Em festa com Zaratustra e Rachmaninov

Fabio Mechetti, regente
Lilya Zilberstein, piano

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GUARNIERI
RACHMANINOV
R. STRAUSS
Abertura Festiva
Concerto para piano nº 2 em dó menor, op. 18
Assim falou Zaratustra, op. 30

Fabio Mechetti, regente

Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde a sua fundação, em 2008, sendo responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro. Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde esteve quatorze anos à frente da Sinfônica de Jacksonville, foi regente titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane e conduz regularmente inúmeras orquestras. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e com ela realizou concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Conduziu as principais orquestras brasileiras e também em países da Europa, Ásia, Oceania e das Américas. Em 2014, tornou-se o primeiro brasileiro a ser Diretor Musical de uma orquestra asiática, com a Filarmônica da Malásia. Mechetti venceu o Concurso de Regência Nicolai Malko e é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Lilya Zilberstein é considerada uma das melhores pianistas do mundo e já se apresentou com as mais importantes orquestras. Ganhadora do primeiro prêmio na Competição Internacional de Piano Busoni (1987), também já foi premiada na Accademia Musicale Chigiana, em Siena, Itália, ao lado de vencedores como Gidon Kremer, Anne-Sophie Mutter e Esa-Pekka Salonen. Em uma parceria duradoura, realizou inúmeros recitais ao lado de Martha Argerich, com quem gravou a Sonata para dois pianos de Brahms e uma participação no disco Martha Argerich and Friends: Live from the Lugano Festival (EMI), indicado ao Grammy de melhor álbum de música clássica e melhor apresentação de música de câmara. Zilberstein também já gravou diversos trabalhos para o selo Deutsche Grammophon e possui uma longa carreira como professora, primeiramente na Universidade de Música e Teatro de Hamburgo, e hoje na Universidade de Música e Artes Cênicas de Viena.

Programa de Concerto

Abertura Festiva | GUARNIERI

Camargo Guarnieri deixou um catálogo com mais de setecentos títulos, que o coloca entre os mais prolíficos e significativos compositores brasileiros. A Abertura Festiva foi escrita por ele em apenas vinte dias, em janeiro de 1971, para abrir a temporada anual da Orquestra Filarmônica de São Paulo. Neoclassicismo e elementos rítmicos nacionalistas aliam-se nesta obra pequena e rica em percussão. Guarnieri emprega três temas principais: o tema A, que aparece na flauta, antecedido por breve introdução orquestral. O tema B é confiado ao clarinete, após um momento de repouso estabelecido pelas trompas. Esses dois primeiros temas são bastante rítmicos e contrastam com a longa linha melódica do tema C, apresentado pelos trompetes e violinos. Elementos dos três temas são trabalhados, com destaque para um pequeno cânone dos sopros sobre os violoncelos. Na reapresentação dos dois primeiros temas, o B (agora no oboé) antecede o A (no clarinete e, depois, nos violinos), dando à arquitetura uma forma espelhada AB-C-BA. A coda é construída em crescendo gradativo até o clímax conclusivo.

No final do século XIX, enquanto a reputação do jovem Rachmaninov se firmava em toda a Rússia, crescia também a expectativa em torno de suas novas criações. O compositor, regente e pianista amargou o fracasso nas estreias de sua Primeira Sinfonia e de seu Concerto para piano nº 1. Entre 1897 e 1898, sofrendo de uma profunda depressão e sem compor nada, foi buscar ajuda no consultório do Dr. Nicolai Dahl. Por três meses, seu tratamento diário incluía hipnoterapia e psicoterapia. Consciente dos problemas do Primeiro Concerto, Rachmaninov preferiu compor um novo. Durante a hipnose, o Dr. Dahl sugeria a seu paciente: “você vai começar a escrever o seu concerto, você trabalhará com grande facilidade, o seu concerto será uma grande obra”. Surge assim o Concerto para piano nº 2, obra cuja beleza e o fino acabamento fizeram dela, além de exemplo de superação e êxito, um novo modelo estético de concerto romântico para piano.

Desde a sua concepção, Assim falou Zaratustra é uma obra de ambições grandiosas, tão elevadas quanto o sucesso que encontrou com o público desde sua estreia, em 1896. Sua popularidade cresceu ainda mais depois que seu movimento introdutório foi usado como trilha sonora do filme 2001: Uma odisseia no espaço, passando a ser fortemente associado a imagens de exploração espacial e da imensidão das galáxias. E, na gênese da composição, encontramos esse mesmo desejo de exploração de um lugar aparentemente infinito. Porém, tal qual no texto de Nietzsche que o inspirou, a vastidão que interessa a Strauss é a vastidão do potencial humano. Na filosofia nietzschiana, Strauss encontrou a abordagem agnóstica e provocadora com a qual se identificava, e lançou-se ao desafio de adaptar os ensinamentos do profeta Zaratustra (uma representação alegórica do próprio Nietzsche) em um poema sinfônico. Nesse sentido, menos do que narrar uma história, a intenção de Strauss em Assim falou Zaratustra está em expor uma visão de mundo e em colocar as grandes questões sobre Deus, a natureza e o ser humano. O resultado é uma obra profundamente marcante, que, em sua imponência, nos convida a reconsiderar nossas próprias crenças, nossos valores e as possibilidades de nossa existência.

9 mar 2023
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

10 mar 2023
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
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