De Xenákis a Zwilich

Fabio Mechetti, regente
Rafael Alberto, percussão
Guido Sant’Anna, violino

|    Fora de Série

XENÁKIS
YSAYE
RAVEL
ZWILICH
Rebonds B
Canto de inverno, op. 15
Tzigane
Celebração

Fabio Mechetti, regente

Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde a sua fundação, em 2008, sendo responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro. Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde esteve quatorze anos à frente da Sinfônica de Jacksonville, foi regente titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane e conduz regularmente inúmeras orquestras. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e com ela realizou concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Conduziu as principais orquestras brasileiras e também em países da Europa, Ásia, Oceania e das Américas. Em 2014, tornou-se o primeiro brasileiro a ser Diretor Musical de uma orquestra asiática, com a Filarmônica da Malásia. Mechetti venceu o Concurso de Regência Nicolai Malko e é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Rafael Alberto é Percussionista Principal da Filarmônica desde 2011. Natural de Santos (SP), iniciou seus estudos formais em música no Conservatório de Tatuí, sob orientação de Javier Calvino e Luis Marcos Caldana. Seguiu na Universidade Estadual Paulista (Unesp), graduando-se sob orientação de John Boudler, Carlos Stasi e Eduardo Gianesella. Em 2011, concluiu seu mestrado em Música pela Stony Brook University, em Nova York, como aluno de Eduardo Leandro. Integrou a Orquestra Sinfônica de Stony Brook e o Contemporary Chamber Players, grupo especializado em música dos séculos XX e XXI. Em 2014, participou do 33º Cloyd Duff Timpani Masterclass, na Universidade de Georgia (EUA). Juntamente com Leonardo Gorosito, é membro-fundador do Desvio, grupo dedicado a compor e interpretar novas peças para percussão. O duo tem dois discos de composições autorais, sendo o segundo, Brazilian Rhythms, lançado pelo selo Naxos. Suas peças têm sido executadas por músicos de países como Inglaterra, França, Bélgica, Japão, Singapura, Dinamarca e Estados Unidos. Como solista junto à Filarmônica, Rafael executou o Concerto para vibrafone, de Ney Rosauro, em 2012; o Concerto para vibrafone, de Villani-Côrtes, em 2017; e Rebonds B, de Xenakis, em 2022.

Aos dezessete anos, o paulistano Guido Sant´Anna foi o grande vencedor do 10º Concurso Internacional de Violino Fritz Kreisler, em setembro de 2022, em Viena. Guido começou a estudar o instrumento aos cinco anos, em casa, com a mãe e os irmãos, e teve seu talento reconhecido aos sete anos, pelo maestro Julio Medaglia. A partir daí, tornou-se aluno de Elisa Fukuda, obtendo bolsa da Fundação Magda Tagliaferro e, em seguida, patrocínio da Cultura Artística. Foi finalista do programa Prelúdio aos oito anos e, aos dez, conquistou o segundo lugar no 16º Concurso Nacional de Cordas Paulo Bosísio. Aos doze anos executou seu primeiro concerto, a Sinfonia Espanhola de Lalo com a Sinfônica de Piracicaba, e, posteriormente, o Concerto para violino de Katchaturian com a Bachiana Filarmônica, na Sala São Paulo. Aos treze anos, foi o primeiro sul-americano a ser selecionado para a Competição Menuhin; ficou em sexto lugar e levou os prêmios do Público e de Música de Câmara. Desde então, participa do The Perlman Music Program. Venceu também o Prêmio Jovens Talentos 2018 da Revista Concerto e o Prêmio Jovens Solistas 2021 da Osesp.

Programa de Concerto

Rebonds B | XENÁKIS

Yannis Xenákis foi um compositor, arquiteto e matemático grego. Criou sua obra a partir de fundamentos físicos e matemáticos, sendo responsável pela proposição de teorias musicais que dialogam com as estéticas contemporâneas, porém, seguiram um caminho próprio: a música estocástica e a música simbólica. Sua formação, tanto musical como em Engenharia e Arquitetura, foi marcada pela turbulência política em seu país, durante e após a Segunda Guerra Mundial. Foi perseguido, preso e se feriu gravemente em um conflito, tendo que deixar a Grécia com destino à França. Nesse país, trabalhou como engenheiro e arquiteto no escritório de Le Corbusier, sempre mantendo, paralelamente, a composição e o estudo da música. A partir de 1959, passou a se dedicar inteiramente ao ofício de compositor. Seu estilo inovador provocou estranhamentos, mas o importante estímulo de Olivier Messiaen o encorajou a afastar-se das regras clássicas da música e criar a partir do seu conhecimento em matemática e arquitetura. Rebonds para percussão solo é uma peça em dois movimentos (A e B) escrita para o percussionista argelino Sylvio Gualda e referência no repertório para percussão. No centenário do seu nascimento, o trabalho de Xenákis é lembrado no mundo todo.

Violinista, regente e compositor, Eugene Ysaye estudou com Wieniawski e Vieuxtemps. Virtuoso e apaixonado, foi intérprete de todos os grandes compositores para violino do seu tempo, que lhe dedicaram obras solistas. Como instrumentista, combinou sua técnica impecável e sonoridade marcante com a liberdade de interpretação. Como compositor, mostrou originalidade, indo além do virtuosismo puro. Uma de suas composições mais conhecidas, o Poema de inverno faz parte de um grupo chamado de poemas para violino.

Tzigane é, nas palavras de Ravel, “uma peça virtuosística composta no estilo de uma rapsódia húngara”. Esta breve definição parece sintetizar com precisão essa obra vibrante, dedicada à húngara Jelly d’Arányi. No dia 13 de março de 1924, ele escreveu-lhe uma carta; faltava pouco mais de um mês para a estreia e a obra ainda não estava pronta: "Você terá tempo de vir a Paris em duas ou três semanas? Se sim, eu gostaria de contar-lhe sobre Tzigane, que estou escrevendo especialmente para você, que lhe será dedicada, e que irá substituir a minha sonata, temporariamente abandonada, para o concerto de Londres. (...) Algumas passagens produzirão efeitos brilhantes, desde que sejam possíveis de ser executadas – disso eu nunca tenho certeza". Ravel tinha uma paixão incurável pela música de outros povos. Incorporou referências, reais ou imaginárias, de várias culturas, tais como a espanhola, hebraica, chinesa e cigana, assim como da Grécia Antiga e do Oriente Fantástico. Para compor a Tzigane, suas fontes de inspiração foram, principalmente, a escrita virtuosística de Paganini e de Sarasate, e o colorido exótico das Rapsódias Húngaras de Liszt.

A norte-americana Ellen Zwilich carrega muitas honras em sua carreira. Para citar apenas algumas, foi a primeira mulher a receber o prêmio Pulitzer de composição, em 1983, com sua Sinfonia nº 1. Foi a primeira pessoa a ocupar a cadeira de compositora no Carnegie Hall (1995/1999) e a primeira mulher a concluir doutorado em Música na Juilliard School. Possui uma enorme lista de premiações e reconhecimentos. Trabalhou com o maestro Leopold Stokowski como membra da American Symphony Orchestra, entre 1965 e 1972, numa época em que havia poucas mulheres em orquestras. Ellen Taafe Zwilich possui uma vasta obra para grande orquestra e grupos de câmara, sinfonias, concertos para instrumentos solistas, peças vocais, corais e balé. Recebe numerosas encomendas e tem sua obra interpretada pelas principais orquestras do seu país e grupos estrangeiros. Começou a compor ainda criança e estudou piano, violino e trompete. Foram seus professores Ivan Galamian, Elliott Carter e Roger Sessions. Sua obra Celebração para orquestra foi comissionada pela Orquestra Sinfônica de Indianápolis para a inauguração do Circle Theatre, em 1984.

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