Do Classicismo ao Romantismo

José Soares, regente

|    Presto 2021

SCHUBERT
DVORÁK
Sinfonia nº 8 em si menor, D. 759, "Inacabada"
Sinfonia nº 4 em ré menor, op. 13

José Soares, regente

Natural de São Paulo, José Soares é Regente Assistente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde 2020. Iniciou-se na música com sua mãe, Ana Yara Campos. Estudou Regência Orquestral com o maestro Cláudio Cruz, em um programa regular de masterclasses em parceria com a Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Participou como bolsista nas edições de 2016 e 2017 do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, sendo orientado por Marin Alsop, Arvo Volmer, Giancarlo Guerrero e Alexander Libreich. Recebeu, nesta última, o Prêmio de Regência, tendo sido convidado a atuar como regente assistente da Osesp em parte da temporada 2018, participando de um Concerto Matinal a convite de Marin Alsop. Foi aluno do Laboratório de Regência da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo convidado pelo maestro Fabio Mechetti a reger um dos Concertos para a Juventude da temporada 2019. Em julho desse mesmo ano, teve aulas com Paavo Järvi, Neëme Järvi, Kristjan Järvi e Leonid Grin, como parte do programa de Regência do Festival de Música de Parnü, Estônia. Atualmente, cursa o bacharelado em Composição pela Universidade de São Paulo.

Programa de Concerto

Sinfonia nº 8 em si menor, D. 759, "Inacabada" | SCHUBERT

A Sinfonia Inacabada foi composta em Viena, em outubro de 1822. O subtítulo "Inacabada" vem do fato de existirem apenas os dois primeiros movimentos. Em uma carta de 7 de dezembro de 1822 para seu amigo Josef von Spaun, Schubert não incluiu a Sinfonia na lista de suas composições recentes, provavelmente porque, naquela data, ele ainda não a via como uma obra terminada. Porém, de acordo com Joseph Hüttenbrenner, por volta de 1824, seu irmão Anselm Hüttenbrenner recebeu de Schubert o manuscrito dos dois movimentos. Se acreditarmos que Schubert dificilmente enviaria uma obra inacabada como agradecimento, é possível que ele tenha percebido que a Sinfonia já estava completa com seus dois maravilhosos movimentos, mesmo que, na época da composição, essa percepção ainda não estivesse clara. Por mais de quarenta anos os dois irmãos mantiveram o manuscrito em casa sem jamais mencioná-lo a ninguém. No final dos anos 1850, os irmãos Hüttenbrenner começaram, pouco a pouco, a mencionar a existência da Sinfonia e, apenas em 1865, trinta e sete anos após a morte de Schubert, o manuscrito foi entregue ao regente Johann Herbeck, que a estreou em Viena na Gesellschaft der Musikfreunde, no dia 17 de dezembro de 1865.

A Sinfonia nº 4 em ré menor, op. 13 forma parelha com a sinfonia anterior de Dvorák. Ambas são marcadas pelo profundo impacto que teve no compositor a música de Richard Wagner. Se, porém, na Terceira Sinfonia isso transparece de forma explícita, na Quarta já se expressa a fusão entre a mentalidade musical boêmia e a formação intelectual germânica que sempre guiaram a atividade criadora de Dvorák. Composta entre janeiro e março de 1874, a Quarta Sinfonia foi estreada em maio do mesmo ano, sob a batuta de ninguém menos que Bedrich Smetana, em Praga. Embora aí se ouça nitidamente a presença de Wagner (como de Tannhäuser, no segundo movimento), não se pode em absoluto falar de subserviência ao modelo germânico. Dvorák sabe usar de suas fontes como modelo, mas nunca como gabarito. A presença do elemento boêmio atenua, assim, as fontes wagnerianas, e a obra, como tudo em Dvorák, soa original e autônoma. A Quarta Sinfonia de Dvorák é, hoje, uma de suas obras mais celebradas, assim como a oitava e a nona sinfonias: talvez pela maestria da elaboração formal, talvez somente pela originalidade, ou pela riqueza e acessibilidade melódica. O fato é que há um “não sei o quê” na obra de Dvorák que sempre açula a atenção…