Donas da História

Fabio Mechetti, regente
Eliane Coelho, soprano

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WAGNER
BERLIOZ
RIMSKY-KORSAKOV
Tannhäuser: Música da montanha de Vênus
Cleópatra
Sheherazade, op. 35

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Das artistas brasileiras, Eliane Coelho é a que faz uma das mais brilhantes carreiras no exterior. Carioca, diplomou-se na Escola Superior de Música e Teatro de Hannover. De 1983 a 1991, foi contratada pela Ópera de Frankfurt e, em seguida, pela Ópera de Viena, na qual é estrela desde 1991. Ao longo de sua carreira, tem cantado grandes papéis em óperas como a Tosca, regida pelo Maestro Zubin Metha; Jerusalem com José Carreras e Samuel Ramey; As vésperas sicilianas com Bruson e Furlanetto; Stiffelio, Il Trovatore (Leonora), Madame Butterfly e ainda, La Bohème em Tóquio e Arabella em Tel-Aviv, onde recentemente cantou o Réquiem de Verdi com a Filarmônica de Israel, sob a regência do Maestro Zubin Metha. Em 2011, cantou Isolda em Manaus e, em 2012, a Tosca.

Programa de Concerto

Tannhäuser: Música da montanha de Vênus | WAGNER

Desde sua estreia em Dresden, em 19 de outubro de 1845, a ópera Tannhäuser foi recebida com incompreensão, uma vez que nenhum dos atores – especialmente o personagem principal – estava à altura das demandas da partitura. Se hoje Tannhäuser é vista como uma das mais desafiadoras e recompensadoras funções para um tenor, tal status só foi possível graças às significativas revisões feitas por Wagner ao trabalho. Entretanto, os diários de Cosima Wagner revelam a permanente insatisfação de seu marido com o projeto. Semanas antes de sua morte, ele teria dito que “ainda devia ao mundo um Tannhäuser”. Tal desagrado se devia às constantes revisões à versão inicial, como a apresentada em Paris em 1861. Razões políticas pareciam direcionar o projeto bem mais que as eventuais considerações artísticas. Em carta a Liszt, Wagner revela o espanto diante das instruções da Ópera de Paris de realizar a ópera da forma mais suntuosa possível, inclusive contratando apenas músicos escolhidos pelo próprio compositor: “Nunca em minha vida os meios para uma performance de primeira categoria tinham sido colocados em minha mão de forma tão aberta e incondicional. É, até o momento, o primeiro triunfo de minha carreira que colho pessoalmente”. No entanto, os problemas pareciam se multiplicar e superar todo o resto – não somente demandas do próprio compositor, mas também externas -, determinando o destino da Ópera bem mais que sua qualidade em si. Os membros do Jockey Club, assinantes da Ópera, acostumados a chegar depois e apenas para o segundo ato, exigiam a qualquer custo um segundo ato de balé. A despeito dos 163 ensaios, a negativa de Wagner aos caprichos dos cavalheiros do Jockey resultou em protestos e tumulto e consequente fracasso após apenas três apresentações.

Em 1826, Hector Berlioz começou os estudos no Conservatório de Paris e também fez sua primeira incursão no Prêmio de Roma, láurea destinada a estudantes das artes, oferecida pelo governo francês. De 1826 a 1830, quando finalmente venceu a competição, Berlioz submeteu obras em todos os anos. Sua primeira tentativa foi A morte de Orfeu, cujo esforço da composição foi desperdiçado pelo pianista encarregado de apresentar a versão ao júri, sob a alegação de que a música era “impossível de se tocar”. No ano seguinte, o compositor foi mais longe, obtendo segundo lugar com Herminie, uma cena operística com texto do dramaturgo Pierre-Ange Vieillard. Como se tornara praxe conceder o primeiro prêmio a cada ano ao vencedor do segundo lugar do ano anterior, Berlioz supôs que com ele não seria diferente. Assim, se sentiu à vontade para seguir os próprios sentimentos e seu “estilo natural” em vez de se ajustar às normas conservadoras dos jurados. O resultado é a mais impressionante de suas incursões no Prêmio de Roma, a cena operística Cleópatra, a de 1929. Por vezes listada como A morte de Cleópatra, o nome alternativo reforça a impressão de figuras como Mendelsshon de que Berlioz carregava uma certa morbidez na escolha de seus temas. A peça também foi composta tendo como base texto de Pierre-Ange Vieillard. Apesar dos votos favoráveis de Cherubini e Boïeldieu, o júri como um todo ficou tão perplexo com a audácia da obra que a competição daquele ano não teve um vencedor. No ano seguinte, a menos inspirada A morte de Sardanapalo, da qual apenas um fragmento sobreviveu, foi consagrada vencedora do prêmio.

Sheherazade é a protagonista das Mil e uma noites, coletânea de contos populares medievais da Ásia ocidental e meridional, originalmente escritos em árabe. Desde que foram traduzidos para o francês, pela primeira vez, no início do século XVIII, esses contos passaram a ser considerados na Europa como a representação máxima do fantástico mundo da fábula oriental. As fábulas são ligadas, entre si, por meio de um conto base: o sultão, traído por sua primeira esposa, manda executá-la e decide casar-se com uma jovem virgem a cada noite, fazendo executá-la no dia seguinte para se prevenir de uma futura infidelidade. Sheherazade, filha mais velha do vizir, decide casar-se com o sultão. Na noite de núpcias, conta-lhe uma história cujo final é deixado para a noite seguinte, a fim de que o sultão tivesse que adiar a sua execução para saber o desfecho. Na noite seguinte, tão logo ela termina a primeira história, começa outra imediatamente, sem terminá-la. E assim, sucessivamente, Sheherazade prende o sultão por mil e uma noites até que, como prova de afeição, ele perdoa-lhe a sentença, e ela lhe apresenta os três filhos que, neste período, dera a luz. Para dar vida às incríveis fábulas e, ao mesmo tempo, preservar o colorido russo, Rimsky-Korsakov explorou ao máximo os timbres da orquestra. Ao evitar a mera combinação de folclore com música erudita, ele se livrava de dois possíveis erros: o de degenerar a obra em amadorismo, ao amarrá-la à entonação folclórica; e o de sacrificar a própria entonação folclórica para adequá-la às demandas artísticas. Nas palavras do compositor, a suíte sinfônica Sheherazade foi inspirada “em imagens singulares e episódios separados das Mil e uma noites, espalhados pelos quatro movimentos da suíte. Como ligação entre esses quadros, criei os breves trechos para violino solo, que são atribuídos à sultana Sheherazade”.

12 dez 2019
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
compre seu ingresso

Estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda entre 15 e 29 anos e pessoas com deficiência (e acompanhante) têm direito a meia-entrada.
Os ingressos para o setor Coro (46 reais) serão comercializados somente após a venda dos demais setores.

O programa deste concerto foi impresso com papel doado pela Resma Papeis.

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13 dez 2019
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
compre seu ingresso

Estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda entre 15 e 29 anos e pessoas com deficiência (e acompanhante) têm direito a meia-entrada.
Os ingressos para o setor Coro (46 reais) serão comercializados somente após a venda dos demais setores.

O programa deste concerto foi impresso com papel doado pela Resma Papeis.

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