Couperin por Ravel e Strauss

José Soares, regente

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GLUCK/Strauss
R. STRAUSS
POULENC
RAVEL
Ifigênia em Táuride: Abertura
Suíte de danças sobre peças para cravo de Couperin
Suíte Francesa
Le tombeau de Couperin

José Soares, regente

Natural de São Paulo, José Soares é Regente Associado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, tendo sido seu Regente Assistente desde as duas temporadas anteriores. Venceu o 19º Concurso Internacional de Regência de Tóquio (Tokyo International Music Competition for Conducting 2021), recebendo também o prêmio do público. Iniciou-se na música com sua mãe, Ana Yara Campos. Estudou com o maestro Claudio Cruz e teve aulas com Paavo Järvi, Neëme Järvi, Kristjan Järvi e Leonid Grin. Foi orientado por Marin Alsop, Arvo Volmer, Giancarlo Guerrero e Alexander Libreich no Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Pelo Prêmio de Regência recebido no festival, atuou como regente assistente da Osesp na temporada 2018. José Soares foi aluno do Laboratório de Regência da Filarmônica e convidado pelo maestro Fabio Mechetti a reger um dos Concertos para a Juventude da temporada 2019. Atualmente, cursa o bacharelado em Composição pela Universidade de São Paulo.

Programa de Concerto

Ifigênia em Táuride: Abertura | GLUCK/Strauss

Christoph Willibald Gluck foi um nome fundamental no cenário operístico europeu da segunda metade do século XVIII, promovendo “reformas” no gênero que quebraram com a hegemonia da opera seria italiana em favor de uma abordagem mais contida e direta, sem excessos, que valorizasse as personagens e a trama. Nos dias de hoje, Orfeu e Eurídice é o seu trabalho mais executado, mas Ifigênia em Táuride foi a mais popular em sua época, e muitos a consideram a grande obra-prima do compositor. Estreada em 1779, em Paris, a ópera é talvez o melhor exemplo da visão de Gluck: toda a dramaticidade e heroísmo da tragédia grega são mantidos sem que nenhum elemento musical ou performance soe como um ornamento sem propósito. A ênfase na caracterização pela música se mostrou um legado influente de Gluck nas décadas seguintes: Berlioz era um fã apaixonado e Mozart esteve presente em quase todos os ensaios da primeira montagem de Ifigênia em Viena, para ficarmos em alguns exemplos. Richard Strauss também era um grande admirador. Sua adaptação para Ifigênia em Taúride estreou em 1916, com a Metropolitan Opera, em Nova York. Essa versão acabou se tornando raridade no repertório contemporâneo, mas mantém o vigor dramático da original com o mesmo uso econômico de coloração orquestral e vocal.

Em 1919, após o fim da Primeira Guerra Mundial, Strauss decidiu mudar-se de Berlin e aceitar a proposta de assumir, com o regente Franz Schalk, a direção da Ópera Estatal de Viena. Assim que chegou na cidade, começou a trabalhar em algumas peças de balé e dança para serem apresentadas no recém-reformado Redoutensaal, um dos suntuosos salões do palácio Hofburg. A Suíte de danças inspirada na obra do compositor barroco francês François Couperin é uma dessas composições. Trata-se de um conjunto de oito danças criadas a partir de diversas peças para cravo de Couperin – Strauss sinalizou apenas algumas em sua partitura, e deixou as demais para que os ouvintes identificassem por conta própria. Os arranjos foram pensados para pequena orquestra, com a inclusão de instrumentos mais adequados ao século XX, o que gera uma combinação interessante de tendências musicais de outrora com sonoridades mais contemporâneas para o período. A Suíte de danças foi estreada no carnaval vienense de 1923, com coreografia de Heinrich Kröller.

No começo do século XX, vários músicos – às vezes de concepções opostas – uniram-se na revalorização do passado musical francês. Em 1919, Ravel apresentou Le Tombeau de Couperin, suíte de peças para piano, na linhagem dos tombeaux (homenagens póstumas) do século XVIII. O título e as dedicatórias prestavam dupla homenagem — a seis de seus amigos mortos na Primeira Guerra Mundial e à preciosa tradição musical francesa.

14 out 2023
sábado, 18h00

Sala Minas Gerais
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