais e, se sua carreira não fosse inesperadamente interrompida aos cinquenta anos (na véspera de sua morte, fora muito aplaudido, ao reger um concerto na Escola Nacional de Música), Lorenzo Fernandez poderia ter tido destaque semelhante ao do amigo.

Tubarão (1975), Contatos imediatos de terceiro grau (1977), Guerra nas estrelas... É longa a lista de colaborações de John Williams com diretores como Steven Spielberg e George Lucas. Mais do que trilhas que acompanham a cena, algumas de suas composições são parte fundamental do enredo destes filmes, começando na simplicidade das duas notas de Tubarão e chegando até a inesquecível melodia que abre todos os Guerra nas estrelas. Seu longo currículo fala por si. Williams criou mais de cem trilhas originais em quase cinquenta anos de carreira. Alguns deles, como E.T. – O extraterrestre, são exemplos de como o trabalho de compositor e diretor se atravessam. Nas suas próprias palavras, “eu escrevi a música matematicamente, para coincidir com todos os acontecimentos. Quando executamos com a orquestra, e eu tinha o filme na minha frente, eu... nunca conseguia uma gravação perfeita, que soasse correta musical e emocionalmente. (...) E ele [Steven Spielberg] disse, ‘por que você não tira o filme? Não olhe para ele. Esqueça o filme e conduza a orquestra da maneira como você gostaria de fazer em um concerto, para que a performance seja completamente livre de medidas e considerações matemáticas’. Assim eu fiz e todos concordamos que a música soava melhor”.

8 set 2019
domingo, 11h00

Praça da Savassi
concerto gratuito

Concerto gratuito e aberto ao público, na Praça da Savassi. Não há distribuição de ingressos.

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