Espaços e tempos melódicos – filho

Fabio Mechetti, regente

O. LANNA
DUTILLEUX
TCHAIKOVSKY
Minas – Vertentes, Mistério, Celebração
Le Loup
Sinfonia nº 5 em mi menor, op. 64

Fabio Mechetti, regente

Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde a sua fundação, em 2008, sendo responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro. Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde esteve quatorze anos à frente da Sinfônica de Jacksonville, foi regente titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane e conduz regularmente inúmeras orquestras. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e com ela realizou concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Conduziu as principais orquestras brasileiras e também em países da Europa, Ásia, Oceania e das Américas. Em 2014, tornou-se o primeiro brasileiro a ser Diretor Musical de uma orquestra asiática, com a Filarmônica da Malásia. Mechetti venceu o Concurso de Regência Nicolai Malko e é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Programa de Concerto

Minas – Vertentes, Mistério, Celebração | O. LANNA

Minas não é sobre música mineira, no sentido de música tradicional que passou a ser associada a Minas Gerais. O título fala das lembranças que o compositor tem de sua terra natal – a cidade de Visconde do Rio Branco, na Zona da Mata mineira: as montanhas, as paisagens, a roça. São as suas evocações pessoais que emergem nesta obra. Para Oiliam Lanna, os sons de sinos não são mais importantes que a montanha que se contempla da janela. Sinos, montanhas, janela, tudo faz parte de um único quadro. Os subtítulos não delimitam movimentos ou seções, mas são traços que alimentam a composição de forma recorrente. Aqui, mais uma vez, as palavras ganham significados pessoais. Vertentes tem a ver com vales, com fonte, com verter; Mistério, com silêncio, com o insondável, o indizível, o velado; e Celebração, com vida, movimento, natureza, com tudo que envolve a crença. Minas é dedicada ao maestro Fabio Mechetti e à Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.

Fruto de um trabalho persistente e de qualidade excepcional, a música de Henri Dutilleux ocupa, tanto para a crítica mais tradicionalista como para as vanguardas, lugar privilegiado no cenário contemporâneo. Seu catálogo, não especialmente numeroso, é composto de obras-primas, cada uma meticulosamente pensada e cinzelada com refinamento. Seu reconhecimento, entretanto, ocorreu lentamente – talvez por causa do temperamento independente e recluso do compositor, que sempre se negou a participar de movimentos e grupos estéticos. Liberdade de expressão, recusa da banalidade, perfeccionismo e um rigoroso senso de estrutura sintetizam as principais características da sua criação. Entre 1944 e 1953, Dutilleux compôs cinco partituras para balé, entre elas Le Loup (O Lobo). A música foi escrita sobre libreto de Jean Anouilh e Jean Neveux, uma versão da história de a Bela e a Fera, representadas, respectivamente, pelo oboé e pelo fagote. Sobre ela, disse Henri Busser, antigo professor de composição de Dutilleux no Conservatório de Paris: “Rica em substância, admiravelmente orquestrada, sem dúvida mais sinfônica do que coreográfica, mas de um grande mérito”. O balé teve bastante sucesso em sua estreia, pela companhia de Roland Petit, no Théâtre de l’Empire, em 17 de março de 1953, permanecendo três meses em cartaz.

Tchaikovsky é conhecido pelo grande público principalmente por suas obras para balé, como O quebra-nozes e O lago dos cisnes. No entanto, é em suas seis sinfonias que seu gênio se exprime melhor. Compostas ao longo da vida (a primeira foi escrita aos 26 anos e a última, no ano de sua morte), elas expressam sinteticamente vários aspectos do trajeto que percorreu como compositor, desde o dilema entre o nacionalismo e a universalidade, até à procura por um caminho pessoal de expressão artística dentro do universo romântico. A Quinta Sinfonia foi composta entre maio e agosto de 1888 e conta, se isso for realmente possível em Tchaikovsky, com a presença evidente do elemento russo. Não se trata, porém, de citações ou releituras de material melódico da música tradicional do seu país, mas de uma filtragem e apropriação desse material, estilizado ao máximo no seio de uma linguagem romântica genuína e, por fim, transmutado em elaborações melódicas originais e próprias do compositor, que nunca ousa explorá-lo com excessos patrioteiros. No entanto, paradoxalmente, o segundo movimento – com seu célebre solo de trompa – apresenta um Tchaikovsky de inventividade livre e plena, inclusive nas técnicas de orquestração.

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