Concerto de encerramento do Laboratório de Regência

Emanuelle Guedes, regente
Felipe Gadioli, regente
Ana Laura Mathias Gentile, regente
Raphaela Lacerda, regente

|    Laboratório de Regência

WEBER
BRAHMS
ROSSINI
BEETHOVEN
O Franco-atirador: Abertura
Abertura Trágica, op. 81
Semiramide: Abertura
Abertura Leonora nº 3, op. 72b

Emanuelle Guedes, regente

Emanuelle Guedes tem 24 anos e é natural de Cuiabá (MT). De 2011 a 2013, estudou piano na Escola de Música Villa-Lobos. Integrou, em 2016 e 2017, o grupo de percussão [re]Percute-UFMT. Participou do 1º Congresso Brasileiro de Percussão realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em 2018 foi aprovada para o cargo de Regente Assistente da Orquestra Sinfônica CirandaMundo, para o ciclo de 2018/2019. Sob orientação de Flávia Vieira, foi regente bolsista da Orquestra de Câmara da UFMT entre 2017 e 2020. Participou da classe de regência orquestral na 15ª edição do Festival de Música de Santa Catarina, em 2020, sob orientação do maestro Gregory Carreño. Em junho de 2021, concluiu a graduação em Regência pela Universidade Federal de Mato Grosso.

O violinista Felipe Gadioli é graduado em Regência pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É Regente Adjunto da Filarmônica de Valinhos, Maestro Titular do Coral Trilhas, Regente Titular da Orquestra Comunitária de Jundiaí e professor no Instituto Gomes Cardim. Foi Regente Assistente da Orquestra Sinfônica da Unicamp por dois anos. Foi aluno de cursos de regência, como Academia da Osesp, Oficina de Regência do maestro Abel Rocha, Festival de Curitiba e, atualmente, frequenta a masterclass de regência da Emesp com o maestro Cláudio Cruz. Felipe já conduziu orquestras na Sala Cecília Meireles, Sala São Paulo, Teatro Municipal Castro Mendes, Teatro Guaíra, Teatro Municipal de Santo André e no Teatro da Universidade de Maryland (USA), no One World Festival. Foi orientado por maestros como Isaac Karabtchevsky, Marin Alsop, Abel Rocha, Louis Langrée, Robert Treviño e Benjamin Zander.

Ana Laura Mathias Gentile é natural de Ribeirão Preto (SP). É Bacharela em Regência pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), com orientação de Gil Jardim e Marco Antônio da Silva Ramos. Desde 2014, realiza colaboração pianística para instrumentistas e cantores. Atuou em produções teatrais como cantora, atriz, preparadora vocal e pianista. Cursou regência coral, com o maestro Philipp Amelung, e musicologia durante intercâmbio acadêmico na Eberhard-Karls Universität Tübingen (Alemanha). Entre 2017 e 2019, regeu a Orquestra de Sopros da ECA-USP e foi Regente Assistente do Coral da ECA-USP. Em 2019, foi finalista do VII Concurso para Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais na categoria de regência orquestral. Atualmente, estuda canto lírico com Denise de Freitas e participa das masterclasses de regência oferecidas pelo maestro Cláudio Cruz com a Orquestra Jovem do Estado de São Paulo.

Natural de São Paulo (SP), Raphaela Lacerda é Bacharel em Música com Habilitação em Regência pela Unesp. Participou de diversos cursos e masterclasses com regentes como Marin Alsop, Stefan Blunier, Cristian Macelaru, Giancarlo Guerrero, Robert Treviño, entre outros. Em 2019, foi finalista do Concurso para Regente Assistente da Orquestra Experimental de Repertório e foi convidada a integrar a Classe de Regência da Academia de Música da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, sob orientação de Marin Alsop e Wagner Polistchuk. Em concertos, esteve à frente da Orquestra Sinfônica de Santo André e da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo. Frequenta a classe de Regência do maestro Cláudio Cruz na Emesp. Foi selecionada para cursar mestrado em Regência Orquestral nos EUA com o maestro Christopher Russell.

Programa de Concerto

O Franco-atirador: Abertura | WEBER

Em O Franco-atirador (1821), seu maior sucesso, Carl Maria von Weber retratou a natureza, revelando os mistérios de uma floresta fantástica, sombria, impregnada dos temores supersticiosos da mitologia germânica. Fiel à tradição vienense de Haydn e Mozart, Weber foi um romântico que encontrou no classicismo a melhor forma para se expressar. Com uma orquestra pouco maior que a de Mozart e sempre mantendo um admirável equilíbrio sonoro, o compositor criou efeitos fascinantes, cujo grande poder sugestivo leva o ouvinte ao mundo encantado de suas histórias. Para a criação de O Franco-atirador, Weber usou um libreto do poeta Friedrich Kind, inteiramente inspirado em lendas populares. A ação se passa na Alemanha, logo após a Guerra dos Trinta Anos. A história de amor do caçador Max por Ágata (filha do chefe Cuno) envolve uma competição de tiro entre os guardas florestais, balas de prata, encantamentos, o caçador-fantasma Samiel (o diabo da mitologia germânica) e pactos tramados na assustadora Caverna dos Lobos. Na Abertura, o compositor usa melodias inteiras da própria ópera, tecendo-as como movimento sinfônico de grande unidade.

Ao examinar a lista de composições de Brahms, um fato curioso salta aos olhos: sua predileção por compor pares de obras do mesmo gênero. Ainda mais curioso é o fato de que estes pares geralmente se caracterizam por obras com humor contrastante: enquanto uma é impetuosa, exuberante e cheia de vida, sua congênere costuma ser misteriosa, introspectiva, e até mesmo melancólica. A Abertura Trágica, op. 81 tem também seu par: a Abertura Festival Acadêmico, op. 80, escrita em agradecimento ao título de Doutor Honoris Causa recebido da Faculdade de Filosofia da Universidade da Breslávia, em que o autor tratou com certa grandiloquência leves canções estudantis. De caráter diametralmente oposto é a Abertura Trágica, obra intensa, dramática e, em alguns momentos, cheia de melancolia.

Dotada de riquezas secretas, a abertura de Semiramide é um exemplo representativo dos processos estabelecidos pela opera seria italiana. Desde 1814, no posto de diretor dos teatros reais de Nápoles, Rossini deveria fornecer duas óperas por ano para a cidade, o que resultou em um notável repertório de opere serie. Composta em 1822, Semiramide, a última produção do compositor no gênero, estreou em 3 de fevereiro de 1823 no Teatro La Fenice, em Veneza. Foi escrita com libreto de Gaetano Rossi, que por sua vez se baseou na tragédia Sémiramis, de Voltaire. Já o filósofo francês se inspirou na lenda babilônica para escrever a obra de 1749. Com invenção melódica sempre tão rica e, em igual medida, grande expressão dramática, esta ópera antecipa a grand-opéra à francesa, que muito em breve seria reconhecida por autores como Halévy e Mayerbeer.

A Abertura Leonora nº 3 foi composta para uma reapresentação da ópera Fidelio, em 1806. Inicia-se com um Adagio, rico em modulações, que introduz o Allegro seguinte, em forma de sonata com dois temas. O desenvolvimento inclui material referente às peripécias do drama, como a ária do prisioneiro Florestan e os toques imponentes dos trompetes que lhe anunciam a liberdade. Mas a Abertura possui autonomia – seu estilo sinfônico e a realização concisa e equilibrada garantiram-lhe, com justiça, a permanência nas salas de concerto.