Corpo em movimento

José Soares, regente convidado

|    Concertos para a Juventude

HAENDEL
MOZART
HAYDN
BRAHMS
DVORÁK
OFFENBACH
TCHAIKOVSKY
FAURÉ
NEPOMUCENO
SANTORO
Música Aquática: Suíte nº 2 em Ré maior, HWV 349
Sinfonia nº 39 em Mi bemol maior, K. 543: Minueto: Allegretto
Sinfonia nº 100 em Sol maior, “Militar”: Allegretto
Dança Húngara nº 4 em fá sustenido menor
Dança Eslava, op. 46, nº 8
Orfeu no Inferno: Cancã
O Quebra-nozes: Suíte nº 1, op. 71a: Danças Características
Pavana, op. 50
Série Brasileira: Batuque: Moderato e muito ritmado
Frevo

José Soares, regente convidado

Natural de São Paulo, José Soares iniciou-se na música com sua mãe, Ana Yara Campos. Estuda Regência Orquestral com o maestro Cláudio Cruz, em parceria com a Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Participou como bolsista nas edições de 2016 e 2017 do Festival Internacional de Inverno Campos do Jordão, sendo orientado, em especial, por Marin Alsop, Arvo Volmer, Alexander Libreich e Giancarlo Guerrero. Recebeu, nesta última, o Prêmio de Regência, tendo sido convidado a atuar como regente assistente da Osesp em parte da temporada 2018, quando regeu o concerto matinal junto com Marin Alsop. Como convidado, regeu as orquestras Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo e a Jovem do Theatro São Pedro, esta em uma produção pocket de La Cenerentola de Rossini. Atualmente cursa o bacharelado em Composição pela Universidade de São Paulo.

Programa de Concerto

Em meados de 1788, Mozart vivia um período extremamente difícil, início da miséria humilhante que marcaria o último capítulo de sua vida. Um dia antes de terminar a Sinfonia nº 39, escrevera ao amigo e credor Johann Puchberg solicitando mais um empréstimo; três dias depois, morria sua filha Tereza. Entretanto, em apenas seis semanas, Mozart concluiu mais duas sinfonias (as de números 40 e 41), profundamente diferentes entre si e igualmente perfeitas. Fenômeno ainda mais intrigante, pois permanece enigmático o motivo de tamanho empenho composicional – essas três obras-primas incomparáveis foram criadas sem encomenda imediata e julga-se que o próprio Mozart não chegou a ouvi-las. As últimas sinfonias, com audácia inaudita, exibem o gênio de Mozart em plenitude e revelam o alcance de seu legado incomparável para o gênero: notável percepção do equilíbrio estrutural; um jogo fascinante das texturas orquestrais (sobretudo dos instrumentos de sopro); a prodigiosa riqueza harmônica; e o surpreendente e rigoroso cultivo do estilo fugato dos antigos mestres.

Originalmente escritas para piano a quatro mãos, as Danças Húngaras estão entre as obras mais conhecidas de Johannes Brahms. Seu interesse pela música cigana cresceu durante uma turnê com o violinista húngaro Eduard Reményi, em 1853. Brahms era conhecido entre os amigos por seu senso de humor e é bem possível que as Danças sejam o melhor exemplo deste lado divertido da personalidade do compositor. São 21 ao todo, publicadas em dois grupos, entre 1868 e 1880. Delas, Brahms também lançou as dez primeiras em versão para piano solo e orquestrou apenas três.

As Danças Eslavas estão entre as criações mais populares de Dvorák. Elas transbordam melodias do folclore eslavo, sem deixar de lado o estilo original do compositor. Escritas entre 1878 e 1886, elas formam dois conjuntos de oito danças cada divididas entre os opus 46 e 72. Foram originalmente compostas para serem tocados no piano a quatro mãos, mas são comumente ouvidas nas versões orquestrais feitas pelo próprio compositor a pedido de seu editor. A oitava e última dança do opus 46 é uma Furiant, rápida e agitada.

Conta a lenda que Orfeu foi o melhor músico que já pisou na terra. Com o poder da música, domou animais selvagens, fez com que as árvores o seguissem e despertou para a vida seres inanimados. Ele tocou tão divinamente a lira que todos pararam para ouvi-lo. Quando sua amadíssima esposa, Eurídice, morreu, foi buscá-la no Hades, e a força de sua lágrima suavizou até o severo deus dos mortos… Mas, a versão de Jacques Offenbach para Orfeu no Inferno é de outra ordem. Escrita como ópera burlesca, transformou-se em uma sátira na qual Orfeu e Eurídice não levam uma típica vida de casal – estão cansados um do outro e, por isso, já nenhum deles é fiel aos votos do matrimônio. Enquanto Orfeu se encanta com as suas belas alunas, Eurídice jura amor a Aristeu. Depois de descoberta a traição e em prol da sua imagem, Orfeu prepara a morte do amante da mulher e esta corre para lhe contar os planos do marido… Aristeu (na verdade, Plutão disfarçado) atrai Eurídice e toma o mesmo veneno que ela, em nome do amor. Ela morre e é conduzida por Aristeu/Plutão para o inferno. Orfeu fica feliz com a morte da mulher, mas, para seu infortúnio, a opinião pública exige que vá salvá-la.

Criado no ano anterior à morte do compositor, O Quebra-nozes se agrupa entre as obras de sua maturidade plena. Prestando homenagem à Infância e à Fantasia, representa um momento de serenidade, antes do subjetivismo sombrio da derradeira Sinfonia Patética. Tchaikovsky foi um verdadeiro Midas ao compor seu balé O Quebra-nozes. As melodias que criou estão entre as mais memoráveis do mundo da música e podem ser ouvidas por toda parte na cultura popular. É o caso das Danças Características.

Em 1897 Alberto Nepomuceno apresentou, em primeira audição no Brasil, a Sinfonia em sol menor e a Série Brasileira. As peças sinalizavam dois aspectos primordiais de sua produção: a Sinfonia refletia a maestria técnica adquirida pelo compositor em longos anos de aprendizado europeu. Já a Série tornou-se um marco inicial para a orientação nacionalista da música brasileira – no Batuque final a percussão inclui um reco-reco, o que enfureceu a crítica mais ortodoxa da época. Aos 24 anos, Nepomuceno mudou-se para a Europa. Em Roma, no Liceu Musical Santa Cecília, estudou piano com Giovanni Sgambati e harmonia com Cesare de Sanctis. Ainda aperfeiçoou-se na Alemanha, Áustria e Noruega – foi amigo muito próximo de Grieg. Escrita em Berlim aos 27 anos, a Série Brasileira é dividida em quatro partes e encerrada pelo Batuque.

O vocábulo frevo nasceu da pronúncia errada do verbo ferver. Assim, na primeira década do século XX, da frevança da folia nascia a principal dança coreográfica de rua do Carnaval recifense. Diversos compositores se encantaram pela energia melódica e o poder rítmico dessa dança. Santoro, em 1951, denominou Frevo o movimento final de seu Concerto para piano nº 1. Em agosto de 1953, na capital paulista, compôs o Frevo para piano solo, peça curta e vigorosa, dedicada ao pianista Oriano de Almeida e estreada somente em 1961 por Iris Bianchi. Em 1978, o Frevo foi arranjado para dois pianos e, em novembro de 1982, transcrito para piano, cordas e percussão; no mesmo ano, foi ampliado para grande orquestra. Nessa época, Santoro residia em Brasília, embora demitido da Orquestra do Teatro Nacional de Brasília — que hoje leva o seu nome. A versão sinfônica do Frevo demonstra suas qualidades como orquestrador, a exuberância da escrita para percussão e metais e a pujança de seu estilo nacionalista.

24 nov 2019
domingo, 11h00

Sala Minas Gerais INGRESSOS ESGOTADOS

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