Donas da História – filho

Fabio Mechetti, regente
Eliane Coelho, soprano

WAGNER
BERLIOZ
RIMSKY-KORSAKOV
Tannhäuser: Música da montanha de Vênus
Cleópatra
Sheherazade, op. 35

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Carioca, Eliane Coelho diplomou-se na Escola Superior de Música e Teatro de Hannover, para depois seguir uma brilhante carreira internacional como cantora da Ópera de Frankfurt e da Ópera de Viena. Nesta última, recebeu o título de Kammersängerin. Atuou em numerosos papéis, como Tosca, Butterfly, Turandot, Maria Stuart, Fedora, Madeleine, Arabella, Margherita, Elena, Elettra, Lady Macbeth, Leonora, Aida, Desdemona, Lina, Elisabetta, Elvira, Abigaille, Helene e Salomé. Cantou com Plácido Domingos, José Carreras, Leo Nucci, Renato Bruson, Ferruccio Furlanetto, Samuel Ramey, Bryn Terfel, Leonnie Rysanek, Sigfried Jerusalem, Hans Zednik, Bernd Weikl e Brigitte Fassbaender. Com a Filarmônica de Minas Gerais, apresentou-se em 2009 e em 2015. Nos últimos anos, interpretou com grande êxito Isolda, Brunnhilde, La Gioconda, Lucrezia Contarini, Lady Macbeth de Mtsensk e Kostelnicka.

Programa de Concerto

Tannhäuser: Música da montanha de Vênus | WAGNER

Desde sua estreia em Dresden, em 19 de outubro de 1845, a ópera Tannhäuser foi recebida com incompreensão, uma vez que nenhum dos atores – especialmente o personagem principal – estava à altura das demandas da partitura. Se hoje Tannhäuser é vista como uma das mais desafiadoras e recompensadoras funções para um tenor, tal status só foi possível graças às significativas revisões feitas por Wagner ao trabalho. Entretanto, os diários de Cosima Wagner revelam a permanente insatisfação de seu marido com o projeto. Semanas antes de sua morte, ele teria dito que “ainda devia ao mundo um Tannhäuser”. Tal desagrado se devia às constantes revisões à versão inicial, como a apresentada em Paris em 1861. Razões políticas pareciam direcionar o projeto bem mais que as eventuais considerações artísticas. Em carta a Liszt, Wagner revela o espanto diante das instruções da Ópera de Paris de realizar a ópera da forma mais suntuosa possível, inclusive contratando apenas músicos escolhidos pelo próprio compositor: “Nunca em minha vida os meios para uma performance de primeira categoria tinham sido colocados em minha mão de forma tão aberta e incondicional. É, até o momento, o primeiro triunfo de minha carreira que colho pessoalmente”. No entanto, os problemas pareciam se multiplicar e superar todo o resto – não somente demandas do próprio compositor, mas também externas -, determinando o destino da Ópera bem mais que sua qualidade em si. A Música da montanha de Vênus foi escrita para a apresentação parisiense de Tannhäuser, mas, aqui, trata-se de uma Vênus medieval, não grega; mais próxima do Inferno das lendas germânicas que do Olimpo mitológico.

Em 1826, Hector Berlioz começou os estudos no Conservatório de Paris e também fez sua primeira incursão no Prêmio de Roma, láurea destinada a estudantes das artes, oferecida pelo governo francês. De 1826 a 1830, quando finalmente venceu a competição, Berlioz submeteu obras em todos os anos. Sua primeira tentativa foi A morte de Orfeu, cujo esforço da composição foi desperdiçado pelo pianista encarregado de apresentar a versão ao júri, sob a alegação de que a música era “impossível de se tocar”. No ano seguinte, o compositor foi mais longe, obtendo segundo lugar com Herminie, uma cena operística com texto do dramaturgo Pierre-Ange Vieillard. Como se tornara praxe conceder o primeiro prêmio a cada ano ao vencedor do segundo lugar do ano anterior, Berlioz supôs que com ele não seria diferente. Assim, se sentiu à vontade para seguir os próprios sentimentos e seu “estilo natural” em vez de se ajustar às normas conservadoras dos jurados. O resultado é a mais impressionante de suas incursões no Prêmio de Roma, a cena operística Cleópatra, a de 1929. Por vezes listada como A morte de Cleópatra, o nome alternativo reforça a impressão de figuras como Mendelsshon de que Berlioz carregava uma certa morbidez na escolha de seus temas. A peça também foi composta tendo como base texto de Pierre-Ange Vieillard. Apesar dos votos favoráveis de Cherubini e Boïeldieu, o júri como um todo ficou tão perplexo com a audácia da obra que a competição daquele ano não teve um vencedor. No ano seguinte, Berlioz compôs A morte de Sardanapalo, da qual apenas um fragmento sobreviveu, consagrada vencedora do prêmio.

Sheherazade é a protagonista das Mil e uma noites, coletânea de contos populares medievais da Ásia ocidental e meridional, originalmente escritos em árabe. Desde que foram traduzidos para o francês, pela primeira vez, no início do século XVIII, esses contos passaram a ser considerados na Europa como a representação máxima do fantástico mundo da fábula oriental. As fábulas são ligadas, entre si, por meio de um conto base: o sultão, traído por sua primeira esposa, manda executá-la e decide casar-se com uma jovem virgem a cada noite, fazendo executá-la no dia seguinte para se prevenir de uma futura infidelidade. Sheherazade, filha mais velha do vizir, decide casar-se com o sultão. Na noite de núpcias, conta-lhe uma história cujo final é deixado para a noite seguinte, a fim de que o sultão tivesse que adiar a sua execução para saber o desfecho. Na noite seguinte, tão logo ela termina a primeira história, começa outra imediatamente, sem terminá-la. E assim, sucessivamente, Sheherazade prende o sultão por mil e uma noites até que, como prova de afeição, ele perdoa-lhe a sentença, e ela lhe apresenta os três filhos que, neste período, dera à luz. Para dar vida às incríveis fábulas e, ao mesmo tempo, preservar o colorido russo, Rimsky-Korsakov explorou ao máximo os timbres da orquestra. Ao evitar a mera combinação de folclore com música erudita, ele se livrava de dois possíveis erros: o de degenerar a obra em amadorismo, ao amarrá-la à entonação folclórica; e o de sacrificar a própria entonação folclórica para adequá-la às demandas artísticas. Nas palavras do compositor, a suíte sinfônica Sheherazade foi inspirada “em imagens singulares e episódios separados das Mil e uma noites, espalhados pelos quatro movimentos da suíte. Como ligação entre esses quadros, criei os breves trechos para violino solo, que são atribuídos à sultana Sheherazade”.

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