De Gabrieli a Ippolitov-Ivanov

Fabio Mechetti, regente

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GABRIELI
GRIEG
HAYDN
IPPOLITOV-IVANOV
Sonata pian' e forte
Suíte Holberg, op. 40
Sinfonia nº 100 em Sol maior, Hob. I:100, "Militar"
Fragmentos Turcos, op. 62

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia, Itália e Dinamarca. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School. Em 2022, fará sua estreia com a Filarmônica do Teatro Colón, em Buenos Aires, e a Sinfônica da Colômbia, em Bogotá.

Programa de Concerto

Sonata pian' e forte | GABRIELI

Não é possível compreender a música de Giovanni Gabrieli sem considerar o contexto da Veneza do século XVI. Gabrieli nasceu entre 1554 e 1557, período em que a cidade desfrutava do auge do prestígio por ser o principal posto comercial entre o leste e o oeste, além de ser celeiro de arte, política e cultura. No centro da vida musical estava a Basílica de São Marcos, que, desde o século XIV, empregava organistas e dispunha de dois órgãos, além de um órgão positivo, que tomava emprestado quando necessário. Em 1585, depois de já ter trabalhado em Munique, na corte do Duque Alberto V da Baviera, Gabrieli foi designado organista da Basílica e, no mesmo ano, conseguiu outro posto, na Scuola Grande di San Rocco. Na Basílica, Giovanni fez mais do que apenas suceder o tio, Andrea Gabrieli, que cumpria as funções de organista e compositor. Apenas um ano depois de sua chegada, Giovanni começou a publicar os Concertos de seu tio. Rapidamente, percebeu o potencial do grupo de virtuosos que a Basílica tinha desde 1567, que lhe permitia constante experimentação da técnica musical. Além disso, como principal compositor, ele podia contratar cantores e musicistas como freelancer, o que expandiu o alcance e a expressão de suas composições. Parte de sua principal coleção, a Sacrae Symphoniae, de 1597, a Sonata pian’ e forte é um perfeito exemplo de como a música vocal (provavelmente usada primeiro na igreja) pode tornar-se puramente instrumental. Aqui, a música traduz instrumentalmente a ideia do cori spezzati, ou o estilo policoral tradicional de Veneza. O contraste dinâmico é criado pelo uso de coros de solistas e tutti: um coro de solistas resulta em piano, enquanto as seções de tutti são fortes.

Edvard Grieg foi o principal compositor escandinavo de sua geração e o mais importante divulgador da música folclórica de seu país. Nascido em Bergen, na Noruega, em 1843, sua criação se baseia em canções folclóricas e na tradição romântica. Foram os conselhos do violinista Ole Bull que o levaram a perseguir os estudos de piano no Conservatório de Leipzig, Alemanha, onde foi aluno de Richter, Hauptmann, Reinecke e Monscheles. Mas, de volta à Escandinávia, Grieg se estabeleceu em Copenhagen, influenciado pelo compositor Richard Nordraak, que o apresentou às bases de sua composição. Sobre Nodraak, afirmou Grieg: "Foi somente por meio dele que aprendi a conhecer as melodias norueguesas e a minha própria natureza". A Suíte Holberg, op. 40 foi criada em 1884 em celebração ao bicentenário de nascimento de Ludvig Holberg, filósofo, escritor e humorista dinamarquês. Aclamado como um Molière do Norte, Holberg nasceu na Noruega e passou parte da vida na Dinamarca (assim como Grieg). Os cinco movimentos da Suíte foram escritos originalmente para piano e rearranjados para orquestra de cordas no ano seguinte. Neste trabalho, Grieg toma emprestada a forma da suíte barroca, com seus tradicionais movimentos de dança francesa, e os reinterpreta sob as lentes da linguagem neoclássica.

A produção sinfônica de Haydn é pródiga e acompanha-o por toda a vida. Foram cento e seis sinfonias, a primeira datando de 1757 e a última, de 1795. As Sinfonias Londrinas, compostas entre 1791 e 1795, marcam um período de maturidade e de decantação do estilo haydniano. Constituem dois grupos: o primeiro, de números 93 a 98, composto durante a primeira visita de Haydn à Inglaterra, quando recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford; as sinfonias do segundo grupo, 99 a 104, foram compostas em Viena e Londres, para a sua segunda viagem à Inglaterra. Pertence a este grupo, portanto, a Sinfonia nº 100. Escrita entre 1793 e 1794, seu apelido ("Militar") deriva do uso, no segundo movimento, de evocações de fanfarras com trompetes e efeitos da percussão. Estes também retornam ao final do último movimento, colorindo a orquestração dos tutti. Com o bom humor que o acompanhou por toda a vida e que transparece também em sua obra, Haydn sabe, na Sinfonia nº 100, transcender à regra sem transgredi-la, confirmando sua aderência completa à linguagem do Classicismo.

Mikhail Mihaylovich Ippolitov-Ivanov nasceu em 1859 em Gatchina, cidade próxima de São Petersburgo, na Rússia. Filho de um mecânico, sua origem e classe social difere de boa parte dos compositores nacionalistas russos, que geralmente vinham de famílias mais privilegiadas. Entre 1872 e 1875, frequentou as classes do coral de meninos da Catedral de Santo Isaac; em 1875, foi admitido no Conservatório de São Petersburgo. Pupilo de Rimsky-Korsakov, amigo de Tchaikovsky, Ippolitov-Ivanov frequentou algumas reuniões do Grupo dos Cinco, lideradas por Mily Balakirev. Já no fim da vida, o interesse do compositor pela música folclórica dos turcos ocidentais e dos árabes, bem como dos usbeques, cazaques e turcomenos, resultou em alguns trabalhos. Escritos em 1930, os Fragmentos Turcos, op. 62 oferecem elementos destas origens. A obra foi dedicada à soprano azerbaijanesa Shevket Mamedova.

7 Maio 2022
sábado, 18h00

Sala Minas Gerais